Um remédio para o desemprego

Programas de renda mínima visam amenizar impactos da tecnologia no trabalho

Professor de economia da USP, Paulo Feldmann Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Por Marina Benini

Como previsto pela economia, a substituição da mão de obra humana por inteligência artificiai pode afetar o mercado de trabalho, gerando desemprego e eliminação total de ocupações básicas.

A possibilidade da falta de empregos pela tecnologia assusta, pois, como já sabemos, o homem é facilmente substituído por uma máquina. Como é possível ver, acontece fechamento de vagas que podem ser automatizadas em setores que atingem fortemente a classe média, sendo funções que podem ser feitas por meio de computadores, restando apenas profissões que não empregam tanto.

“A melhor solução para o desemprego, é a renda mínima”, afirma o professor Paulo Feldmann, da Universidade de São Paulo (USP), seria a maneira de evitar a perda de renda, mesmo com a escassez de empregos. Ele conta ainda, que a renda mínima é concedida de maneira igualitária para todos que a recebem. A proposta é que o governo forneça o mínimo de recursos para fazer frente aos itens básicos à sobrevivência, como alimentação e moradia. “A renda mínima, no Brasil, não é muito discutida”, continua Feldmann.

O vereador e ex-senador Eduardo Suplicy teria levado o projeto para frente, nomeando-o “renda básica de cidadania”. Sua proposta consistia em satisfazer as necessidades básicas de todos brasileiros, fornecendo uma quantia igualitária a cada cidadão sem distinção socioeconômica. O projeto foi implementado, mas nunca levado adiante.

Em alguns países, como os escandinavos, já vemos a implantação desse sistema, que acreditam na renda mínima como melhor solução para resolver a questão do desemprego. Na Finlândia, havia um programa de renda mínima, em que todos os habitantes recebiam um salário mensal idêntico, independente se a pessoa fosse empregada ou não. O projeto foi visto como pioneiro na Europa e é discutido por outros países ao redor do mundo.

Um empecilho desse sistema é a obter esse valor, que proviria dos impostos, cobrados do lucro das empresas que estiverem atuando, e também de seus empresários, mas principalmente das pessoas físicas que estiverem conseguindo trabalhar.

“O Brasil tem uma distribuição de renda que é uma das piores do mundo. Nós somos um país onde a renda é altamente concentrada. Você tem 1% da população que ganha praticamente um quarto de toda renda do país. Pegando 10% da população, eles têm mais da metade da renda” explica Feldmann. “É um país muito injusto, quenão consegue fazer as mudanças mínimas no sistema do imposto de renda”, acrescenta.

Nas regiões do mundo em que ainda se discute a implantação do sistema, vemos uma alteração substancial. Um exemplo disso é o estado norte-americano do Alasca, que transfere todo o dinheiro adquirido com a produção de petróleo para todos os habitantes. O lucro do petróleo fica com o governo, que optou por fornecer igualmente a todos cidadãos.

O mercado está sempre em desenvolvimento, portanto cabe aos empresários estar constantemente se modernizando. A substituição por softwares e maquinas automotivas gera o desemprego.

Como previsto para quarta Revolução Industrial, manifestações contra o uso de tecnologia, em vez de mão de obra humana, virão a acontecer devido as inovações. Por um lado, aumentando a produtividade da economia, por outro afetam empregos de baixa qualificação.

Em 2017, foram comercializados 381 mil robôs ao redor do mundo. Esse número vem aumentando exponencialmente desde 2013, quando foram vendidos 221 mil robôs. Segundo cálculos da Federação Internacional de Robótica, o estoque de robôs industriais em operação em todo o mundo chegou a 1,8 milhão de unidades. Suas projeções são de que o número de máquinas em uso em todo o planeta ultrapasse 3 milhões em 2020.

O Brasil está entre os países com menos desenvolvimento tecnológico. De acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), hoje de 1,8% das empresas empregam algum tipo de automação.

 

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