Foto: Arquivo/Meon

Por Ana Beatriz

Na cidade do Vale do Paraíba, uma batalha está sendo travada há meses entre moradores do bairro Vila Betânia – e de outras regiões – e uma empresa. Em fevereiro, a construtora e dona do local, Marcondes César, começou o corte de árvores para erguer um estacionamento. O terreno é conhecido como Bosque da Tívoli e está localizado na Praça Penelupp Filhona, na região central. A área de 8.400m², antes das obras previstas, abrigava 430 árvores, 274 delas nativas da Mata Atlântica. Com o aval de prefeitura, a remoção das árvores foi autorizada pela Cetesb (Agência Ambiental do Estado de São Paulo), mas devido à pressão de moradores, foi paralisada.

A empresa, pertencente ao grupo Fênix Incorporadora e Construtora, pretendia eliminar 274 árvores adultas nativas e 156 árvores exóticas para dar lugar a um estacionamento para 172 carros. A construtora informou que faria a compensação ambiental do empreendimento, na zona norte da cidade, com o plantio de 2,7 mil mudas de plantas nativas. A derrubada das árvores foi barrada pela Justiça em abril. Após ter o recurso negado, a Cetesb informou que a empresa decidiu fazer uma revisão do empreendimento, reduzindo as vagas para 99 e diminuindo o número de cortes a 226. As obras seguem não concluídas e o caso continua nos tribunais.
Essa não é a primeira vez que a área é alvo de especulações. Segundo habitantes das proximidades, em 2010 uma empreiteira havia tentado transformar o local em um condomínio, porém as obras não avançaram e o terreno foi vendido. Para os moradores, o bosque é de grande importância ambiental, já que é o último reduto em uma propriedade privada no centro da cidade que abriga uma considerável área verde.

Uma das principais preocupações com o corte das árvores é o aumento da temperatura na região. Segundo o último índice PMVA (Movimento Município VerdeAzul) de 2015, toda a cidade possui um déficit de 400 mil árvores. Com a possível redução do bosque, cresce também o efeito ”ilha de calor”. Entende-se por ”ilha de calor” o resultado da alta densidade demográfica e a falta de árvores e plantas, principalmente na região central das cidades, que também favorece a elevação da temperatura, já que a substituição da vegetação pelo concreto faz com que a radiação solar fique concentrada no asfalto, sendo convertida em ondas de calor que ficam armazenadas durante o dia (Fonte: Pensamento Verde).

Área vista do condomínio Palazza Di Venezia Foto: Nelben Azevedo/Arquivo Pessoal

Área vista do condomínio Palazza Di Venezia Foto: Nelben Azevedo/Arquivo Pessoal

Com o objetivo de preservar definitivamente o bosque da especulação imobiliária, um grupo de moradores, encabeçados pelo movimento Salve o Bosque Betânia, tenta conseguir com a prefeitura uma permuta do terreno junto à construtora e segundo um manifesto publicado em março: “Assim, juntos, poderemos impedir a destruição de um patrimônio ambiental do município de São José dos Campos, de excepcional valor paisagístico, ambiental, científico, histórico e de vital importância para o bem-estar e a saúde dos moradores locais’’. O intuito é que na área seja criado um Parque Municipal, assim como o Parque da Cidade e o Vicentina Aranha, localizados em outras partes da cidade.

Apesar disso, nem todos acham que essa seja a melhor saída. Uma fonte que prefere não se identificar, revelou que há pessoas que são contra a ideia de transformar o terreno em um parque, mas estão alinhadas com a manutenção das árvores e da compensação ambiental próxima ao local. De acordo com ela, um parque não seria a única forma de preservar o verde no bairro. “Precisa-se de um estudo e uma audiência pública para saber a opinião dos outros munícipes. Precisamos de creches, UPAs (Unidade de Pronto Atendimento0 e outros aparelhos públicos. E temos regiões na cidade sem áreas verdes, como na zona norte e na zona sul, que concentram a população mais humilde”, completou.
Segundo a fonte, o movimento a favor do bosque pretende entrar com uma ação no Ministério Público para enfraquecer o poder de negociação com a Marcondes César. A mobilização é vista como positiva para alterar a forma como a Cetesb concede as licenças para o corte de árvores e rever a política de arborização do município.

Mesmo tendo suspendido a licença, a agência afirmou que a empresa apresentou todos os documentos necessários e requisitos legais. Alegou ainda que a supressão das árvores é possível já que a área não é uma unidade de conservação e não possui nascentes de curso d’água. As manifestações e o abaixo-assinado dos moradores ganharam força após conseguirem apoio na Câmara de Vereadores de São José dos Campos. O vereador Sérgio Camargo (PSDB) havia impetrado um Mandado de Segurança que culminou na liminar, porém a Justiça de São José dos Campos o afastou do processo e notificou o Diretório Municipal do PSDB, para que caso queiram, representem a coletividade no mandado.

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