blog do Frederico Jota

Amar na segunda pele

O círculo de colecionadores de camisas de futebol ultrapassa os limites comuns do clubismo.

 

Durante a Copa do Mundo, é valorizado o presente do futebol, mas o passado não deixa (nunca) de ser lembrado. Justamente em um sábado de Mundial na Rússia, dia 23 de junho de 2018, aconteceu a Feira Foot, ela é uma feira para amantes do futebol que gostam de relíquias e colecionar itens raros do futebol nela, pode comprar camiseta estampada com o gol do Carlos Alberto torres em 70, ou ingressos de jogos antigos, e com muita atração cultural com palestras sobre: Memoria do futebol e? coisa de mulher!, Racismo na Copa, Publicações sobre futebol: como será? o futuro delas? Essa é a proposta da Feira Foot, primeira edição colaborativa de produtos e colecionismo de futebol. O evento gratuito, realizado na área externa do Museu do Futebol, tem como objetivo promover a memória do esporte e encurtar o espaço entre oferta e demanda por itens relacionados a essa área. Foram 10 colecionadores e 18 expositores presentes.

Cada tipo de coleção traz em si histórias que podem ser contadas por horas e horas. Aquela moeda de cunhagem limitada, um selo impresso por brevíssimo espaço de tempo, um livro em sua primeira edição ou até mesmo um chaveiro que entrou na coleção depois de longos anos de procura e que remonta caras memórias da infância.

Para os colecionadores de camisas, paixão é palavra entranhada em sua mente e em cada camisa: “amamos as coleções e também o futebol. Seja coleções de camisas dos próprios clubes do coração, ou de determinada época ou de determinada região ou jogador. O certo é que as histórias pessoais com cada camisa se entrelaçam com a história do clube ou seleção”. Por mais incrível que pareça, o círculo de colecionadores de camisas de futebol ultrapassa os limites comuns do clubismo. Nesse ambiente, gremistas ou colorados não são rivais, mas, sim, parceiros de uma paixão em comum. Grenás, jaconeros, xavantes, coxas, são-paulinos, benfiquenses ou colchoneros unem-se para compartilhar suas coleções, trocar, vender ou comprar camisas, sabendo que não conseguiriam aumentar seus acervos sem colaboração uns dos outros. Um ambiente onde honra, ética, respeito e confiança são valores inegociáveis.

Eles são portadores de memórias muitas vezes esquecidas pelos próprios clubes e seleções. Histórias que, no fim das contas, só fazem sentido mesmo para nós que sentimos o esporte em nossas veias no dia a dia.

Comprar camisas de futebol no Brasil é uma tarefa que exige um grande esforço dos torcedores, principalmente no bolso. Os valores praticados no país são altos e nem mesmo quando o material é de temporadas passadas existem descontos substanciais. A situação para um colecionador é ainda pior, já que a variedade é escassa.

Apaixonado por futebol, Clóvis Francisco começou a colecionar camisas em 2003, com apoio de seu pai que era torcedor fanático do Corinthians e presenteou seu filho com 2 camisas do clube do seu coração, a partir desse momento ele não parou mais de comprar camisas de futebol, com uma coleção com mais de 250 camisas de quase todos os clubes do brasil e também alguns da Europa. Torcedor do Corinthians ele garante não se prender ao clube de coração na hora de expandir a coleção e adquirir novos itens e não se importa em vestir de outros times. O time que Clóvis tem o maior numero de camisas é o do próprio Corinthians, ele tem 21 tipos de camisas diferentes, e as duas que ele mais gosta é a da democracia Corintiana que foi uma edição especial, e a do Carlos Tevez de 2005.

Mesmo se usar todas, só de saber que tenho aquela camisa que em algum momento foi importante na história de algum clube ou que foi parte de um jogo ou título importante, é como se ficasse para mim parte da história do futebol.

Sobre pirataria diz. “A maioria dos colecionadores (se não 100%) são contra a pirataria. Eu também sou, não por ser colecionador, mas não acho certo. Além de prejudicar o clube (no caso das camisas), incentiva mais ainda quem faz esse tipo de serviço”.

Clóvis mesmo sendo corintiano acha que a camisa mais bonita e mais diferente dentre os clubes brasileiros é a do Paraná, e em relação com os clubes do mundo inteiro ele acha a do Shakhtar Donetsk, pelas cores que são utilizadas nos uniformes.

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