Por: Silvana Luz

Em 1860, inicia-se o projeto de construção de ferrovias graças ao espírito empreendedor do Barão de Mauá, que encontrou nos Ingleses uma parceria perfeita para dinamizar a exportação e importação de produtos vindos do porto de Santos.

A Vila de Paranapiacaba era inicialmente um acampamento de operários, mas, com a inauguração da ferrovia, em 1867, houve a necessidade de fixar parte desses trabalhadores em uma moradia para dar manutenção ao sistema ferroviário. No alto da colina, foi construída a casa do engenheiro-chefe, hoje chamada de “Castelinho”, de onde podia-se acompanhar todo o trabalho dos funcionários da ferrovia. Também foram, construídos alojamentos para solteiros e casas para as famílias dos ferroviários, tudo em estilo Inglês, dando à cidade um charme todo especial que, ao misturar-se à neblina constante da região, produz um ar de mistério e magia.

Em 1946, quando terminou a concessão da São Paulo Railway e a ferrovia foi entregue à União, a Santos-Jundiaí passou a ser controlada pelo Governo Federal. Mas foi em 1970 que o sistema ferroviário entrou em declínio, já que o investimento em mobilidade passou a ser voltado para as rodovias. Em 1996, em cumprimento à desestatização proposta pelo Governo Federal, a antiga Santos-Jundiaí foi entregue em regime de concessão da MRS Logística para a operação de cargas no trecho Santos-Rio Grande da Serra. Já o trecho Rio Grande da Serra-Jundiaí foi entregue à CPTM, ficando assim em 2001 totalmente extinto o transporte de passageiros até Paranapiacaba.                                                                                         

Hoje em dia, os passageiros com destino a Paranapiacaba precisam desembarcar do trem em Rio Grande da Serra e embarcar em um ônibus coletivo que parte a cada hora, pagando mais uma passagem, isso causa transtorno aos moradores, que, em entrevista, disseram sentir-se excluídos justamente pela dificuldade de mobilidade que os atrapalha na busca por emprego em cidades vizinhas, precisando até mudar de endereço, tendo em vista, que a cidade se mantém do turismo, que está ficando cada vez mais escasso devido a essa dificuldade   

Estação Terminal CPTM

 

                                                                                                              Foto:Silvana Luz

Na entrada da vila, percebe-se a falta de estrutura e abandono das casas, que contrastam com uma imensa placa do Governo Federal sobre o PAC 2, referente ao restauro e à pintura de 242 imóveis com o valor de R$29.992.054,91 tendo início na data de 15/06/2015 e término em 09/11/2016. No entanto, moradores afirmam que pagam uma taxa de permissão de moradia para a Prefeitura de Santo André, que pode ser comparada à um aluguel, segundo eles, um contrato determina que essa taxa deve ser usada em ações de manutenção e recuperação do Patrimônio Histórico, a fim de incentivar o turismo. Nesse contrato, consta também que os moradores precisam desocupar o imóvel para o restauro e, depois de pronto, eles terão a preferência, mas não a garantia para ocupá-lo novamente, o que causa um clima de terror e insegurança e os levam a pedir para não serem identificados por medo de perder o direito à moradia.

 

Entrada da Vila de Paranapiacaba                              

                                                                                                            Foto: Silvana Luz

Já a administração, segundo os moradores, rebate contradizendo a placa na entrada da Vila, a Prefeitura diz que o repasse financeiro das obras previstas no PAC 2 dependerá da conclusão da obra e afirma que apenas patrimônios históricos estão previstos no projeto. Até o fechamento da matéria não houve resposta oficial da Prefeitura de Santo André e nem da Secretaria de Turismo.

A população e os turistas pedem um olhar mais atencioso para esse problema, já que se trata de um Patrimônio Histórico que envolve o crescimento da cidade de São Paulo e do Brasil, tendo em vista que toda história do café e da industrialização está se perdendo junto à deterioração e a ferrugem acumulada nos vagões abandonados ao longo da ferrovia.

Descaso no transporte de passageiros

    

                                                                                                             Foto: Silvana Luz            

Aos domingos, a CPTM conta com o passeio do Expresso Turístico com embarque na Estação da Luz, p trem percorre 48 quilômetros em uma hora e meia, com valor de R$ 50 por pessoa. Ao chegar na cidade, além de todas as belezas históricas da vila, também pode fazer passeios monitorados a trilhas e cachoeiras procurando o Centro de Atendimento ao Turista. Ao chegar lá a reportagem foi recepcionada pelo monitor e biólogo Osmar Losano   que   relatou todas as maravilhas que podem ser encontradas na Mata Atlântica. É um lugar que vale a pena conhecer, preservar e divulgar.

 

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