Por João Pedro Bortoti Daleffe

Considerada um dos maiores polos gastronômicos do mundo, a cidade de São Paulo vem presenciando uma série de fechamentos de estabelecimentos do ramo, entre bares e restaurantes conhecidos do exigente público paulistano. Os lugares que encerraram suas atividades vão desde buffes a quilos a renomados representantes da culinária francesa, resultado da crise econômica a qual o Brasil está atravessando.

Segundo a Abrasel, a associação brasileira de bares e restaurantes, ouvida por uma reportagem da Folha de S. Paulo, publicada em fevereiro de 2016,no ano anterior, de 100 restaurantes em funcionamento na capital paulista, 35 fecharam suas portas. Entretanto, a maioria dos estabelecimentos inseridos na lista são administrados por famílias, onde, a cada geração que passa, a próxima é a que toma conta do local, como é o caso da Lellis Trattoria, que é cuidado pela terceira geração da família do mesmo nome.

Para Percival Maricato, presidente da associação brasileira de bares e restaurantes, os locais devem estar atualizados para sobreviver na concorrência. “Nenhum estabelecimento dura muito tempo se não mudar seu propósito. Entretanto no caso das cantinas, a questão é administrativa”, disse ele à Folha de S. Paulo. Ainda segundo Maricato, há uma queda  de 20%, no número de clientes nos restaurantes tradicionais, mostrando que a tradição nem sempre é o que conquista o público.

Entretanto, não somente os grandes restaurantes, que vem sendo afetado pelo cenário desanimador da economia do país. O bistrô francês Sympa, localizado na Rua Melo Alves, no bairro  Cerqueira César, teve uma vida de dois anos, sendo obrigado a encerrar suas operações em maio deste ano, por conta de divergências entre sócios e seus fornecedores, além do aluguel que era considerado alto pelos donos do restaurante.

Produtos como o vinho e o espumante têm tido queda no consumo. No primeiro semestre, as vendas das duas bebidas recuaram 0,79% em relação ao mesmo período de 2017. Além dos impostos da crise, produtos das duas bebidas, reclamam da carga tributária, que segundo eles, reduz a competitividade do Brasil em relação à outros países como a Argentina.

Na contramão do fechamento de estabelecimentos, há a abertura de novos restaurantes, principalmente na zona oeste, muitos do mesmo proprietário de outro já existente, como a Tappo Trattoria e o ICI Bistrô, ambos do chef Benny Novak, sendo o primeiro de cozinha italiana e o segundo de cozinha francesa.

Há também restaurantes que, para evitar seu fechamento, acabam sendo comprados por chefs e profissionais da cozinha que introduzem seu conceito de gastronomia, mas sem deixar de lado a identidade. É o caso do restaurante Tatá, especializado em Lamen e cozinha japonesa, que foi comprado pelo empresário e ex-participante do Masterchef Brasil Leonardo Young,  que incorporou ao cardápio, pratos idealizados por ele. É também o caso do restaurante italiano Nino Cucina, que por conta da grande procura, se viu obrigado a aumentar seu espaço.

Entretanto vemos que a gastronomia tem os dois lados da moeda, e que é sempre preciso, como em todas as áreas, se modificar sem perder sua essência.

 

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