Por Giovana Macedo

No começo do mês, uma onda de delações surgiu contra o governo kirchnerista (2003-2015). Trata-se de casos de corrupção em que houve pagamento de propinas a ex-funcionários do governo por parte das maiores empreiteiras locais. Consequentemente, houve mandados de prisões por parte do juiz Claudio Bonadio, entre as quais a do secretário de Coordenação do Ministério de Planejamento Roberto Baratta e dos empresários Gerardo Ferreyra, da empresa Electroingenieria, e Javier Sánchez Caballero, da IECSA.

Juiz Claudio Bonadio, responsável pelas investigações. (Foto: Justiciapedia)

As investigações tiveram início a partir de reportagens dos jornais argentinos, como o “La Nación”, e de depoimentos, como o da ex-mulher do motorista de Baratta, que alegou que o ex-marido carregava bolsas de dinheiro e as distribuía por vários lugares. Ela também entregou ao juizado de Bonadio os documentos com anotações sobre a suposta rede de pagamento de propinas. O motorista, Oscar Bernando Centeno, está detido. O secretário Baratta era braço direito do ministro Julio De Vido, que por sua vez, foi preso em 2017, mas costumava ser íntimo dos Kirchners.

O motorista Centeno anotou os pagamentos em cadernos, incluindo endereços, destinos, trajetos, encontros, restaurantes, quantidade de dinheiro e lista de nomes dos envolvidos. Com isso, a Justiça conseguiu aprofundar a investigação, descobrindo que os pagamentos somam aproximadamente 200 milhões de dólares.

No dia em que as reportagens foram divulgadas, 12 pessoas foram detidas e houve apreensão de vários bens. Na Argentina, a Lei do Arrependido, aprovada há menos de dois anos pelo Congresso, seria equivalente à delação premiada da Lava-Jato brasileira e foi usada com os acusados para conseguir as devidas informações. Entre eles, o executivo-chefe da Isolux Corsán Juan Carlos Goycoechea, que afirmou ter pagado subornos entre junho de 2008 e outubro de 2015 a fim de beneficiar a multinacional espanhola com contratos de obras públicas. Ele afirma ter sido “obrigado” pelos kirchneristas.

 

Construção da central de geração elétrica do Rio Turbio, na província de Santa Cruz. (Foto: Isolux Corsán)

Cristina Kirchner, ex-presidente, atual senadora e principal acusada na saga do “escândalo dos cadernos”, afirmou na sexta-feira (17) não ter tido envolvimento algum de corrupção durante seu governo e tem sua carta escrita e publicada na rede social Facebook, ela questionou o magistrado de estar fazendo uso desnecessário da Lei do Arrependimento e a veracidade das delações do motorista e de ex-funcionários.

Desde quinta-feira (23) a polícia cumpre mandados judiciais nas propriedades da família da ex-presidente. As buscas, exigidas pelo juiz Bonadio e autorizadas pelo Senado, foram no apartamento de Kirchner, na capital do país, numa propiedade família em Rio Gallegos, Patagônia, e, neste sábado (25), na casa de campo em El Calafate, também localizada na Patagônia. Até o momento, nada de importante foi encontrado.

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