Por Marina Monari

Por décadas o cinema francês foi conhecido como o prepotente e pretensioso da nouvelle vague (nova onda, em livre tradução), de 1950 a 1970; já dos anos 90 aos 2000, os filmes eram dramas com diálogos incessantes e quase sem ação. Para ir na contramão do cinema americano, os diretores franceses eram propositalmente intelectuais demais, sem interesses de agradar o grande público. Foi então que em 2008, a crise econômica na França abalou a sétima arte e pôs em risco a existência dela no país.

Precisava-se mudar, atrair o público, mas para onde iriam? Os dramas já não tinham o mesmo valor, havia muita tragédia na vida pessoal. E foi assim que começou a revolução francesa no cinema, fugindo da realidade e fazendo rir! Os diretores franceses perceberam que precisavam rir de si mesmos para que o grande público pudesse fazer o mesmo em momentos difíceis.

Um dos primeiros filmes que conseguiram fazer isso em escala mundial, foi Os Intocáveis de 2011, que conta a história de Philippe, um milionário tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss, que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas no seu estado, precisamente o que o ricaço procurava, já que todos os outros cuidadores o tratavam como um pobre coitado; a comédia vem da falta de conhecimento de Driss na função que exerce e do mundo aristocrata e da de Phillippe, que não conhece o mundo de seu novo amigo.

Reprodução Google

No entanto, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, ainda é o filme de comédia mais famoso que os franceses produziram, talvez por ter sido lançado em 2001, fazendo o contrário do que os filmes na época faziam, mas sem dúvida é o que mais cativou espectadores aqui no Brasil.

Reprodução Google

Apesar de haver festivais aqui no Brasil, como o Varilux French Cinema Festival, que este ano ocorreu de 07 a 20 de Junho em todo o país, o cinema francês como um todo ainda é pouco conhecido em terras nacionais, mesmo que o humor deles se aproximem muito mais ao nosso, se compararmos ao americano. São mais de 20 filmes, de todos os gêneros.

Com a nova popularidade, os filmes chegam ao Netflix, como 20 anos + jovem, que narra a trama de Alice Lantins,de 38 anos, editora de moda; que em uma distração, perde um importante pen drive no avião quando voltava do Brasil, mas por sorte o estudante universitário Balthazar Apfel o encontra. Os dois se conhecem e uma foto comprometedora do casal acaba nos tablóides na imprensa. O burburinho e a fama de “ousada” agradam Alice, que decide investir no relacionamento com o rapaz mais jovem para subir na carreira.

Hoje em dia, as comédias francesas são aclamadas pela crítica e a França ocupa o terceiro lugar no ranking de país mais produtor de filmes do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia.

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