Dólar alto afeta comerciantes

Intensidade dos repasses, no entanto, é limitada pela baixa demanda da economia

Por Carolina Tribst

Os produtos importados estão cada vez mais caros. Já não vale mais a pena esperar meses por aquela encomenda vinda de fora. Nas últimas semanas o dólar ultrapassou a marca dos R$ 4,00, a maior cotação desde fevereiro de 2016. A alta da moeda americana já começa a afetar o comércio e, por consequência, o consumidor, já que as empresas tendem a transferir parte desse aumento para o preço das mercadorias. Além disso, na última quarta-feira de agosto, os Correios anunciaram uma cobrança de R$ 15 por encomenda importada, o que também deve contribuir no aumento dos produtos para quem os consome.

Mas o que faz o dólar subir? Vamos entender. Um dos fatores é a alta dos juros nos Estados Unidos, já que a economia americana é mais estável e, por isso, os títulos da dívida do país são mais atrativos. A instabilidade política e o período eleitoral também afetam o câmbio. Enquanto não há definição de quem vai governar o país e qual será seu posicionamento, empresários brasileiros e estrangeiros devem adiar decisões de investimento e o mercado deve pressionar o preço da moeda para cima.

O dólar para o turismo também subiu e atingiu níveis ainda mais altos. Além da compra da moeda, as hospedagens e as passagens aéreas passam a custar mais para quem pretende viajar. Mas mesmo quem não pretende viajar para fora do país ou tem o hábito de consumir produtos importados ou itens do dia a dia, como o pãozinho do café da manhã ou até mesmo o filé de frango da janta, são afetados. Os alimentos à base de trigo mostram o evidente aumento no preço, já que a farinha usada no Brasil é trazida de fora. Assim como as carnes, que devem ficar mais caras por causa do aumento no preço dos grãos usados na alimentação dos animais.

Gráfico do Dólar Comercial – UOL Economia 05/09/2018

Gráfico do Dólar Comercial – UOL Economia 05/09/2018

Outra alta significativa, que levou os caminhoneiros a fecharem estradas na greve de maio, é a da gasolina e o diesel. Os derivados de petróleo são cotados em dólar e são diretamente afetados pela alta da moeda norte-americana. Com a alta desses derivados do petróleo, o frete fica mais caro e impacta diversos setores da economia.

Carlos Cabral, professor de macroeconomia da PUC São Paulo, acredita que  o atual ambiente da economia, com uma demanda precária e reprimida, criam uma pressão de custo e dificulta o repasse.

“Nós temos um cabo de guerra, chegando a um denominador comum. Porém, nesse denominador é difícil de estimar qual a magnitude do repasse. Algum repasse sempre tem, mas sempre dentro desse contexto de demanda reprimida, as pessoas estão desempregadas, sem renda para poder consumir. Por outro lado tem o fato sim de que o dólar encarece os produtos, não só o produto importado em si, mas seus componentes importados também”, afirma Cabral.

Outro fator negativo está relacionado à sensação de insegurança, tanto do consumidor quanto do lojista, que, se não estiver otimista, não investe e ainda reduz seus lucros para tentar manter as vendas e continuar competitivo no mercado.

Para Wilson Torres, vendedor de eletrônicos na Rua 25 de Março, a recuperação concreta se dará após a decisão nas urnas. “Dependendo do resultado das eleições, os consumidores voltarão a confiar. Tenho um estoque enorme aqui e não consigo vender, ninguém quer”, conta o lojista.

 

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