Brotos na metrópole: como caminha a agricultura em São Paulo

O impacto econômico e urbano do plantio dentro da cidade

Por Alessandra Monterastelli, Emilly Dulce e Natália Novais

São Paulo é a maior cidade do Brasil, considerada a maior metrópole da América Latina e uma cidade global pelo resto do mundo. Funciona muito rápido, cresceu muito rápido, sem um planejamento urbano que atendesse as demandas de uma população cada vez maior. Asfaltou-se muito rápido. Mas engana-se quem pensa que São Paulo não mantém sua ligação com a terra.

Cerca de um terço do território da cidade apresenta características rurais, segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa e Inovação em Urbanismo. Conforme dados divulgados pela Secretaria Municipal de Trabalho e Empreendedorismo, existem 403 propriedades de agricultura em São Paulo. Destas, 350 estão no extremo sul do município. São Paulo possui 29,6% de território rural, sendo que metade está localizada em áreas de parques e preservação e o restante na ponta sul da cidade Parelheiros, Capela do Socorro e M’Boi Mirim —, assim delimitadas pelo Plano Diretor de 2014. Os agricultores desta região trabalham em diferentes áreas do segmento agrícola, sendo a maior parte, 70% deles, no ramo de hortaliças.

O gráfico acima informa quais produtos têm maior relevância em valor de produção, isto é, quanto vale a producão em moeda, evidenciando a interação entre a quantidade produzida e o valor do produto (o valor atribuído é o valor de mercado, equivalente ao valor de venda). Em outras palavras, quanto um produto movimenta em dinheiro. As colunas mostram quanto vale em reais a produção dos principais itens agrícolas em São Paulo, considerando os seus valores de produção. A importância desse gráfico consiste na movimentação de capital causada pelo produto, demonstrando o seu impacto na economia local.
*Dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

De acordo com um levantamento da Prefeitura de 2013, há mais de mil pequenos produtores rurais dentro dos limites de São Paulo. A esmagadora maioria se concentra no distrito de Parelheiros, extremo da zona sul, conhecido historicamente como o “cinturão verde” da cidade, uma vez que guarda diversas características do campo, ainda que dentro da metrópole. Parelheiros é cortado por duas áreas de proteção ambiental e rodeada pelas represas Billings e Guarapiranga. Ali, cultivar hortaliças e plantas ornamentais é a atividade que alimenta famílias, abastece feiras nos bairros mais próximos, gera renda e empregos e evita que as reservas ecológicas deem lugar a condomínios de luxo.

O gráfico acima diz respeito a área ocupada em hectares por cada plantio de determinado produto na cidade de São Paulo, em 2017. Os produtos que possuem maior território para o seu cultivo são a banana e o alface, que têm uma área de produção muito maior que a dos outros cultivos e são claramente as produções com maior ocupação de terra (com destaque para a banana).
*Dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Esse gráfico equivale ao tema do anterior, mas em um cenário sem a banana e o alface, uma vez que a área ocupada por esses produtos é muito superior à dos outros, dificultando a análise. A importância desse gráfico é representar o quanto esses cultivos ocupam em área, ou seja, em questão de capacidade produtiva, se for considerado que a terra equivale a capacidade produtiva.
*Dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Os gráficos acima mostram uma pequena análise dos produtos de maior impacto cultivados pelos agricultores na cidade de São Paulo. Se o valor de produção da banana for dividido, por exemplo, pela área utilizada para cultivá-la, chega-se em sua rentabilidade, isso é, o seu retorno em dinheiro por área cultivada.

Apesar de Parelheiros ser a principal área de plantio em São Paulo, outros lugares merecem destaque. Segundo reportagem feita pela Rede Brasil Atual, ainda em 2013 algumas partes da zona leste da cidade também exerciam atividades agrícolas, como São Mateus. Terrenos em que não se é permitido construir são utilizados, como embaixo de linhas de transmissão elétrica ou em cima de oleodutos. Acabam por cumprir uma dupla função para a comunidade: fazem uso de pedaços de terra que serviam como depósito de entulho ou ponto de tráfico; e produzem verduras e legumes frescos para vender em bairros vizinhos. Acabam, portanto, tornando-se espaços de resistência agrícola da cidade.

Ainda em 2013, o portal G1 realizou uma pesquisa sobre o aumento de produtores orgânicos naquele ano, especificamente na zona sul da cidade. Movidos pela vontade de eliminar o uso de venenos, agrotóxicos e adubo químico para o bem de todos, preservando a natureza e a saúde tanto de quem planta como a dos consumidores, esses produtores vendiam o fruto de seu plantio em feiras orgânicas nas áreas urbanas, no centro da cidade. A dificuldade principal era, justamente, o escoamento da produção, uma vez que a concorrência com a agricultura convencional torna inviável levar os produtos a locais tradicionais, como a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

Em junho de 2017, a Secretaria Municipal de Trabalho e Empreendedorismo iniciou o Programa de Fomento e Incentivo à Agricultura Paulistana, com o objetivo de prover apoio técnico e infraestrutura aos produtores rurais da região de Parelheiros. Na mesma época, foram atestadas transições dos agricultores de sistemas convencionais para sistemas agroecológicos de produção, o que facilitou o caminho para que esses agricultores se tornassem orgânicos, fornecendo assim alimentos saudáveis a iniciativas que incentivam esse tipo de produção.

Segundo um estudo de 2016 promovido pelo Instituto de Pesquisa e Inovação em Urbanismo, o desenvolvimento da atividade agrícola nas bordas ou proximidades dos centros urbanos tem se mostrado promissor no sentido da produção de alimentos, preservação ambiental e geração de emprego e renda em áreas periféricas. A agricultura dentro da cidade teria a facilidade de estar integrada ao sistema econômico e ecológico ao mesmo tempo, proporcionando uma abertura de um mercado próximo para escoamento da produção de alimentos. Mas não é exatamente o que acontece (apesar do fácil acesso às feiras no centro) uma vez que o território urbano está em constante disputa.

Mapa das Unidades de Produção Agrícola em São Paulo. Fonte: Secretaria do Trabalho

O município possui cerca de 403 unidades de produção agrícola (UPAs) para fins de comercialização, cadastradas no levantamento realizado pela Supervisão Geral de Abastecimento em conjunto com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Estima-se que a maioria destas propriedades encontra-se na categoria de agricultura familiar e estão distribuídas entre 30 UPAs na zona norte, 70 UPAs na zona leste e 320 UPAs na Zona Sul — a sua maioria, portanto, está situada no “cinturão verde” da cidade, Parelheiros. Neste cenário, 14 UPAs são certificadas como orgânicas e cerca de 15% recebem assistência técnica. O estudo do instituto ainda afirma que as funções da agricultura na cidade não se limitam a produção de alimentos, mas visam também o lazer, a geração de renda, troca de experiência, conservação das áreas florestadas e proteção dos recursos hídricos.

Inclusive, a importância dessa agricultura tem forte relação com a sustentabilidade ambiental e urbana justamente pelo potencial de reciclagem de resíduos orgânicos, pela proteção e gestão dos recursos hídricos, a redução do consumo de combustíveis fósseis e encurtamento da “viagem” dos alimentos e manutenção da biodiversidade local que no caso da produção agrícola localizada no limite entre a área central e a periferia da cidade, o potencial de contenção do avanço urbano sobre as áreas de preservação ambientais. Especificamente na região de Parelheiros, ações agroecológicas são fundamentais para manter o patrimônio ambiental da cidade e a produção de água limpa (uma vez que a região é de mananciais responsáveis pelo fornecimento das represas Billings e Guarapiranga, que abastece 30% da cidade) além de promover justiça social e renda para os agricultores.

Já nas UPAs da zona leste, os conflitos são maiores. As hortas disputam espaço com a crescimento habitacional informal. No caso, os agricultores da região acharam uma maneira de resistir juntos: integram a Associação dos Agricultores da Zona Leste, na qual organizam feiras de produtos orgânicos (geralmente vendidos nas regiões centrais) e fazem a manutenção de seus espaços.

Na zona norte, a área rural abrange basicamente a região próxima da Serra da Cantareira. Há duas dificuldades principais, uma é o futuro incerto da atividade agrícola em função das remoções para a construção do trecho norte do rodoanel; a outra é a não regularização do Assentamento Irmã Alberta, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A área, ocupada pelo assentamento em 2002, vem sofrendo retaliações devido a interesses da especulação imobiliária na região.

Além da produção nas regiões rurais de São Paulo, existem também outras iniciativas agrícolas na cidade, como é o caso de hortas urbanas. Algumas estão localizadas em regiões mais centrais, onde vizinhos de bairros de classe média se organizam para retomar praças abandonadas pelo poder público e a partir daí recuperar um certo contato com a terra. Mas outras são hortas comunitárias desenvolvidas nas periferias da cidade, como os projetos Horta di Gueto e da Rede Permaperifa, com os objetivos de melhorar a qualidade de vida nas periferias por meio da introdução da agricultura nesse meio.

“Em São Paulo, a gente teve recentemente um boom de horticultores em uma perspectiva comunitária mais na região do centro expandido da cidade e, principalmente, entre pessoas de classe média” conta André Ruoppolo Biazoti, gestor ambiental e integrante da União de Hortas Comunitárias de São Paulo e do Grupo de Estudos em Agricultura Urbana. Segundo ele, o diferencial nesses casos são as articulações por meio das redes sociais e a colocação de propostas pedagógicas das hortas, não só pela produção em si, mas por sensibilizar as pessoas em relação ao sistema alimentar, introduzindo assim uma proposta política de ocupação de espaços públicos. “A gente tem chamado de agricultura ativista porque ela propõe uma nova forma de relação com a alimentação e ela faz isso também propondo uma nova forma de ocupação e envolvimento na cidade”, conclui.

Biazoti conta que a agricultura comunitária e ativista existe há anos, especialmente nas periferias, onde ela existe há mais de duas décadas. “A própria comunidade cuida [da horta] para o abastecimento local, para geração de renda, que também tem a ver com ocupação de espaço, garantia de que o alimento chegue onde normalmente ele não chega, melhora da saúde da população etc. É difícil falar nesse conceito de agricultura ativista e considerar só essas hortas do centro, porque não é verdade”, diz.

“Eu acho até que vivendo em uma metrópole como São Paulo, qualquer forma de agricultura na cidade é uma agricultura ativista porque ela se contrapõe a um modelo de cidade empresarial, que pensa a terra e as propriedades enquanto valor de troca e não enquanto valor de uso. Fazer agricultura na cidade já é em si uma revolução por contrapor essa cidade moderna, do concreto e a gente mostrar que fazer agricultura também é moderno e uma atividade que tem que constar na cidade para garantir o bem estar de todos”, acrescenta o gestor ambiental.

Marcos Henrique do Espírito Santo, economista e analista setorial de agricultura na Lafis Consultoria, destaca que São Paulo é o estado com maior participação na produção agrícola do país, com 13,3% do valor bruto da produção (VBP) de 2017, que engloba lavouras e pecuária. Segundo ele, o estado está à frente, por exemplo, do maior produtor de soja do país, o Mato Grosso, com 12,9% do VBP. Segundo o economista, a cana-de-açúcar tem grande relevância para o estado de São Paulo, 56,1% da produção nacional, fundamental para a produção do açúcar e do etanol 48,4% da produção nacional, principal combustível em substituição à gasolina.

Sobre o papel e o impacto do setor agrícola na economia da cidade de São Paulo, Espiríto Santo destaca que esse não é o setor mais importante na movimentação do mercado e geração de empregos. “Difícil falar em agricultura paulistana, pois nosso forte é a indústria e os serviços. A cidade de São Paulo obtém ganhos de produtividade para sua indústria em função da proximidade com os municípios mais produtivos do país, com destaque para produção de café, arroz, feijão e frutas diversas”.

Espírito Santo destaca ainda a relação entre a indústria e a produção agrícola na cidade de São Paulo. “A indústria sucroalcooleira é a principal beneficiária da extensa produção de cana no estado, com impactos importantes sobre a indústria paulistana, desde o barateamento do combustível pela facilidade logística de ser o estado maior produtor, até a utilização do açúcar na indústria alimentícia”.

Biazoti também aponta que o mercado da cidade é movido pela indústria, mas destaca que a agricultura exerce um papel cidadão muito importante. “A gente vive em uma metrópole industrial e de serviços, a agricultura tem uma participação mínima na economia. Mas ela tem um papel importante na contenção da mancha urbana, um fenômeno que tem crescido cada vez mais em direção aos extremos da zona sul. A agricultura cumpre um papel de ocupação do território, de garantias de permanência do homem do campo e de áreas de preservação ambiental. É importante o reconhecimento dessa zona rural no Plano Diretor [Estratégico do Município de São Paulo, de 31 de julho de 2014]“.

A categoria que mais lucra são os produtores de plantas ornamentais, que possuem boas proporções de terra e produzem em grandes quantidades. “O agronegócio tem uma perspectiva um pouco diferente do que a gente tem na zona sul, onde a agricultura é menor, mas com variedade de cadeias produtivas, desde pescadores artesanais, produtores de plantas ornamentais, de horticultura — tanto convencional quanto orgânica —, além de silvicultores (pessoas que trabalham com produção de madeira). Ali a gente tem uma cooperativa de produtores orgânicos, que tem crescido e se desenvolvido, mas que provavelmente não tem a mesma renda dos grandes produtores de ornamental”.

Sobre oportunidades de trabalho, Biazoti explica que o mercado agrícola também não é tão amplo. “Não emprega um número significativo de pessoas tendo em vista as dimensões de São Paulo, que se desenvolveu com outras atividades econômicas, por isso a agricultura acaba sendo residual na cidade”.

Biazoti fala sobre a importância de incentivar e valorizar a agricultura interna da cidade de São Paulo. Ele destaca as conquistas do campo agrícola viabilizadas no município, citando o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Plamsan) e a Conferência Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável.  Ele menciona algumas políticas públicas que têm incentivado os agricultores, como o Programa de Agricultura Urbana e Periurbana da cidade de São Paulo (Proaurp), responsável pela construção de duas casas de agricultura ecológica na cidade, que dão apoio e assistência técnica aos agricultores, localizadas nas zonas sul e leste. Além disso, Biazoti lembra da lei de alimentação escolar orgânica aprovada em 2017, que abre a possibilidade de comercialização dos produtos de agricultores do município para as escolas. O gestor cita ainda programas específicos, como bolsas de trabalho para agricultores e políticas de suporte na zona sul (patrulha mecanizada, como trator e maquinário agrícola). “O Ligue os Pontos, por exemplo, foi uma grande vitória com um orçamento bastante relevante de cinco milhões de dólares para apoiar, especificamente, os agricultores da zona sul. As atividades do programa já começaram, são três anos de ação por meio de um diagnóstico bastante completo da agricultura no município de São Paulo, oferecendo apoio e assistência técnica para os agricultores”.

No entanto, o pesquisador enfatiza a falta de incentivos e de ampliação das políticas públicas. “Existe uma relação econômica, de produção e comercialização pendular dos agricultores produzindo e vendendo dentro da cidade em uma relação muito importante entre consumidor e agricultor. No entanto, a gente ainda está longe de um espaço ideal para a agricultura. É preciso avançar mais para que essa atividade seja reconhecida e valorizada no município”.

Para isso, ambos destacam a importância de que o desenvolvimento econômico e o consumo ecológico andem juntos. O Brasil é uma das grandes referências em produtividade no setor ao redor do mundo, com uso extensivo de tecnologia e vasto território com potencial agrícola. Nesse sentido, pesquisas realizadas com frequência em empresas como, por exemplo, a Embrapa, têm trazido resultados expressivos em termos de produção, economia de recursos e proteção ao meio ambiente. Em uma tendência global por fontes energéticas limpas, o país possui destaque na produção de biodiesel com alto percentual da mistura sobre o diesel (10%). Portanto, não apenas é possível como não há espaço para pensar desenvolvimento que não inclua a utilização consciente dos recursos”, finaliza.

“Ninguém diz que em uma cidade grande feito São Paulo, tem toda essa terra aqui, pronta para ser cultivada” comenta Eliane Goes, presidente da Cooperativa Agroecológica de Produtores Rurais de Água da Região Sul de São Paulo (Cooperpas). Goes, que também é agricultora, diz que trabalha no campo desde os sete anos de idade e aprendeu a cultivar a terra com seu pai. Sua família mora em Parelheiros desde 1963.

Para ela, a região é mais que um bairro distante e esquecido da cidade, “aqui moram famílias que se conhecem há anos, que trabalham juntas há décadas, a gente planta, colhe, compartilha o que tira da terra, é assim de geração para geração”.

Grande parte do território de Parelheiros está dentro de uma reserva de preservação da Mata Atlântica. Devido a grande extensão, a região é conhecida também por ser um pólo de agricultura familiar e orgânica. A maior concentração desses produtores fica no bairro Engenheiro Marsilac.

Segundo dados levantados pela supervisão geral de abastecimento da Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo (SMTE), de todos produtores cadastrados na cidade, cerca de 320 estão em Engenheiro Marsilac.

Por iniciativa da Prefeitura foram criados, em 2011, dois centros de apoio ao agricultor, conhecidas como Casa da Agricultura Ecológica (CAEs). Elas se encontram em Parelheiros e no Parque do Carmo. A função dessas casas é fomentar as boas práticas de cultivo da terra, ajudando os agricultores com apoio técnico e estudos de solo.

Em Parelheiros, além desse centro de apoio, os produtores contam com uma cooperativa criada em 2011. “Naquela época meu pai já fazia alguns trabalhos junto aos outros moradores como a colheita, por exemplo. Então surgiu a Prefeitura oferecendo parceria e criamos a cooperativa. A ideia é fortalecer a agricultura familiar, o que gera emprego e renda”, diz Goes, presidente da cooperativa desde 2016. A cooperativa conta atualmente com 56 produtores associados.

Além da produção com fins comerciais, a Cooperpas também produz mudas para o replantio de árvores na cidade. Em 2017, foram doadas cerca de 5.500 mudas.

Em 2017, a Prefeitura fechou um convênio com produtores orgânicos da cidade para levar esses alimentos para a merenda escolar. O objetivo é trazer segurança alimentar e nutricional para as crianças. Atualmente, 53 escolas e creches de São Paulo já têm em suas refeições alimentos 100% orgânicos. “Nossa cooperativa atende 26 escolas por toda a cidade e pretendemos no próximo edital atender muito mais”, afirma Goes.

Represas Billings e Guarapiranga. Foto: Prefeitura de São Paulo

Uns dos problemas levantados pela presidente é o escoamento. “Fica muito caro levar a mercadoria para a cidade, pois há poucos meios de escoar a produção. A concorrência do Ceagesp, por exemplo, é muito difícil para nós, as taxas são muito altas e além disso nosso foco não é produção em massa”.

Outro ponto abordado é o fato de os agricultores precisarem de um certificado específico para serem considerados produtores orgânicos. “Precisamos de mais incentivo por parte do governo, não é barato se adequar a todas exigências. Para manter esse certificado, cada produtor tem que desembolsar por ano cerca de 500 reais”.

O certificado de produtor orgânico é cedido pelo Ministério da Agricultura. Em 2018, apenas 16 agricultores de São Paulo tinham esse certificado.

Uma iniciativa da Prefeitura que pode ajudar essas famílias é o projeto “Agricultura Limpa”. Criado em 2010, a ideia é preservar a mata nativa através das boas práticas do cultivo. Os produtores que se adequam às exigências ganham um selo vermelho, chamado de selo garça, que pode ser destacado nos produtos vendidos em feiras livres. Em São Paulo, existem 113 feiras livres espalhadas por toda a cidade, das quais apenas sete são orgânicas.  

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