Star Wars é saga de entretenimento para era do consumo

Por Sofia Duarte

Foi em maio de 1977 que o primeiro filme da saga Star Wars chegou aos cinemas. George Lucas, o criador de toda a história, não fazia ideia de que mais tarde se tornaria um diretor de enorme prestígio e dono de uma franquia bilionária. Depois do lançamento de sua primeira produção, Uma Nova Esperança, o sucesso mundial se estabeleceu em praticamente um ano, e, a partir dos outros lançamentos, foram surgindo os fãs fiéis da saga.

Embora os longas fossem o conteúdo principal, eram apenas o ponto de partida para o surgimento de vários outros produtos. Star Wars se transformaria em um novo fenômeno nas telonas e também um novo modelo de negócio.

A partir do sucesso das histórias sobre os Jedi, o universo expandido dessa ficção também conquistou os fãs. Assim, George Lucas se tornou bem sucedido com os royalties das histórias em quadrinhos, jogos de videogame, camisetas e com todos os itens que levavam o nome da franquia da Lucasfilm.

Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Dezesseis anos depois da primeira trilogia (composta pelos episódios IV, V e VI), foi lançado o Episódio I – A Ameaça Fantasma (1999), e os próximos filmes saíram em 2002 (O Ataque dos Clones) e 2005 (A Vingança dos Sith). Apesar de esses novos longas não serem os preferidos dos fãs, neles percebemos a evolução da tecnologia, e como a história de personagens como Darth Vader e Mestre Yoda começaram a ficar ainda mais no imaginário das pessoas, e aí foram apropriados pela cultura pop.

Em 2012, a Disney comprou a Lucasfilm por mais de US$ 4 bilhões, e anunciou a volta da franquia com o Episódio 7 – O Despertar da Força. A partir disso, é claro que surgiram os mais diversos tipos de itens licenciados e parque temáticos, e a Disney acentuou a característica de produto midiático da saga.

Foto: Divulgação/Disney

Foto: Divulgação/Disney

Homero Matusso, formado em Publicidade e Propaganda pela FAAP, recentemente concluiu seu mestrado em comunicação na Faculdade Casper Líbero, em que desenvolveu a tese com o título “A Saga Star Wars como Produto Midiático: O Consumo como Experiência”. Segundo ele, com os atuais personagens e novas histórias da franquia, há “a possibilidade de expandir a saga para outras mídias além do cinema e da TV.”

Logo, com esses novos protagonistas, não teremos mais os icônicos Harrison Ford e Mark Hamill, e ficará difícil substituir figuras tão sensacionais como Han Solo, Luke Skywalker e Princesa Leia. Mas as novidades trazidas pela Disney para o universo galáctico são extremamente importantes para cativar as próximas gerações de espectadores da saga.

Recentemente, vimos Han Solo: Uma História Star Wars nos cinemas, que teve uma bilheteria fraca se comparado aos outros filmes da franquia. As pessoas ainda não estão cansadas dessa história (pelo menos não por enquanto), então o que acontece? A Disney está em busca de um público mais jovem: “A visão da Disney com excesso de humor para dar leveza, e ser muito família, podem afastar mais os fãs antigos, mas o foco da Disney são os novos fãs, e não os antigos, os chamados adultos jovens e crianças é que são o foco deles”, explica o professor Matusso.

Mas essa análise não para por aí. Essa nova geração, bombardeada o tempo todo por notícias online e novas histórias de ficção, é capaz de esquecer de filmes com os quais não consegue estabelecer uma conexão além das telonas. Por isso, as várias mídias sociais digitais devem ser exploradas pela produtora, além de que esse é exatamente o motivo pelo qual a Disney investe tanto no conceito de experiência como consumo. O contato que as pessoas têm com a saga deve transcender o próprio filme, e chegar no dia a dia, por meio de produtos licenciados (artifícios de moda e outros utensílios) e entretenimento variado (parques temáticos e jogos online, por exemplo). E isso deixa claro que a franquia dos Jedi continuará sendo um produto midiático.  

Além disso, apesar de os novos filmes terem retomado, desde 2015, a essência do que foram as primeiras produções de George Lucas, envolvendo aspectos como a trajetória do herói, a linha narrativa e características peculiares de Star Wars, eles trazem algumas mudanças que decepcionaram a audiência antiga, e isso pode refletir na opinião da nova. É nesse momento que entram as redes sociais: um espaço público que permite o debate, que envolve diferentes posicionamentos sobre os novos longas.

Durante a Star Wars Celebration de 2017, convenção dedicada à saga que reuniu milhares de pessoas em Orlando, Mark Harmill brincou com o público: “Os fãs estão conosco nos momentos bons e ruins. São mais compreensivos que a minha própria família, que me critica o tempo todo.” E é exatamente nesse ponto em que a Disney terá que encarar um desafio: conquistar um público jovem que seja tão apaixonado pela saga quanto foram os antigos fãs.

Ao fazer uso de estratégias midiáticas que envolvem o consumo como experiência, pode ser que realmente a ficção dos Jedi ainda floresça por inúmeras gerações futuras. Porém, apenas investindo profundamente em tramas não só modernas, mas cativantes, inesquecíveis e emocionantes é que a Disney conseguirá fazer com que Star Wars ultrapasse a barreira de “modinha” e se concretize como um verdadeiro fenômeno da ficção hollywoodiana.

Para saber mais sobre a trajetória da saga Star Wars antes de ser comprada pela Disney, assista ao documentário do Canal Nostalgia que conta como o Império dos sonhos de George Lucas conquistou uma imensidão de fãs:

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