Estudantes criam veículo portátil para idosos

Alunos da Escola Politécnica da USP, em parceria com universidades internacionais, desenvolveram um novo transporte destinado ao público da terceira idade

Por Laura Barbosa

Estudantes de engenharia da USP criaram um veículo especialmente para idosos, que tem como objetivo facilitar a vida das pessoas entre 53 e 71 anos de idade. O “carro”, que é dobrável e pode ser carregado para todos os lugares, possui uma velocidade máxima de 20 quilômetros por hora, tornando possível que os usuários se locomovam em calçadas, ciclovias e ciclofaixas.

Durante a criação do projeto, denominado XD, uma rigorosa pesquisa de mercado foi necessária para que não houvesse erros. Apenas na cidade de São Paulo, foram entrevistadas 40 pessoas do público-alvo para entender um pouco mais suas necessidades.

As informações do estudo apontam que 86,67% dos idosos utilizam smartphones e aplicativos de transporte, como o Uber. A partir disso, a ideia de instalar um sistema de GPS para ajudar o usuário a se locomover passou a ser realidade. Com o navegador, é possível que o cliente tenha formas de se comunicar com amigos e parentes.

A pesquisa de mercado não se restringiu aos possíveis compradores. Os estudantes conversaram também com especialistas na área da saúde, como neurologistas, fonoaudiólogos e e técnicos de shiatsu, para aprimorar o veículo.

Imagem: Pedro Orsi

As medidas do equipamento, fechado, foram pensadas para que se assemelhasse a uma mala. O design moderno, que ocupa apenas 0,088 metros quadrados, possui materiais, como plástico com vidro, poliestireno e alumínio, visando a reciclagem do produto.

O grupo de estudantes acredita que se o XD for comercializado poderia obter lucros que chegassem à casa do milhão, caso fosse vendido em países onde os idosos possuem fácil acesso à tecnologia e estão acostumados com bicicletas elétricas, como a Holanda e algumas regiões do Brasil. O item teria o preço em torno de US$ 753,40, tendo como lucro inicial apenas 10%.

Além do trabalho ter um caráter solidário, cujo objetivo é a melhoria no cotidiano da terceira idade, o projeto criado pelo grupo de alunos da Escola Politécnica recebeu o prêmio “Siemens PLM Software Excellence” e alcançou o segundo lugar na categoria Engenharia de Produto. Ganhou também o primeiro lugar na categoria Engenharia de Manufatura e terceiro na Pesquisa de Mercado no “Global Vehicle Develepment Project”.

A disputa, que aconteceu em Michigan, nos Estados Unidos, é realizada todos os anos. Uma das exigências para participar da competição é que a formação dos grupos contasse com estudantes de diferentes países e entidades membros do “Partners for the Advancement of Collaborative Engineering Education (Pace)”.

Entre os países da América do Sul, o Brasil é o único participante do “Pace”. Em 2005, a Escola Politécnica da USP foi a única e primeira escola brasileira aprovada pelo programa. Para a realização dos projetos, é necessário que as universidades tenham laboratórios e softwares oferecidos por empresas que participam do programa.

Foto: Guilherme Costa Martins

Estudante explica como o projeto foi desenvolvido

A aluna de engenharia elétrica da Poli, Juliana de Abreu Faria, 24, conta um pouco mais sobre o veículo e as dificuldades enfrentadas durante sua criação:

De onde surgiu a ideia para a criação do veículo portátil para idoso?

A ideia de criar um veículo portátil para idoso surgiu da iniciativa da competição. O último projeto foi o PUMA (Personal Urban Mobility Access) que nos desafiou a desenvolver um veículo pessoal que auxiliasse a locomoção de idosos em grandes cidades.

Como o veículo ajuda o público idoso?

O veículo ajuda o público idoso facilitando o seu deslocamento para transportes públicos. O idoso sai de casa e usa o veículo até o metrô ou ônibus. Ao descer na estação, ele usa o veículo novamente até o seu local de destino. Isso ajuda o público idoso a ser independente, a sair de casa e se locomover pela cidade.

Como veículo funciona?

O veículo é elétrico, possui cerca de 20 quilos, com um aplicativo para monitorá-lo e o modo segway (que segue o idoso, não havendo a necessidade de ele carregar o veículo). Ele chega até 20 quilômetros por hora, com autonomia de 50 quilômetros.

Qual foi a maior dificuldade que o grupo enfrentou durante a criação do veículo?

A maior dificuldade que o grupo enfrentou foi reduzir o peso do veículo para no máximo 20 quilos e a dificuldade em se comunicar com as outras universidades, como as da Índia e da Alemanha, além da Mauá.

Existe algum projeto para o veículo entrar no mercado? Se sim, quando?

Não há projeto de o veículo entrar no mercado.

O preço do veículo seria acessível para todos?

Durante a criação, passamos a utilizar materiais que pudessem reduzir o custo e facilitar o acesso ao consumidor, o preço final seria US$ 753,40

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