Por Beatriz Pugliese

Fanática torcendo e rezando pela vitória de seu time (http://www.espacojames.com.br/index.php?cat=19&id=13468)

Torcida brasileira na arquibancada do estádio erguendo uma bandeira do Brasil (http://blogs.diariodepernambuco.com.br/esportes/2012/03/20/torcidas-brasileiras-dentro-e-fora-de-casa/)

Fanatismo é um fenômeno que está presente em todas as sociedades e pode conter algo doentio. De acordo com o Dicionário Aurélio, fanático é o ser que segue de forma cega uma doutrina, tal devoção levando a atitudes radicais e compulsivas, muitas vezes até criminosas.

O fanatismo no futebol se desenvolve quando o torcedor ultrapassa o limite. O esporte deixa de ser um “hobby”, porém desperta uma fé inquestionável. Tal situação está cada vez mais aparente nos jogos e as consequências são extremamente negativas.

Primeiramente, o fanatismo é a causa das brigas constantes que ocorrem nos estádios e as situações se tornaram tão perigosas que foi necessária a aplicação da “torcida única” em determinados jogos, ou seja, a proibição da presença de duas torcidas rivais no estádio. Entretanto o fanatismo no futebol chegou a um ponto tão extremo que torcida única não é suficiente, os fanáticos ainda andam amedrontados de demonstrar sua paixão pelo time no dia a dia devido a comportamentos radicais.

No dia 4 de março o corintiano Danilo da Silva dos Santos, foi espancado e morto por santistas, deixando a mulher e duas filhas. De acordo com a Polícia Militar, alguns integrantes da Torcida Jovem do Santos foram detidos.  O ocorrido se passou no município de Itaquaquecetuba, região metropolitana de São Paulo, e se iniciou quando as torcidas se confrontaram antes do clássico que ocorreu naquela tarde no estádio do Pacaembu.

A psicanalista Edilaine Pugliese faz uma relação entre o fanatismo esportivo e o religioso, tendo o último analisado por Freud em seu livro “O Futuro de um Ilusão”. A profissional explica que o fanatismo funciona como uma defesa contra o desamparo sentido por todo ser humano. Assim como a religião, o fanatismo no futebol é um “sistema de crenças falsas” que cria ilusões. Enquanto o católico coloca sua fé e esperança e idolatra o terço, o torcedor faz o mesmo com o símbolo da camisa que veste.

Ainda, a psicanalista completa seu raciocínio com a tese do livro “Psicologia das Massas e Análise do Ego”, no qual Freud analisa como um ser pensante perde a racionalidade ao fazer parte de uma massa e como ele se torna dependente desse sentimento de pertencer ao grupo.  Essas análises são essenciais para entender por que o fanatismo é tão perigoso, principalmente quando aparece em conjunto.

No Brasil, a paixão por futebol está enraizada na cultura, os meninos devem aprender a jogar bola desde muito jovens e lutar para conseguir uma oportunidade num meio muito concorrido. As crianças acolhem o time de seus pais e torcem com toda a devoção. Entretanto é curioso pensar que os adversários que se confrontam na rua irão se reunir agora em junho para torcerem juntos pela seleção brasileira na Copa do Mundo. Afinal, o que importa no fanatismo é que seu time garanta o lugar especial de campeão, assim como o cristão quer garantir um lugar no céu.

Leave a Reply