As duas maiores economias iniciaram uma disputa que pode se tornar a maior guerra comercial das últimas décadas. Os governos dos Estados Unidos e China, que nos últimos anos vêm trocando ameaças comerciais, começaram a agir.

O presidente Donald Trump assinou, em abril deste ano, as novas tarifas de US$ 50 bilhões sobre 1,3 mil produtos chineses, alegando violação de propriedade intelectual. Ao fazer isso, o presidente estadunidense cumpre as ameaças para enfrentar seus rivais na política comercial. Em resposta à taxação, a China impôs tarifas de 25% sobre 128 produtos dos EUA, como soja, carros, aviões e produtos químicos.

O que Trump está fazendo?

Segundo o professor do Departamento de Economia da PUC-SP Joaquim Racy o presidente está impondo uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e 10% sobre as importações de alumínio.
“A iniciativa tarifária do presidente ocorre depois que o Departamento de Comércio, liderado pelo secretário Wilbur Ross, divulgou um relatório declarando que os níveis atuais de importações de aço e alumínio ameaçam a segurança nacional e recomendam tarifas e cotas sobre importações para proteger as indústrias comerciais dos EUA.”, analisa.

Quem se favorece?

Os beneficiários imediatos são empresas de aço e alumínio, que agora poderão vender seus produtos a preços mais baratos nos EUA em relação aos concorrentes estrangeiros.
A indústria de aço e alumínio estadunidense afirma há muito tempo que está sendo prejudicada pela superprodução de aço na China, que, segundo Racy, é de longe o maior contribuinte para 700 milhões de toneladas de aço em todo o mundo.

“Embora a China represente apenas uma pequena fração das importações de aço para os Estados Unidos, os críticos dizem que ela e outros países distorcem o mercado global ao subsidiar o aço barato, a fim de fortalecer sua indústria e fortalecer os rivais no exterior.”, explica Racy

Quem sai prejudicado?

As empresas norte-americanas que dependem do aço e alumínio para fabricar seus produtos, desde fabricantes de automóveis até empresas de construção, enfrentam custos mais altos que podem fazer com que aumentem os preços ou cortem empregos. Empresas de cerveja, por exemplo, que usam o alumínio em suas latas, estão estagnadas.
Como há muito mais empresas que usam aço e alumínio do que as que produzem, a maioria dos economistas espera que as tarifas prejudiquem o crescimento, ainda que de forma moderada.

O comércio é baseado na reciprocidade. Os países concordam em reduzir as tarifas em conjunto e, quando se lança uma nova barreira, seus parceiros comerciais têm a opção de responder com restrições. Isso significa que a Casa Branca está vulnerável ??a retaliações, caso as tarifas se mantenham como estão.

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