Por Barbara Bastos e Maria Victória Gonzalez

A cidade de São Paulo, como maior do Brasil e da América Latina, detém uma notoriedade dentro do ramo turístico. Trata-se do principal centro financeiro do país, contando com a maior rede hoteleira (410 hotéis e 72 hostels) e inúmeros pontos de entretenimento, como centros culturais, museus e parques. De acordo com a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), a cidade é o destino mais visado pelos estrangeiros que viajam a negócios e o Brasil representa, em termos absolutos, o 11º maior mercado de turismo no mundo. Entretanto, estudos recentes mostram que a capital tem muito potencial desperdiçado. ‘’Lamentavelmente o turismo continua sendo considerado supérfluo’’ afirma Luis Henrique Miranda, assessor da Abav-SP (Associação Brasileira de Agências de Viagem).

Um exemplo disso é que “há alguns anos não existe mais uma área de publicidade para a divulgação da cidade em campanhas e anúncios”, diz a SPTuris, empresa oficial de turismo e eventos da cidade de São Paulo. Isso demonstra a insuficiência de investimentos governamentais na área.

O turismo, de acordo com Miranda, envolve direta ou indiretamente 52 setores da economia brasileira. Segundo pesquisa de 2016 da World Travel and Tourism Council (Conselho Mundial de Viagens e Turismo – WTTC), a atividade representa 3,2% do PIB brasileiro e, conforme o Observatório do Turismo e Eventos (OTE) da SPTuris, concentra 2,8% dos empregados do país. Em 2017, a cidade de São Paulo arrecadou R$ 291,1 milhões com Imposto sobre Serviços (ISS) no turismo.

Em relação aos gastos dos turistas na cidade de São Paulo, há uma diferença significativa entre os visitantes nacionais e os internacionais. Os turistas brasileiros gastam em média R$ 180 em três dias de viagem, enquanto os estrangeiros desembolsam R$ 484 em quatro dias, segundo dados da WTTC.

De acordo com um estudo do OTE, em 2016, São Paulo empregava 455 mil pessoas no turismo, sendo 44% na área de alimentação, 22% no transporte aéreo, 15% em hospedagem e 13% em agências de viagem. A WTTC, por sua vez, projeta um crescimento anual de 2,4%, com o turismo chegando a representar, em 2027, 3,2% do total de empregos no Brasil.

Os turistas que vêm a São Paulo são, em sua maioria, homens (63,1%). Em relação à procedência, os brasileiros representam 98,9% do total, enquanto os turistas internacionais correspondem a apenas 1,1%. No entanto, considerando apenas o turismo de negócios, a participação dos estrangeiros sobe para 22,6%. Os dois principais países que emitem turistas para São Paulo são os Estados Unidos e a Argentina. De acordo com Miranda, “São Paulo prevalece como o principal polo receptivo e emissivo de turistas para destinos nacionais e internacionais’’. Segundo ele, isso se dá por conta dos hubs aéreos, que são os aeroportos com ponto de conexão.

No âmbito nacional, os estados que mais emitem turistas para São Paulo são Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Já no estado de São Paulo, os turistas vêm de Santos, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Campinas e Sorocaba.

Com a maior rede hoteleira do país, São Paulo vem se expandindo cada vez mais nesse setor, em comparação com outras cidades. Segundo Miranda, isso faz com que os preços das diárias dos hotéis se equilibrem. Por exemplo, a diária média dos hotéis em 2017 foi de R$ 293,42, 0,6% mais baixa do que em 2016. Quanto aos hostels, a diária média foi de R$ 50,86 no último ano, 4,7% inferior à de 2016, segundo pesquisa realizada pela WTTC.

De acordo com a gerente do hotel da Afpesp (Associação de Funcionários Públicos do Estado de São Paulo), Amanda Sabô Barbosa, a rede hoteleira da cidade movimenta principalmente o setor terciário da economia. ‘’Toda uma estrutura tem que estar disponível para receber os hóspedes, através de compra de insumos alimentícios para o café da manhã, ou, ainda, enxoval, amenities (produtos de higiene), papelaria, etc. Acabamos movimentando o comércio da região, farmácias, padarias, restaurantes, locais onde os hóspedes vão no entorno’’ afirma Amanda. Ela diz que os hóspedes do hotel visitam a capital por motivos variados, tanto a lazer quanto a negócios. Segundo ela, os meses de maior movimentação são abril, maio, setembro e novembro.

 

 

De acordo com o site “Cidade de São Paulo”, da SPTuris, os cinco locais mais visitados são o Masp, o Parque Ibirapuera, o Mercado Municipal, a Avenida Paulista e a Catedral da Sé. Entretanto, a cidade oferece mais de 600 peças por semana, mais de 250 museus, 109 parques, 150 bibliotecas e mais de dez estádios. Sem contar o turismo arquitetônico, que envolve lugares como o Edifício Itália, o Hotel Unique e o Farol Santander; os roteiros de compras, como a Rua 25 de Março e as feirinhas da Liberdade e da Benedito Calixto; e as atrações religiosas, como a Paróquia Nossa Senhora do Brasil, o Mosteiro de São Bento, o Templo de Salomão, entre outros. “O que seria de São Paulo sem o Fashion Week, sem as feiras, sem os shows, sem a feira cultural, sem o carnaval?”, indaga Miranda.

O turismo para cultura e lazer tem seu forte entre “dezembro e janeiro, quando viagens corporativas ou por conta de eventos de negócios têm uma breve pausa”, diz a SPTuris. Esse é um perfil que tem crescido mesmo na crise. De acordo com uma pesquisa da OTE, 84,1% desses turistas chegam de carro próprio e 31,2% ficam na casa de amigos ou parentes. Por volta de 20% usam o metrô e 42% visitam a Avenida Paulista.

Entretanto, o mercado principal é o de viagens corporativas, principalmente entre os estrangeiros: 92,3% deles vêm a São Paulo para trabalhar e participar de eventos de negócios. Só em 2017, a capital sediou mais de 40 novos eventos, com mais de 105 mil participantes. Isso movimentou cerca de R$ 68,1 milhões em serviços. De 2018 a 2026, a expectativa das entidades turísticas é que mais de 45 eventos sejam confirmados na cidade. Entre os visitantes que se deslocam para São Paulo a negócios, 73% vão com seus carros próprios. Além disso, 70,1% costumam frequentar bares e restaurantes e 31,4% compram algum produto, como lembrancinhas, chocolates e roupas. Isso movimenta a economia da cidade e faz com que o turismo seja um influenciador direto no sistema econômico.

De acordo com Jarbas Favoretto, presidente da Amitur (Associação dos Municípios de Interesse Turístico), as feiras, eventos, congressos e seminários movimentam toda a estrutura de turismo e seus parceiros durante o ano inteiro.

Entre os maiores eventos da cidade, estão o Carnaval, a Parada do Orgulho LGBT e a Virada Cultural. 

 

Leave a Reply