Feira de consumo consciente promove ocupação dos espaços públicos

Por Isabella Mei

No dia 9 de junho, a rua Treze de Maio estava lotada, tanto de carros estacionados, quanto de pessoas, indo e vindo com suas sacolas retornáveis, de mais uma edição da Feira Jardim Secreto. Localizada na Praça Dom Orione, no Bixiga, tem como objetivo enaltecer o pequeno produtor e artesão, em uma cidade tão desvairada como São Paulo.

O evento acontece uma vez a cada dois meses, e junta pessoas de diferentes idades e lugares para venda e compra de itens de produção artesanal. Nessa edição contou com barracas de cerâmica, roupas, acessórios, cosméticos naturais, itens de decoração e uma área de alimentação com diversos food trucks pela rua, além de uma feirinha de adoção de pets. Na ativa desde 2013, a feira contou com seus maior número de expositores nessa última edição, somando no total, 175 lojas.

 

  • O intuito

Ao som de bandas alternativas, a feira mantém um ritmo de novidade. O seu diferencial começa por estar ambientada em uma praça pública, sendo mais democrática e aberta aos seus visitantes. A presença de pessoas jovens, com crianças nesse ambiente também se torna um fator característico. A professora aposentada Magaly Marossi, de 57 anos, visitou a feira pela primeira vez no dia 9 de junho, e afirmou que pessoas jovens vivenciando essa forma de vida mais sustentável, e já trazendo seus filhos pequenos, é impressionante e algo a se pensar sobre.

A Feira Jardim Secreto tem como intuito, a principio, ocupar a cidade, aproximar as pessoas, trazer uma nova perspectiva sobre consumo e um modo de vida mais sustentável. Por isso, traz diversos expositores que se encaixam nesse contexto, como artesãos de cerâmica, lojas de roupas artesanais com pequena produção e que não usufruem de trabalho escravo, e marcas de cosméticos veganos.

As barracas embrenhadas no meio das arvores da praça abstraem a feira do caos de São Paulo. À luz natural do dia nublado, as artes vendidas se sobressaem, como é o caso de uma galeria móvel de desenhos, da artista Andressa Moraes, que vende seus desenhos em molduras de madeira, assim como um corredor de exposição de quadros e aquarelas a céu aberto.

Foto de Larissa Dare

A proposta da feira, além de tudo, é incentivar um consumo que tenha propósito, que faça sentido e que seja útil e duradouro, indo em contramão com o consumo dos shoppings center, aquele que incentiva o consumo exacerbado, pensando em quantidade e não qualidade.

Ainda sobre as diretrizes do projeto de ocupar a cidade, unir pessoas e dialogar sobre os problemas sociais, aconteceram oficinas de tricotagem e estamparia, e rodas de conversa sobre a utilização do espaço público nas Escadarias do Bixiga.

Foto de Larissa Dare (@larissadare)

Todo a feira, e a sua produção feita por mulheres, que visa dar poder, voz e visibilidade para pequenxs produtores e artesãos, tem uma proposta inovadora e consciente, em uma era que o consumismo tomou conta. Um evento voltado para toda essas questões é de extrema importância, principalmente por estar localizado em um espaço público, sendo mais acessível que um shopping center.

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