Quando a ciência e a diversão unidas se tornam aprendizado

O Catavento Cultural aborda variados temas educativos, que despertam o interesse de todas as idades

Por Julia Rohrer

Foto Julia Rohrer – Palácio da Indústrias, onde o Catavento está localizado.

Localizado no bairro do Brás, área central de São Paulo, o Catavento Cultural foi se transformando em um dos pontos mais concorridos dos roteiros que buscam apresentar a ciência para o grande público. Em frente ao Mercado Municipal e próximo à 25 de março, o museu é dividido em quatro seções: universo, vida, engenho e sociedade, e reúne temas como biologia, física, geografia, astronomia, química e história.

O prédio em que está localizado, o Palácio das Indústrias, foi construído com o intuito de ser uma área de exposições. Porém, o edifício já teve uma série de outras utilidades. Foi uma delegacia, Assembleia Legislativa e até mesmo prefeitura da cidade. A ideia de adaptação do espaço veio do curador, Sérgio Freitas, presidente do conselho do Catavento, que pesquisou museus ao redor de todo o planeta e conseguiu colher informações junto de uma equipe para que, em março de 2009, o museu fosse inaugurado. Segundo a agente educativa do museu, Pâmella Andrade, o local “surgiu da necessidade de São Paulo ter um museu de ciência, um museu com muito mais informação, muito mais diversidade, não focado em apenas um assunto”.

Talvez seja essa variedade de informações e atividades o que chama cada vez mais a atenção do público. É importante considerar que o museu é interativo, portanto, permite aos seus visitantes um contato direto com a maioria dos experimentos, possibilitando que eles vivenciem situações do dia a dia.

Foto: Julia Rohrer – Réplica em tamanho real de uma das espécies que viviam no Brasil há milhares de anos atrás

Foto: Julia Rohrer – Algumas das exposições do museu, uma réplica do sol e uma célula de DNA gigante

“A interação, tudo que eles veem aqui é o cotidiano, então é muito mais fácil de você explicar as coisas”, ressalta Pâmella. Ou seja, os visitantes podem ver uma reação química diante dos seus próprios olhos dentro do laboratório, entender como ocorre a geração de energia, analisar as leis de Newton, produzir seu próprio programa de TV no estúdio e ainda deixar o cérebro cair nos truques das ilusões de ótica. “O público reage bem porque ele se identifica com as ações e porque o Catavento tem esse diferencial de que o visitante participa ativamente. É uma troca de informações”, ela explica.

Foto: Julia Rohrer – Algumas das atrações oferecidas pelo Catavento Cultural

Pâmella relembra, uma vez que o museu tem tanto a oferecer: o Catavento não é uma escola. Muitas pessoas têm a ideia errada de que sairão do local tendo pleno entendimento sobre cada um daqueles temas. O que não acontece, já que é preciso anos de preparo e estudo para dominar os assuntos abordados. No entanto, o ambiente ajuda a despertar o interesse nos estudos sobre os conteúdos oferecidos.

O Catavento é uma instituição que acolhe todos os tipos de público. Desde crianças até idosos. No segundo caso, conta com o Catavento Acessível, que consiste em um grupo de graduandos que fazem o atendimento especial voltado para esse público que possui uma certa vulnerabilidade. Para lidar com os diferentes perfis de visitantes, o Catavento Acessível usa dinâmicas distintas para conseguir explicar o acervo do museu, promovendo atividades que chamem a atenção de cada um deles. Pâmella mostra como são pensadas as atividades para os diferentes públicos-alvo, esclarecendo como cada ação feita pelo Catavento é pensada diretamente para o público que eles vão receber: “A gente tem o dia do idoso, então a gente faz uma atividade pensando no idoso, pensando na acessibilidade deles, no caminho que eles vão percorrer, porque não pode ser muito grande”, ela salienta.

Muitos deficientes podem visitar o museu tendo o preparo necessário para que eles se sintam bem e acolhidos. Há cadeiras de rodas disponíveis, um elevador especial, um aparelho que ajuda na locomoção das cadeiras de rodas devido à existência de um nível no segundo andar. “A gente tem essa preocupação de fazer eles virem e eles serem bem atendidos”, enfatiza Pâmella.

Um dos motivos para o aumento do público pode ser o conforto que a equipe do Catavento procura oferecer para os seus visitantes. Desde sua inauguração, em 2009, o Catavento passou a receber cada vez mais gente. Em julho de 2018 o museu registrou cerca de 100 mil visitações. Em uma terça-feira, chegou a receber quase 11 mil pessoas. “A gente sentiu essa diferença principalmente pelas atividades que nós estamos oferecendo”, diz Pâmella. O museu oferece sempre atividades diferentes que o público pode ir explorando e em cada visita adquirir conhecimentos novos. “Tem sempre algo novo para ver porque o espaço expositivo é muito grande. Nós temos mais de 250 instalações, fora as seções fechadas”, ela acentua.

As seções fechadas são atrações à parte. Elas possuem a capacidade reduzida, pensando na segurança do público, e estão voltadas para temas específicos, por exemplo, um simulador de uma nave espacial e de um submarino, que encenam como é a sensação de estar dentro deles. Nas seções fechadas há ainda uma sala de realidade virtual que conta a história dos dinossauros e outra explicando o que é a nanotecnologia, dando a possibilidade de o público conhecer tudo a respeito dela, com jogos e experimentos.

Foto: Julia Rohrer – O borboletário é uma das atrações fechadas, e também uma das mais disputadas pelos visitantes

O museu vem investindo muito na área da pesquisa. Os graduandos que fazem parte do Catavento Acessível e são os monitores do local cursam algo relacionado diretamente com a área em que eles atuam no Catavento. “Nosso corpo educativo, que a gente diz que é a frente do museu, é formado de graduandos. Todo monitor que você vai ver é graduando, ou em física, história, matemática, ele tem uma relação com a área em que ele trabalha”, esclarece Pâmella. Sendo assim, muitas pesquisas são feitas – por pessoas de dentro e de fora do Catavento – p e o museu está adaptando a ideia de montar um centro de referência para armazená-las. “Agora a gente quer abraçar essas pesquisas e a gente quer abraçar também quem quer fazer pesquisas com as temáticas do Catavento. A gente está montando o centro de referência, fazendo a reformulação para o espaço físico e para futuramente ter o espaço virtual também, porque são muitas pesquisas, então a gente precisa ter um banco de dados”, informa Pâmella, ainda acentuando a necessidade de os visitantes conhecerem também essa parte científica do museu.

Durante a semana, o Catavento é mais voltado para o público fechado, como escolas, ONGs e instituições que entram em contato com o museu para uma visita agendada. Nos finais de semana e feriados, é voltado para o público em geral. Às terças-feiras, a entrada é gratuita, sendo um dos dias da semana que mais recebe visitações. ”Mas isso é muito esporádico. Depende muito da atividade que a gente está fazendo, e às vezes não tem nenhuma atividade. Simplesmente vem bastante gente”, diz Pâmella.

O Catavento abre de terça a domingo, das 9h às 17h. Entrada franca às terças-feiras e R$10,00 nos demais dias.

Foto: Julia Rohrer – Maquete do Catavento feita de peças de lego

 

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