Pela primeira vez, MASP e Instituto Tomie Ohtake lançam exposição conjunta

A exposição Histórias Afro-Atlânticas conta com mais de 400 obras

Por: Sarah Melchior

Ao longo de 2018, o Museu de Arte de São Paulo está dedicando seu programa de exposições e atividades à histórias e narrativas afro-atlânticas. Nelas são retratadas, principalmente, os fluxos entre os povos.

Mas para o segundo semestre a exposição toma proporções maiores: O MASP, em parceria inédita com o Instituto Tomie Ohtake, trazem para a capital paulistana a exposição Histórias Afro-Atlânticas, que contará com mais de 400 obras de cinco séculos, e de mais de 200 artistas, nacionais e internacionais. Serão desenhos, pinturas, esculturas, filmes, instalações, e documentos de diversas origens do mundo.

No MASP, todos os espaços expositivos temporários serão palcos para a exposição destas obras, enquanto no Instituto Tomie Ohtake, serão usadas duas salas.

Jaime Colson, Merengue – 1937. Crédito: Mariano Hernandez

Bruno Gabiru, de 28 anos de idade, é estudante de artes visuais e esteve na exposição do MASP acompanhado de sua namorada, Raquel Garcia, de 25 anos de idade e estudante de biblioteconomia. Ele conta que achou a proposta da exposição super positiva por estar vendo artistas que nunca ouviu falar, e ressalta que precisaria voltar mais algumas vezes para conseguir de fato ver tudo e tirar uma conclusão mais coesa: “Cada artista tem inúmeras linguagens. A exposição traz o artista negro e a cultura negra de uma forma ampla, cada quadro é um portal para se pensar em inúmeras possibilidades”.

Raquel destacou o fato de a exposição não ser em maio ou novembro, meses marcados pela assinatura da Lei Áurea e pelo dia da consciência negra, respectivamente. Também há a questão da quebra dos estereótipos: “Não fica aquele negro tão brasileiro que só relacionam ao carnaval ou a religiões de matriz africana, há uma versão plural de todas as formas, tanto nas pinturas quanto em esculturas”.

Dentre os artistas expostos, destacam-se Andy Warhol, Aaron Douglas, Cândido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Emma Amos, Jean-Baptiste Debret, Marlene Dumas, Mestre Didi e Titus Kaphar. As obras foram empréstimos de importantes coleções particulares e instituições de todo o mundo, como de Nova York, Washington, Florença, Paris, Londres, Copenhague e Jamaica.

A exposição é dividida por núcleos temáticos. No MASP, alguns dos assuntos tratados serão cotidianos, ritos e ritmos, retratos, modernismos afro-atlânticos, rotas e transes, enquanto no Instituto Tomie Ohtake serão emancipações, ativismos e resistências, mostrando como a escravidão se manteve, desde o aprisionamento das pessoas na África a até a chegada na nas Américas e ao Caribe para serem escravizadas.

“Achei interessante essa relação de terem colocado vídeos com YouTubers, fotografias digitais, essa relação de tempos, temos obras de pessoas mais antigas até a galera mais jovem que está fazendo YouTube de trinta, vinte e poucos anos, então achei legal essas narrações e narrativas diferentes”, conta Raquel.

A universitária só ressaltou um fato que a incomodou: “Senti um incômodo por parte dos orientadores de público. É uma exposição negra, mas você olha e quem está cuidando do espaço não são negros. Tenho visto que outros centros culturais estão tentando, quando fazem exposições assim, colocar pessoas semelhantes a aquilo que eles estão apresentando e aqui eu senti um pouco que as pessoas não tem muito a ver com a proposta”.

A estudante pré-vestibular Beatriz Pires, de 20 anos de idade, falou um pouco sobre a obra que mais gostou. Trata-se da escultura Amnésia, do paulistano Flávio Cerqueira. “Já ouvi uma história de uma menina negra que tentou passar cândida no corpo para ver se ficava mais clara, acho que isso é algo que choca muito. Eu, por ser uma pessoa branca, não tenho nem ideia do que essas pessoas passam”.

Amnésia, por Flávio Cerqueira (2015). Foto: Rodrigo S. Pratis

O objetivo principal da exposição é oferecer um panorama das múltiplas histórias por meio de culturas, simbologias e da arte. O Brasil é um cenário de destaque nesta história, já que recebeu 46% dos africanos e africanas que foram tirados de seus países para serem escravizados. Além disso, nós fomos o último país a abolir oficialmente a escravidão, em 1888. Este marco, inclusive, completou 130 anos em 2018..

Para facilitar mais ainda o passeio, a exposição está organizada de forma independente e não-linear entre as duas instituições, então não há nenhuma ordem correta ou obrigatória a ser seguida. Além disso, um catálogo completo e ilustrado acompanhará a exposição, com textos dos curadores.

 

Serviço

MASP

De 29 de junho a 21 de outubro de 2018

Horários: terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)

Ingressos: R$35 (inteira), R$17 (meia)

Vendas na bilheteria do museu ou pelo site: https://site.ingressorapido.com.br/masp/

*O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras

*Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.

Instituto Tomie Ohtake

De 01 de julho a 21 de outubro de 2018

Horários: terça à domingo, das 11h às 20h

Ingressos: gratuito

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