Por Laura Lourenço

O movimento feminista vem ganhando espaço em várias vertentes do conhecimento, tanto na política, quanto no entretenimento. De alguns anos para os dias atuais, o cinema e os filmes “blockbuster” têm grande reconhecimento feminino, tanto no elenco como um todo,  quanto a mulher interpretando papéis que não sejam de “donas de casa” ou como “o sexo frágil”.

Cartaz do filme.                                                               Foto: Divulgação

O Longa-Metragem

O filme “Oito Mulheres e Um Segredo” mostra exatamente que a mulher é totalmente ao contrário do sexo frágil, com um elenco de peso,unindo atrizes como Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway e Rihanna, juntando ao total, diversos Oscars, Grammys e Globos de Ouro, além de cenas incríveis de roubo e estratégias de ação. Dirigido por Gary Ross, o filme mostra Debbie Ocean (Sandra Bullock), uma criminosa com uma família que tem como roubos sua especialidade e um certo negócio,que durante seus cinco anos de prisão, arquiteta o plano perfeito para um furto histórico: Roubar o Touissant, colar que é avaliado em 150 milhões de dólares durante o evento do Met Gala, em Nova York,  um dos mais sofisticados da América, organizado pela revista Vogue. Para isso, conta com uma equipe de oito mulheres, todas fortes e independentes, mas que precisam de união para que o roubo aconteça.

 Podemos observar, durante o filme, que a obsessão por roupas e joias da equipe de mulheres que participa do plano é um tanto quanto fútil; mas a maneira como planejam cada detalhe para ser posto em ação ultrapassa esta ideia, fazendo com que o roubo de um colar se torne algo inimaginável e histórico.

Cenas do filme, em que o roubo é planejado.                           Foto: Divulgação

 

O longa-metragem tem a intenção de brincar com os esteriótipos femininos em um filme de gênero predominantemente masculino, mas também busca desconstruí-los: O fato de todas as mulheres quererem uma vida como criminosas, nada perfeita e instável tira todos os “clichês” de como uma moça deve se comportar ou agir, dando liberdade de serem o que quiserem.

 

 O filme é leve e divertido, mas no fundo, traz todas essas questões à tona. Ele direciona para a discussão do feminismo, no sentido de como as mulheres, atualmente, já possuem reconhecimento em direitos iguais e de participarem de todas as áreas de trabalho e conhecimento. Na indústria cinematográfica, o longa traz o debate sobre o movimento #Metoo, que mobilizou a indústria hollywoodiana e todo o resto do mundo.

 

Movimento #MeToo no mundo hollywoodiano

 Na indústria do entretenimento, relatos de assédio sexual foram surgindo contra o mega produtor Harvey Weinstein, um dos homens mais poderosos da indústria do cinema, que foi acusado por diversas atrizes que trabalharam com ele em seus filmes. Começou em outubro do ano passado, quando o jornal “The New York Times” publicou uma matéria detalhando acusações que indicavam décadas de assédio sexual cometidas pelo produtor. Atrizes como Rose McGowan e Ashley Judd foram as primeiras a relatar essas denúncias.

 Porém, o uso da hashtag #Metoo foi feita pela atriz americana Alyssa Milano, que twittou em suas redes sociais após todo o escândalo e ao saber mais sobre os relatos de outras mulheres, que assim como ela, sofreram assédio. A partir de então, diversas atrizes tiveram coragem de se abrir, contando histórias verídicas sobre o produtor. Atualmente, Harvey Weinstein encontra-se preso, e a partir desse absurdo, muitos homens vêm sendo comprometidos também com acusações de assédio, como Woody Allen e mais recentemente Morgan Freeman, levando o movimento #MeToo a níveis importantíssimos de reconhecimento, em que ele foi considerado pela Revista Time como vencedor da categoria “Pessoa do ano”, mostrando, em sua capa, as mulheres que iniciaram todo o movimento. Além disso, mostrou para o mundo como a indústria do cinema ainda é muito machista.

Capa da revista ‘Time’, de Dezembro 2017.                                 Foto: Divulgação

Oito Mulheres e um Segredo X Onze Homens e um Segredo

Elenco de ‘Onze Homens e um Segredo’                                    Foto: Divulgação

Divulgação do filme.                                                            Foto: Revista Exame

Como é de se esperar, “Oito Mulheres e um Segredo” é um spin off do filme “Onze Homens e Um segredo”, este lançado em 2001, onde Danny Ocean (George Clooney) é irmã de Debbie e, no filme, ele tramou o plano de roubar três cassinos em Las Vegas.

 

 Ambos os filmes acabam possuindo várias características em comum, como um elenco de peso (no filme de 2001, atores como Brad Pitt, George Clooney e Matt Damon) os mesmos tipos de personagens (um hacker, alguém para planejar o roubo) e estratégias que são, de certa forma, inesperadas para quem assiste os filmes separadamente, mas para quem assistiu o longa de 2001, não vai se surpreender muito com o spin off. Gary Ross optou por não ousar demais na construção do roteiro do filme, para que ele fosse fiel à versão de Onze Homens e um Segredo; mas o diretor poderia ter inovado em alguns aspectos, para que o novo filme tivesse algo de mais excêntrico e inovador.

 O que há de diferente em relação aos dois é o modo como eles foram montados. A versão feminina de 2018 busca trazer as cenas de planejamento e conversa com outros personagens de forma mais ágil, mostrando várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e as diversas estratégias que Debbie Ocean e Lou (Cate Blanchett) tem ao planejar o roubo. Além disso, o filme traz a questão da mulher como criminosa e, novamente, enfatiza o feminismo, de forma sutil; o empoderamento é muito bem tratado nas ações e nos pensamentos inteligentes de todas, e a sororidade é representada pelo trabalho em equipe.

 

Considerações dos telespectadores

 Oito mulheres e um segredo vêm levantando diversas críticas e avaliações por blogs de entretenimento e jornais de grande circulação, em plataformas online. Porém, a visão de alguns telespectadores do público “comum” que assistiram ao filme foi um pouco diferente. Bianca Gusmão, de 23 anos e formada em moda, diz que gostou do filme, mas mais “pelo fato de ele ter muita ligação com a moda, e não pela história em si. Óbvio que eles pregam pelo feminismo, um pouco de girl power, pois são só mulheres trabalhando juntas, e isso é muito legal”, pois, de acordo com Bianca “sempre tem um homem intrometido no meio”. Mas acabou achando a história fraca, por já saber o que as mulheres iriam fazer durante o filme, e que talvez a história pudesse ter mais sobre o feminismo e a união entre elas.

 Maria Carolina Marchi, estudante de design gráfico de 18 anos, diz que, por gostar de filmes mais cult e artísticos, não aproveitou muito bem o conteúdo que o filme tinha para passar. Mas gostou muito por ter um elenco de mulheres incríveis, e por ter um contexto tão atual, feito em Nova York na premiação do Met Gala. Taissa Delpupo, também estudante de design gráfico de 18 anos, diz ter gostado do filme por ter sido algo “bem leve, tranquilo e engraçado de assistir”, além de gostar muito de Cate Blanchett e do fato de terem sido só mulheres no elenco.

Portanto, o filme realmente traz atrizes e personagens fortes, com características únicas, mas que juntas realmente formam um arquipélago, mostrando inteligência, empoderamento e também humor, de uma forma que todos possam aproveitar o filme da melhor maneira.

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