Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam terrenos abandonados em três pontos da cidade de São Paulo naquela madrugada de sábado

Por Laura Barbosa

Naquela noite de quase verão, o tempo por incrível que pareça, ainda era frio e só o cafézinho quente, feito na hora, esquentava o coração daqueles que estavam prestes a ganhar uma moradia digna. A noite já estava acabando para a maioria das pessoas em São Paulo, mas para aqueles militantes, a noite estava só começando.

Me lembro como se fosse ontem daquela madrugada. Era minha primeira ocupação ao lado daqueles trabalhadores guerreiros e guerreiras do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Só quem participa sabe da emoção, adrenalina e felicidade que aquelas pessoas sentem ao ocuparem um lugar que são delas por direito.

Os novos moradores chegaram por volta da meia-noite no local, juntos a caminhões que traziam seus mantimentos para a noite. Tudo precisava ser feito de maneira rápida, pois a polícia poderia aparecer em qualquer momento.

A dinâmica de como o acampamento foi construído ainda me deixa de queixo aberto. Os bambus e lonas que eram tirados de forma rápida dos caminhões, logo tomaram forma e viraram uma pequena cabana para cada ocupante. Em questão de minutos, o local já estava repleto pelas casas improvisadas. Eram pelo menos 500 barracas que se espalhavam pelo campo.

Com a cozinha improvisada que já estava quase pronta, a tensão ia diminuindo. Alguns moradores já se ajeitavam para dormir no sereno daquela noite e na manhã seguinte teriam o primeiro café da manhã em seu novo lar.

O terreno localizado na Av Marginal Projetada, na zona leste de São Paulo, era um grande campo vazio, com subidas e descidas que não pareciam atrapalhar a luta do MTST. Antes de ganhar seus novos moradores, o lugar era usado como lixão e acabou virando um local abandonado que não cumpria o uso social da propriedade.

Aquele campo que acabara de ganhar vida, movimentação e energia, passou a ser um local de disputa política. A guerra diária do MTST é a luta pelo direito à moradia, direito à cidade e a pressão que é necessária fazer no Governo pela continuidade do programa Minha casa, Minha vida.

Com o sol prestes a raiar, mais uma noite de esforço se encerrava para o MTST. Naquela madrugada, a cidade ficou um pouco mais justa para aqueles que só precisam de teto. Enquanto morar for privilégio, ocupar é dever.

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