Alemanha investe no futebol de forma inovadora

O país vem mudando sua técnica e seus jogadores há mais de 10 anos

Por Laura Pancini 

Na Eurocopa de 2000, a seleção da Alemanha deixava a desejar. Desclassificada na primeira fase após ter perdido para a Bélgica, marca apenas um gol. Essa derrota foi considerada um verdadeiro fracasso pelos alemães e os fez notar que estavam atrasados no futebol. Era necessária uma reestruturação completa.

“Desde o início dos anos 90 e até o início da última década, o futebol mudou muito”, disse Paul Breitner, ex-futebolista alemão, antes do tetracampeonato mundial. “E nós estávamos pensando que éramos os melhores, que não tínhamos que aprender nada com ninguém. Estávamos pensando exatamente como vocês brasileiros pensam hoje: que não precisávamos aprender nada. E fomos jogando cada vez pior, pior e pior”.

Os planos da DFB, a Federação Alemã de Futebol, para transformar seu país numa potência no esporte, iniciaram-se em 2002, com a meta de superar o Brasil como campeão em apenas duas décadas. O investimento do governo foi direcionado aos jovens: investindo milhões de euros em academias, escolas e centros de treinamentos, com o intuito de preparar os futuros profissionais desde a infância.

Graças à ação do governo, em alguns anos passaram a existir mais de 300 “escolas de base” por toda a Alemanha e mais de 650 mil jovens sendo analisados. As crianças podem se juntar a um time a partir dos 6 anos, subindo de categoria até chegar ao Sub21. Impossível não encontrar talentos nesse processo. Os técnicos de todos os centros de investimento seguem fielmente dois fundamentos estabelecidos pela DFB: renovação constante e foco na técnica. Deixando de lado o treinamento da força, algo comum antigamente, os pequenos jogadores começam logo cedo a aperfeiçoar suas habilidades, sempre abertos a inovar sua técnica.

Dez anos depois, fica claro que tal investimento certamente valeu a pena. Manuel Neuer, Thomas Müller, Andre Schürlle, Mario Götze e muitos outros grandes nomes do futebol atual começaram em tais centros de formação. Oscar Kretzinger, técnico de um dos clubes na região da Bavária, disse em uma entrevista para a Sportv em 2014: “Todos eles começaram nesses pequenos clubes na Alemanha. Houve a identificação do talento, e depois outros passos até o nível profissional. As crianças estão vendo os grandes times, os dribles e suas habilidades. Tudo bem se eles quiserem ficar bons como os grandes craques, mas temos que nos perguntar o que podem melhorar agora para alcançarem esse objetivo. Partimos desse pensamento e focamos nisso.”

Alemanha vencendo a Copa das Confederações pela primeira vez (Fonte: Getty)

Na Copa de 2014, a Alemanha surpreendeu o público no 7×1 contra o Brasil. As vitórias, após 12 anos de inovação do time alemão, começaram a aparecer nos últimos anos sem previsão alguma de parada. Já a Federação Alemã de Futebol também persiste em seus investimentos, planejando inaugurar em 2020 a “Academia DFB”, sede de centro de treinamentos e estudos em Frankfurt, que já é conhecida como o “Vale do Silício” do futebol.

Com o Brasil, França e Espanha, a seleção alemã é uma das favoritas da Copa de 2018. Com anos de desenvolvimento e planejamento nas costas, os jogadores alemães e seu técnico Joachim Löw vão não só atrás da quinta estrela, como também da meta lançada em 2002 para superar o Brasil em números de conquistas mundiais.

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