Por Giovanna Colossi

O mistério de Zuma em Pantanal, o romance entre o fazendeiro Bruno e a sem terra Luana em O Rei do Gado, a espevitada Gabriela, os garimpos de Natal em Império, avanços da genética em O Clone, castas indianas de Caminho das Índias, rodeios em América, todos têm algo em comum; são tramas que marcaram gerações e alavancaram a venda de pacotes de viagem.

Brasileiro ama novela, assim como existe a cultura de séries televisivas no Estados Unidos. No Brasil roteiristas se especializaram em produzir histórias com duração máxima de seis meses e capacidade de entreter famílias de norte a sul do país. Não é de se espantar que o horário das nove, virou o horário nobre da televisão brasileira e agências de viagem.

Ao assistir as últimas novelas da nove, telespectadores já foram transportados para o Estados Unidos, Turquia, Índia, além de Estados e cidades brasileiras pouco explorados, como Tocantins, Mato Grosso, Bahia, Alagoas, Sergipe. Seduzidos pelas paisagens e personagens, vivem o local através das imagens cedidas pela tevê e na sedução diária são induzidos a girar a roda do capitalismo, compram pacotes de viagem que além de passagens aéreas, passeios e hotéis reservados, seguram toda uma expectativa acumulada ao longo de uma imersão diária na tela da tevê.

Com histórias que contam com antagonistas, protagonistas e figurantes, o realismo fica por conta da ambientação. E por isso, a produção nunca deixa de pensar em localizações diferentes. Esperamos o que? Ser livres como Gabriela e Zuma, perspicazes como José Alfredo de Império, viver um amor intenso como Jade e Maya? As razões são diversas, mas todas mexem com o imaginário, viajam não para conhecer um lugar novo, mas para viver experiências nunca antes vividas, alimentadas pela ficção das telenovelas.

Se por um lado a novela normatiza diversas questões cotidianas, acalma os corações revolucionários e transforma a sociedade em heterônoma, por outro também atiça o imaginário, apresenta culturas e experiências que só podem ser vividas fora da sala de casa. Incita movimentação em busca do quê? Não se sabe, mas muitos esperam encontrar lá.

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