“Isso É Coisa de Preto – 130 Anos da Abolição da Escravidão” reflete a importância do negro na sociedade brasileira

Por Liana Ruiz

Com o intuito deuma terminologia considerada extremamente racista, o Museu Afro Brasil, localizado no Parque Ibirapuera, São Paulo, ressalta a importância do negro na sociedade através da exposição “Isso É Coisa de Preto – 130 Anos da Abolição da Escravidão”. O principal objetivo da exibição, segundo o curador e artista plástico baiano Emanoel Araújo, é ressaltar que “‘coisa de preto’ é ter excelência nas artes, ciências, esportes, medicina e em outros campos relevantes da sociedade”.

A mostra que começou dia 12 de maio e termina dia 29 de julho procura, através de relíquias históricas, fotografias, pinturas, esculturas, vídeos e textos explicativos, fazer um panorama histórico desde a vinda dos africanos para o Brasil, até os dias de hoje, a fim de ressaltar importantes personalidades negras. Nomes, fotos e pinturas do guerreiro Zumbi dos Palmares, do ex-jogador de futebol Pelé, do poeta e abolicionista Luiz Gama, dos médicos Luís Anselmo e Juliano Moreira e dos cantores Paulinho da Viola e Cartola, são expostos nas paredes do museu com o intuito de resgatar a variedade de heróis nacionais negros que contribuíram para a construção de um país e, dessa forma, melhorar a autoestima daqueles que se veem inferiorizados por sua cor e sua história. “A exposição ‘Isso é coisa de preto’ é um grande espelho refletindo a vida de um povo preto que foi além do que estava determinado para suas vidas”, reflete o curador.

Além disso, outro aspecto retratado na exposiçãoé a importância que a religião de matriz africana teve para a cultura brasileira. Depois da libertação dos escravos, começaram a surgir as primeiras casas de candomblé que, por censura do governo vigente na época, incorporaram elementos do cristianismo a fim de “camuflar” as divindades do culto. Figuras dos orixás (ancestrais africanos que foram divinizados) como Obaluaê, Oxum, Ogum, Iemanjá e Exu, entre outros, foram expostas ao longo do segundo andar do museu, juntamente com uma pequena explicação por escrito sobre o que cada um deles representa dentro do candomblé. Hoje, essa religião contabiliza mais de 3 milhões de seguidores espalhados pelo mundo afora.

Emanoel Araújo deixa claro sua vontade de remir as memórias negras do país e de reconstruir a imagem daqueles que herdam na sua cor o sofrimento das cruéis práticas do escravismo. “Se por um lado a data marca os 130 anos da extinção do trabalho escravo no Brasil, por outro ainda somamos 400 anos de preconceitos, racismo e indiferença das elites oligárquicas desse país com relação aos negros e negras. Queremos resgatar entre os negros uma certa autoestima e uma imagem que nos sirva de padrão de orgulho por nossos heróis”, diz o artista plástico baiano.

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