Por Laís Morais 

  Faltando quatro dias para a Copa do Mundo de 2018 ter início, é evidente que, por trás de todo o entusiasmo, da dedicação, e da expectativa, um dos maiores eventos internacionais envolve muito mais que apenas partidas de futebol. Assim como ocorreu no Brasil em 2014, na África em 2012, a Copa sediada na Rússia, apesar de ter todo o potencial para fazer um evento de qualidade, causa no país grandes impactos sociais.

    Normalmente em eventos como esse, a organização e o próprio russo concentram todos os seus projetos para agradar turistas pois serão os que lhe trarão renda. Porém não se pode fazer isso em detrimento da população, da forma que o Brasil fez em 2014, desabrigando os habitantes do Rio de Janeiro, por exemplo.

É evidente que o evento da Fifa provocará impactos sociais positivos no país-sede: criou mais de 13 mil empregos e melhores infraestruturas de ferrovias, facilitando a locomoção da população naquele que é o maior país do mundo e causará aumento na demanda de consumo por produtos e serviço. Entretanto os impactos sociais negativos existem e mesmo sendo disfarçados e acobertados pelas autoridades tiveram e têm enorme importância na vida dos russos.

O país enfrenta inúmeros problemas por si só, como a distância entre uma cidade e outra, terrorismo que vem atacando a Europa, e problemas populacionais, como racismo e abuso dos direitos humanos, demonstrados principalmente por hooligans russos, que são pessoas sem ocupação na vida a não ser ir a jogos violentar torcedores de times contrários aos seus, prometendo um festival de violência. Isso se somado aos impactos sociais negativos a Rússia passar por um período desafiador.

Ela não economizou, em se tratando dos custos da Copa, sendo essa mais cara que a do Brasil, com um custo de 683 bilhões de rublos, o que equivale a R$38,4 bilhões. Se no Brasil o uso do dinheiro para estádios e outras infraestruturas que um evento deste porte requer foi de alguma forma inadequado, na Rússia isso está acontecendo com ainda mais intensidade, pois a verba veio mais do dinheiro público do que no Brasil, já que possui menos times proprietários de estádios.

Contudo a economia já se sente intimidada: sofre forte impacto da área do comércio, pois importantes fábricas podem ser total ou parcialmente fechadas durante a Copa. Além de agricultores declararem que temem a impossibilidade de firmar negócios internacionais devido às restrições de portos e estradas para exportação e importação, na cidade de Rostov-on-Don, que tem importantes terminais de grãos e sediará partidas durante os jogos, existem uma inflação na economia russa e acusações de corrupção e também de trabalho escravo dos norte coreanos.

Ainda com todos esses dados, o presidente Putin afirmou que usará a Copa para impulsionar a economia e mostrar o país como superpotência. Seus opositores porém, denunciam o superfaturamento de obras e corrupção. Também é necessário lembrar que o país recentemente sediou os jogos de inverno e cidades como Sochi ainda estão sob ressaca dele, que promete ser reeditada pela Copa.

Todos esses dados e conjuntos de fatores prometem atingir de forma drástica a população russa. Povo, que reelegeu pela quarta vez o presidente, fazendo com que seja o segundo mais duradouro no império russo, condenando o povo a um governo firme e padronizado, sem quaisquer chances de mudança.

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