Por Rafaela Soares 

A Rússia gasta 38,49 bilhões de reais na Copa, superando o Brasil. Só em “infraestrutura esportiva” foram gastos R$ 14,9 bilhões, o equivalente a 40% do total. Se fizermos uma comparação com a Copa de 2014, foram gastos R$ 3,7 bilhões a mais somente nesses setores, que abrangem reformas de estádios e centros de treinamento. 57% do total investido vêm de fundos federais, 28,8% de empresas estatais e privadas e 13,6%, de governos regionais.

Contudo o COL (Comitê Organizador Local) afirmou que o evento gerou 220 mil empregos, além de impactar o PIB da Rússia, fazendo-o variar aproximadamente de R$ 89,8 e R$ 107,8 bilhões, em um período de dez anos, que vai de 2013 a 2023. “O Mundial tem um efeito econômico considerável”, destacou o vice-primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Rogozin em declaração divulgada por meio do relatório do COL. “O torneio já impulsionou o desenvolvimento econômico das regiões que serão sedes da Copa e terão um impacto econômico de longo prazo”, disse.

Pontiac Silverdome, estádio estadunidense que sediou a Copa de 1994 e está abandonado desde 2001.(https://abcnews.go.com/Sports/photos/photo-photographer-johnny-joo-cleveland-ohio-photographed-silverdome-27727180)

Dos 12 estádios, a Arena Zenit, localizada em São Petersburgo, consumiu, sozinha, o equivalente a R$ 2,3 bilhões em sua construção, que se iniciou em 2008 e terminou ano passado. Samara Arena, Rostov Arena, Nizhny Novgorod Stadium, Volgograd Arena, Mordovia Arena, e Kalingrad Stadium são os outros seis estádios que foram construídos especialmente para a ocasião.

Com um gasto de R$ 1,9 bilhão em sua reforma, o estádio Luzhniki, localizado em Moscou, é o principal da Copa e abrigará sete jogos, incluindo o de abertura e a grande final. O estádio passou a ter três mil lugares e duas saídas a mais, uma nova restruturação do ângulo da arquibancada, que melhora a visão de cerca de 10% dos espectadores, além de contar com mais de mil câmeras, podendo assim ser considerado um dos estádios mais seguros atualmente no mundo.

Luzhniki iluminado com as cores da bandeira da Rússia. (http://baogialai.com.vn/channel/745/201804/chiem-nguong-ve-dep-cua-12-svd-phuc-vu-world-cup-2018-5575775/index.htm)

Uma vez que metade dos estádios da Rússia, que sediarão no mínimo 4 jogos da Copa foram construídos especificamente para o evento, é importante ressaltar que, dos 12 estádios reformados e inaugurados para a Copa de 2014, alguns se destacam por não estarem sendo usados com frequência. São eles: Arena Pantanal (reformado), Mané Garrincha (reinaugurado), Arena Amazônia (reformado), Arena das Dunas (inaugurado) e Arena Pernambuco (inaugurado).

Além da falta de uso, esses estádios, cujas reformas exigiram cerca de R$ 3,5 bilhões, estão gerando anualmente despesas em torno de R$ 30 milhões aos cofres públicos. Para este ano só se pode torcer (literalmente) para que o país-sede esteja consciente dos riscos dos altos investimentos feitos em torno do grande evento que é a Copa do Mundo. Que o mesmo que aconteceu aqui não se repita lá.

Em questão de infraestrutura, estima-se que os gastos tenham sido de US$ 8,5 bilhões. Além de 11 novas paradas de trem para os novos 495 trens, o governo russo disponibilizou, a quem for ao estádio, passe livre nesse e em outros transportes públicos.

A reforma de aeroportos e a criação de novos terminais também ocorreram, e no caso de alguns como foi o do aeroporto de Kaliningrado, isso ocorreu às pressas. Os aeroportos Sheremetyevo e Domodedovo, localizados em Moscou, ganharam novos terminais. O primeiro, considerado o maior da Rússia, inaugurou o terminal “B” segunda-feira (4), duas semanas antes da Copa.

Novo terminal do aeroporto de Samara. (https://br.rbth.com/viagem/80630-vespera-copa-russia-aeroportos-modernos-fotos)

O investimento no setor pode ser considerado o mais consciente e inteligente, já que a Rússia é o maior país do mundo e apenas no território ocidental (europeu), que é onde os jogos da Copa deverão ocorrer, a maior distância de uma cidade-sede a outra chega a 7.000 km.

O diretor-geral do comitê organizador, Alexei Sorokin, disse que, dos 365 hotéis oficiais que serão utilizados durante a Copa, 21 são totalmente novos. Ele também afirmou que 14 hospitais foram construídos mas que isso seria um investimento não exclusivo da Copa.

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