Desigualdades regionais continuam gritantes

Professor defende políticas que reduzam abismos no país

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                Por Sofia Sguillaro

 

O debate sobre as desigualdades regionais marcou o pensamento econômico e social brasileiro a partir dos anos 50 do século 20. Ainda que estas desigualdades possam encontrar seus fundamentos na segunda metade do século 19, a sua consciência, tornou-se evidente pela necessidade de ação pública e mobilização social. Tornou-se então lugar comum a divisão de regiões e sua determinada importância.

Embora considerado um país rico, estando na oitava posição da economia mundial, o Brasil apresenta  acentuadas desigualdades regionais e socioeconômicas.

De um lado um Sudeste dinâmico e poderoso, e de outro, um Nordeste atrasado e frágil, dotado de uma economia urbano-industrial ainda em processo de consolidação, enquanto o primeiro já se encontra com esse processo firmado.

Ao analisar as desigualdades regionais brasileiras,um dos traços mais visíveis é a diferença significativa do custo de vida que pode ser percebida intuitivamente ao viajar para outros locais do país.

O PIB ( Produto Interno Bruto) também é um índice crucial para entender as desigualdades regionais. O GGN (Jornal de Todos os Brasis) apontou em uma matéria sobre o desenvolvimento do Brasil, por exemplo, que o estado de São Paulo, com 44 milhões de habitantes, é responsável por 34% do PIB do país. Já o Nordeste, com mais de 56 milhões de habitantes, produz apenas 13%.

Estes números são consequência da desigual distribuição de investimentos em determinadas regiões do país. Para o professor de geografia da Escola Carandá, Cláudio Escobar, a distribuição é desigual em razão de estados e municípios receberem um repasse de verbas  federais de acordo com a sua arrecadação , número de habitantes, entre outros fatores. “Todavia cabe lembrar que esses repasses estão vinculados à forma de governo na qual o Brasil está inserido. É interessante revelar que os repasses federais necessitam ser regulamentados mensalmente, entretanto isso não é feito. Hoje penso que pior do que corrupção é o mau investimento nos serviços públicos”, diz Cláudio.

De fato, é uma diferença difícil de se combater. Pela lógica privada, a tendência é que novos investimentos, nacionais e estrangeiros, favoreçam o desenvolvimento das regiões que já são mais desenvolvidas.

Para Cláudio, no entanto, o Brasil precisa urgentemente criar novas formas de investimentos para os pequenos e médios produtores em todos as áreas , uma vez que são eles que podem estabelecer  e fortificar uma base econômica mais sólida. “Todo desenvolvimento precisa ser regional, pois são esses investimentos que possibilitam a recuperação econômica  de uma determinada população, além de criar uma sentimento de pertencimento”, completa.

Um exemplo de investimento público é do Banco do Nordeste, uma empresa estatal que tem seu foco no desenvolvimento regional, e procura reverter essas desigualdades gerando crescimento econômico.

Uma das iniciativas adotadas pela instituição é o Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), que em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiaram a construção, ampliação e manutenção de aeroportos do Nordeste, como no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte , Sergipe, Bahia e Pernambuco. Houveram investimentos também na pavimentação de rodovias e na recuperação de patrimônios históricos em diversas áreas turísticas. Hoje, o estado avança no turismo graças a esses investimentos. O governo do Brasil publicou em 2017 que o Nordeste está liderando a intenção de viagens da maioria dos Brasileiros.

(FONTE: http://www.fatoamazonico.com/site/manaus-sedia-lancamento-do-prodetur-turismo-na-regiao-norte/)

 

O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) apresentou à Comissão do Pacto Federativo em 2016, a sugestão de uma lei para instituir a Política Nacional de Desenvolvimento Regional. A proposta trata de normas que orientam as ações e os investimentos públicos voltados ao desenvolvimento integrado do território nacional. Não somente para as regiões do Norte e Nordeste, mas para todas aquelas que se encontram em estado de pobreza, para que possam finalmente se unir ao restante do Brasil, e que possam se sentir cada vez menos parte desse quado de desigualdade regional.

 

Leave a Reply