Por Gustavo Strumillo

Hoje meu filho me perguntou se poderia fazer a excursão escolar para o museu no próximo mês. Isso me trouxe lembranças das diversas viagens que fiz com meu antigo colégio, desatei a relatá-las para o pobre garoto. Toda excursão era igual. Começava com a ansiedade ao ir dormir um dia antes, ela era tão grande que chegávamos a sonhar com a viagem. O que não era muito bom já que nos decepcionaríamos depois. Ao acordar escolhíamos o nosso lanche para comer no ônibus, que normalmente era algo diferente do habitual recreio, como um pacote de salgadinho e um de bolacha.

Chegando na escola, víamos todos os pais deixando os filhos. Era possível ver, no rosto das crianças, a feição sonolenta e raivosa devido aos vários agasalhos que eram obrigados a vestir. No ônibus as músicas e piadas clichês protagonizavam uma viagem agonizante e infinita. O destino era normalmente um lugar educativo em que nenhuma criança tinha interesse, portanto todas ficavam conversando e tentando tocar em itens proibidos. Por isso broncas eram  distribuídas por várias professoras e seguranças locais.

A viagem de volta era mais cansativa ainda, a maioria ia dormindo. Os que não dormiam pensavam nas coisas que poderiam ter feito se tivessem ficado em casa. Ao chegar em casa, os pais pediam para contar como foi a experiência e passávamos o jantar conversando sobre a viagem. Acho que minha decepção era evidente. Quando acabei de falar, meu filho me implorou para que eu permitisse que ele ficasse em casa no dia da excursão.

 

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