As obras do lote 3 do Rodoanel, mais conhecido como Trecho Norte, causaram uma grande devastação na flora e na fauna da Serra da Cantareira, ocasionando problemas não só ambientais, como problemas em regiões próximas às obras. O bairro do Tremembé, que leva a alcunha de ser o bairro com maior área verde de São Paulo, já enfrenta consequências do desmatamento, como a poeira tóxica proveniente do cal usado nas obras, contaminação da água do córrego do Tremembé, lama que escorre das obras nos dias de chuva e a fuga em massa dos animais nativos que invadem as casas em busca de abrigo.

João, um dos primeiros trabalhadores da obra e que se mudou para o bairro há oito anos, conta que fora recém demitido da empresa OAS, empreiteira responsável pela construção, em uma ação por conta da paralisação das obras que ocasionou a demissão em massa de seiscentos funcionários. Por morar ao lado das obras, relata que os problemas de saúde na sua rua são constantes “principalmente entre mulheres e crianças, devido à poeira que o vento leva das obras, muita gente mesmo fica doente e não tem compensação da parte de ninguém”, diz João. Perguntado sobre a possibilidade de sair da região João afirma que não houve contato para desapropriar as casas por parte das empreiteiras e que sobrevivia com uma ajuda de custo da OAS que consistia em um salário pequeno e uma refeição.

Área devastada pela passagem do Rodoanel no bairro do Tremembé.

Outro problema que vem ocorrendo é a contaminação do córrego do Tremembé e a lama que desce o morro nos dias de temporal. Seu Antônio é porteiro das obras, contratado por uma empresa terceirizada, ele mostra uma parte do canteiro de obras onde eram estocados os materiais que agora ficam ao relento e um grande clarão que foi aberto ao lado do Clube de Sabesp, clube tradicional da Zona Norte, onde haviam piscinas e campos de futebol agora estão uma fábrica de cimento e uma grande área desmatada. A nascente do principal córrego do bairro fica situada justamente no Clube da Sabesp, mas por conta das obras, a água já entra em contato com a poeira das construções e o barro que não foi adequadamente removido, já que as obras estão paralisadas sem previsão de retorno e não há funcionários disponíveis para limpar o local.

Marcia moradora da Região a 40 anos residente na rua Icamaquã, que é cortada pelo Córrego do Tremembé e se localiza em uma área central do bairro que sofreu com os mesmo problemas de quem mora próximo às obras. Márcia conta que a rua foi severamente danificada pois os caminhões que levavam materiais para a construção trafegavam diariamente pela rua e aos poucos foi causando desgaste no asfalto. Ela relata também problemas com o barro que vinha através do Córrego, barulhos excessivos de explosões e da passagem dos caminhões e com o pó que era trazido pelo vento em grande quantidade alguns momentos o que deixava o ar da região praticamente irrespirável.

Delimitação entre as casas e as obras são praticamente inexistentes.

A obra que iniciou em 11 de março de 2013 tinha como 1° previsão de entrega 2014 mas depois de inumeros atrasos e adiamentos a obra só deve ser concluida em 2019, A Dersa, empresa reponsavel por obras viarias diz que o atraso de repasses federais e a judicialização nas desapropriações são responsaveis pelos atrasos na obra mas outros problemas como a queda de um dos tuneis em Guarulhos e tambem tem o fato do Trecho Norte ter ficado com a licitação atrasada por muito tempo por causa do financiamento do BID que exigiu várias modificações no edital de licitação e que geraram inúmeros recursos dos concorrentes e questionamentos dos órgãos de auditoria. As dificuldades foram superadas e em dezembro de 2012 o BID liberou o primeiro desembolso para o governo paulista para a construção do trecho. A primeira parcela totaliza US$ 3,37 milhões do empréstimo de US$ 1,15 bilhão destinados à obra e, de acordo com nota da DERSA, será utilizada para ressarcir gastos com o projeto da estrada.

Com seus 44 quilômetros de extensão, a obra fecha o anel viário de 176,5 quilômetros em torno da capital paulista, interligando os acessos a dez rodovias federais e estaduais. A expectativa é que o empreendimento retire das marginais Tietê e Pinheiros cerca de 18,3 mil caminhões por dia, pois estima-se que pelo Rodoanel Norte passarão diariamente 65 mil veículos sendo 30 mil caminhões. O trecho Norte terá ainda um ramal de ligação ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, com 3,6 km de extensão.

 

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