Por Felipe Cereser

“Um batalhador”. É assim que o artista Luiz Cavalli, que esteve expondo suas obras na Inn Gallery (Cerqueira César – SP), se considera. Com 16 anos de carreira ele pinta objetos que o fascinam desde a infância, além de produções com forte influência da fotografia. Com traços únicos reconhecidos internacionalmente, Cavalli acredita que o segredo é ter persistência e ser humilde.

Foto: Felipe Cereser

Nascido no Rio Grande do Sul, entre bicicletas e desenhos no município de Soledade, Cavalli cresceu em São Paulo onde, durante o colegial, estudou técnicas de pontilhismo entre os anos de 1974 e 76. Depois quis fazer Jornalismo, mas acabou por desistir da ideia de prestar vestibular porque, como garante com tom de brincadeira, “todo artista escreve mal”. Ele ainda trabalharia com propaganda na área de rádio, televisão e cinema antes de decidir cursar Comunicação Visual, na Fundação Armando Álvares Penteado. “O tempo de trabalho com propaganda influenciou muito porque, como eu era assistente de criação, ficava olhando imagens e mais imagens nas enormes bibliotecas que as agências tinham… depois, aos 47 anos, passei a pintar igual a um vulcão.”

“Cadeira Espartilho” (2012)                                                            Foto: Divulgação

O uso das cores é uma marca registrada no trabalho de Cavalli. Isso, no entanto, não tem nada a ver com a experiência que a publicidade o conferiu. “É muito instintivo”, diz. Ele relata que não pensa em rigorosamente nada para pintar e que seus quadros têm fortíssima relação com a fotografia. “Tanto o enquadramento, quanto as cores… Eu pinto sobre minha fotografias ampliadas”. Esse é um tipo de produção bem conhecida de Cavalli. Ele pincela em cima de fotos que tirou quando ainda era adolescente. Sua “fase” mais famosa, entretanto, é a que o segue por toda a carreira: as bicicletas. Que nunca tem figuras humanas, pessoas montadas, mas possuem, sim, personalidade. Cada bicicleta tem seu estilo e seu jeito, coisa que o artista gaúcho faz questão de mostrar. Cadeiras também são um grande orgulho para ele: a “Cadeira Espartilho” (foto) recebeu o primeiro prêmio na Bienal de Salerno, na Itália.

Exposição na Inn Gallery                                                                                                                                       Foto: Felipe Cereser

Inspirado por Henri Matisse e Jorge Guinle, e amante de acrílico sobre tela, Cavalli crê que o valor monetário de uma obra é calculado pela vontade do cliente em tê-lo. Ele explica que, além disso, há um cálculo de de preço de altura por largura, e o resultado multiplica-se por metro quadrado. Não existe nenhuma relação de preço e os produtos utilizados na tela.

Foto: Felipe Cereser

Todavia, para um artista despertar a atenção e ser conhecido, não é fácil. Cavalli revela ter uma “vida insana”. Devido às produções, mora em duas casas e convive com oscilações. “Às vezes fico pintando uma semana sem parar e de repente paro por um mês. Ou seja, às vezes você tem dinheiro e às vezes não tem.” Ele conta que o mercado no Brasil não está bom e a Internet, por outro lado, prejudicou muito porque “familiarizou a arte”. A solução, segundo ele, é fazer o nome no mercado. Virar um produto. E, para isso, “tem que ter persistência”. Cavalli descreveu como realiza boa parte de seu trabalho: “eu ponho as tintas do meu lado e a tela no chão, e pronto. Se eu virar de costas, acabou, não pode mais mexer na tela. É muito rápido, eu não posso demorar, porque eu pinto gestualmente.” Ele acredita que a noção das tintas faz a forma.

Exposição na Inn Gallery                                                                                                                           Foto: Felipe Cereser

 

Contato com o artista:  luiz@luizcavalli.com.br

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