Por Julia Pestana

A nova série do Netflix “Isatiable” (“Insaciável, em português), começou a ser duramente criticada antes mesmo de sua estreia. Há pouco menos de um mês, foi divulgado o trailer de “Isatiable”, humor negro protagonizado por uma adolescente obesa que sofria bullying na escola. A trama se inicia no momento em que ela perde peso e deseja se vingar de todos que a maltrataram.A provedora global de filmes e séries de televisão, Netflix, arcou com as chances de perder parte de seu público ao lançar a série, uma vez que sem o público ter visto o primeiro episódio ela foi bombardeada com críticas. Mais de 200mil pessoas fizeram petições online a fim de pedir o cancelamento da série. A série foi vista como “gordofóbica” e machista, reforçando o padrão de beleza da magreza como único e bonito, e objetificando-o como forma de conseguir tudo com sedução.A Netflix ignorou as reclamações e começou a divulgar a primeira temporada da série no dia 10 de agosto. As críticas foram impiedosas, alegando o exagero da futilidade dos personagens e de piadas cruéis. De acordo com a youtuber carioca Alexadra Gurgel, “a série reforça muitos esteriótipos de “gordofobia”, homofobia, racismo, misoginia, e acho que são propositais para causar reflexão no público, porém esses preconceitos são normalizados e permanecem durante a série. Eles não são desconstruidos, e isso é um problema”.De fato, os personagens apresentam personalidades imprestáveis. Patty (Debby Ryan), a ex-gorda, fica fascinada a ganhar a coroa em concursos de beleza. E Bob Armstrong (Dallas Roberts), seu mentor, é um homem fútil e vaidoso que não se assume em relação a sua orientação sexual. Em relação aos protagonistas, a youtuber também afirma que “todos os personagens apresentam um vazio interno. Não conseguem ser eles mesmos e precisam fingir que são outras pessoas.Assim, a série apresenta reflexões sobre uma sociedade preconceituoso mas não mostra caminhos de desconstrução, como a aceitação do próprio corpo ou a tentativa de se sentir bem, confiante e bonita mesmo sendo fora dos padrões de beleza. Também não aprofunda a discussão em relação a homossexualidade dos personagens e uma força individual necessária para se assumir ao mundo.Portanto, a Netflix, por se encontrar ativa na vida dos jovens atualmente, possui involuntariamente influência. Não que deva ser censurada em nenhum assunto, mas ficar ciente de quem é seu público alvo e como os assuntos tratados se assemelham e repercutem em suas vidas. Logo, a série apresentando suas reflexões por tratar de assuntos radicais e preconceituosos presente em cada um de nós, mas o limite de piadas de mal gosto e cruéis podem acabar por desrespeitar e influenciar as pessoas a não se aceitarem, ou seja, não exercendo um papel construtivo e, sim, de retrocesso.

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