Para os brasileiros que pretendem viajar para o exterior, a alta do dólar está sendo um problema. A moeda americana chegou a ser vendida por R$ 4,50 para turistas. O custo administrativo, financeiro e as taxas de transação das corretoras fazem com que a moeda tenha um preço maior para pessoas físicas, que compram em menor quantidade. Com isso, as viagens internacionais encareceram, mudando o destino de alguns brasileiros.

A procura pelo dólar aumentou no mundo inteiro, principalmente em países emergentes, pelo maior interesse por títulos dos Estados Unidos, graças ao aumento de taxas básicas de juros do país. Nos oito primeiros meses do ano, o dólar teve alta de mais de 11% em relação ao real. Considerando apenas o mês de agosto, a valorização foi de 10,27%, a maior desde a implementação do Plano Real, em 1994. Analistas afirmam que a moeda estadunidense deve continuar instável até o fim das eleições.

Segundo dados do Banco Central, entre 2014 e 2016, as viagens internacionais caíram 43% e o preço dos pacotes de viagens cresceram cerca de 20%. Contudo, as viagens com destinos nacionais expandiram com a alta do dólar. Em julho, a demanda por voos domésticos cresceu 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Gasto de estrangeiros em viagem ao Brasil sobe 4,53%

Nos seis primeiros meses do ano, turistas internacionais gastaram US$ 3,66 bilhões em viagens pelo Brasil, um aumento de 4,54% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em 2018, a entrada de turistas aumentou 8%, sendo 3,15 milhões de visitantes, segundo o Ministério do Turismo. Este crescimento se deu pela valorização do dólar.

Mesmo com o preço elevado da moeda norte-americana, os gastos de brasileiros no exterior cresceram no ano, mas, em comparação com julho do ano passado, caíram.  Nos sete primeiros meses do ano, as despesas somaram US$ 11,3 bilhões contra US$ 10,6 bilhões do mesmo período de 2017. Já em julho passando de US$ 1,89 bilhão, em 2017 para US$ 1,73 bilhão, em 2018, segundo dados do Banco Central do Brasil.

As agências de viagens estão com dificuldades para vender pacotes para o exterior. A fim de driblar essa situação, uma das medidas têm sido criar ofertas de viagens internas como alternativa à alta do dólar. No Brasil, há diversos destinos e, mesmo assim, grande parte das pessoas prefere esperar o valor do dólar cair para fazer uma viagem internacional. Mesmo com essas opções, este não tem sido um bom ano para operadoras de turismo.

Neste contexto, os intercâmbios também foram estão sendo menos procurados, inclusive aqueles mais baratos como os pacotes do tipo “mochilão” e os que envolvem trabalho voluntário. Muitos têm interesse nessas viagens, mas com o aumento no valor do pacote, os destinos mais requisitados como Estados Unidos e Europa foram deixados de lado.As alternativas mais viáveis são na América do Sul, como Argentina e Peru. Os preços são menores e há bastante procura, mas não a ponto de melhorar a situação das agências.

“Esta alta influenciou bastante a classe média. Pouco brasileiro saindo, porque ficou muito caro. O que estimulou, foi o número de estrangeiros vindo para o Brasil”, afirma a economista, Leslie Beloque, professora da PUC-SP.

Com a crise, as companhias aéreas reduziram o preço das passagens. Segundo a diretora da Maggtur, Letícia Maggi, a classe média não quer deixar de viajar para o exterior e, para isso acontecer, as agências trabalham com pacotes mais baratos. O que muda é o quanto vão gastar, a categoria do hotel e até mesmo a duração da viagem.

Para uma agência de médio porte como a Maggtur, a alta do dólar não fez muita diferença, segundo Maggi, as vendas diminuíram, mas o lucro é o mesmo. Em média, os pacotes não tiveram grandes alterações no preço. Com os descontos das companhias aéreas, os preços não mudam muito de uma viagem nacional para internacional. Para Fortaleza, um pacote de sete dias sai em torno de R$ 2110 e para Miami, R$ 2300. Entretanto, os clientes acabam optando por viagens nacionais para evitar gastos inesperados com a moeda norte-americana.

A situação não é a mesma para grandes agências, como a CVC, que contam com muitos funcionários e, portanto, contam com custos mais elevados. As pessoas estão se programando com mais antecedência e às vezes acabam desistindo de viajar e optam por esperar a estabilização do dólar.
Previsão do dólar em 2018

Segundo Leslie Beloque, fazer a previsão da taxa de dólar é muito difícil, pois ela depende de diversos fatores, tanto nacionais quanto internacionais. O Trump adotar uma medida contra a china, afeta o dólar. Se ocorrer um atentado terrorista na Europa, afeta o dólar. São as coisas mais imponderáveis que atingem o dólar. No caso do Brasil, se estima que ele está sendo mais afetado por fatores externos do que internos.

O dólar deverá manter o patamar, analistas não esperam um aumento maior do que já foi atingido. A expectativa é de uma estabilização da ordem de R$ 3 a R$ 3,50.

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