Copa do Mundo de 2002, uma competição essencialmente futebolística

Dotada por surpresas, o torneio resume-se à campanha de uma das anfitriãs, a Coreia do Sul

Por Vitor Hugo Gonçalves 

31 de maio de 2002; iniciava-se, pela 17ª vez em sua história a mais célebre competição esportiva do planeta. Contando com a participação de trinta e duas nações, a Copa do Mundo, realizada pela primeira e única vez em dois países – Japão e Coreia do Sul –, foi marcada por inesperados episódios.

Pouco se esperava e tudo se conseguiu daquela seleção brasileira de 2002. A conquista do penta foi impecável: sete jogos, sete vitórias. Fundamentado nos craques Ronaldo (foi uma senhora Copa para o Fenômeno – artilheiro), Rivaldo e Ronaldinho, o Brasil escondeu os temores que a caminhada trôpega nas eliminatórias deixara e foi campeão com sobras. Outra surpresa foi a trágica trajetória da França, uma das equipes mais cogitadas ao título; os campeões do mundo foram eliminados da competição sem marcar um gol sequer.

Fenômeno marca dois e Brasil leva a melhor em duelo contra seleção germânica, na final da Copa (http://colunas.gazetaweb.globo.com/platb/arivaldomaia/page/661/)

Perante inúmeros especialistas da bola e seleções prometedoras, foi um acanhado time que acabou por se destacar. Contando com vigoroso apoio de sua torcida, a anfitriã coreana surpreendeu pela campanha que fez. Classificaram-se às oitavas após ficar na liderança do grupo D, eliminaram os italianos por 2 a 1 e, nas quartas, liquidaram a Espanha. A equipe alemã foi responsável por frear e consequentemente eliminar os sul-coreanos da Copa.

Histórica e polêmica, a classificação coreana, sobre a Itália, para às quartas de final tardou a ser garantida, vindo somente após o fim do tempo regulamentar, e quase no final da prorrogação. Os italianos reclamaram de um pênalti sobre Totti no tempo extra: o lance não foi assinalado, e o jogador acabou expulso por simulação.

Já no jogo contra a Espanha, mais uma confusão. Também na prorrogação, o espanhol Morientes aproveitou um cruzamento do lateral Joaquin e cabeceou para o fundo do gol. Festa da Fúria, mas o bandeirinha indica que a bola atravessada saiu pela linha de fundo durante seu percurso e acaba por invalidar a jogada. Mas a regra é clara: quando a bola não sai por inteiro, o lance continua totalmente válido. O jogo estendeu-se às penalidades máximas, graças às quais a seleção asiática venceu por 5 a 3 a, considerada, mais escandalosa partida da Copa das surpresas.

Espanhóis incrédulos com a anulação de um gol legítimo na partida contra Coréia do Sul (http://trivela.uol.com.br/coreia-e-japao-15-anos-a-arbitragem-escandalosa-que-tirou-a-espanha-da-copa/)

Controvérsias à parte, o atrativo e esforçado time hospedeiro da competição mereceu notável reconhecimento. Sequer cogitado entre os melhores da fase de grupos, os coreanos superaram qualquer expectativa e conseguiram uma posição entre os quatro primeiros colocados. Com dois gols, Ahn Jung-Hwan foi o artilheiro do seu país naquele Mundial: “eu tenho muitas lembranças felizes de jogar com os meus companheiros na Copa de 2002 (…) mas o foco atual é na Rússia”, afirmou o goleador em entrevista local.

14 de junho de 2018: data de início da Copa do Mundo na Rússia. Período onde mágica passará a ser realidade e não se poderá duvidar do inesperado. Teremos um Brasil, esperado, campeão? Uma nova Coréia do Sul dará o ar da graça? O mais apropriado, e recomendado, é esperar para ver, ou melhor, maravilhar-se, pois o futebol nunca perderá sua essência encantadora,  e jamais deixará de ser, literalmente, uma caixinha de surpresas.

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