Especialistas debatem questões culturais sobre megaeventos esportivos

Por Henrique Soto

O Grupo de Pesquisa em Jornalismo Popular e Alternativo do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, com apoio da Comissão de Extensão da ECA-USP organizou um workshop com a intenção de debater e questionar sobre a Copa do Mundo – seu legado e importância –, questionar os caminhos da seleção brasileira de futebol, destacar o valor das crônicas esportivas e dar espaço para os que estavam presentes publicarem microcrônicas no blog Jornalismo Esportivo da ECA-USP. Além de diversos sorteios ao final das apresentações. O mediador de tudo isso foi Carlos Augusto Tavares Júnior, doutorando na USP; o professor doutor Anderson Gurgel Campos (Universidade Presbiteriana Mackenzie) autor do livro “Futebol S/A – A economia em campo”, o pesquisador do Tema Jornalismo Esportivo e Seleção Brasileira Edwaldo Costa (Pós-Doutorando na USP) e o professor doutor Luciano Victor Barros Maluly (USP) autor do livro “Jornalismo Esportivo – Princípios e Técnicas”, foram os convidados que apresentaram trabalhos e análises ao público. O evento foi realizado no dia 22 de maio no Salão Nobre do Centro Universitário Maria Antônia, na Rua Maria Antônia, Vila Buarque.

Da esquerda para à direita: Luciano, Anderson, Carlos e Edwaldo.

O primeiro a falar foi Anderson Gurgel. Apresentou os megaeventos esportivos, a Copa do Mundo em especial, como influência na vida das pessoas, a maneira que é tratada pela mídia e o seu legado permanente. Estudar os impactos sócio-cultural-econômicos do esporte na vida social e na mídia é sua especialidade. Seu livro “Futebol S/A – A Economia em Campo” fala exatamente sobre a relação da mídia e dos negócios no esporte brasileiro. Anderson questiona se o futebol deveria ser a prioridade de investimento do brasileiro, que é apaixonado pelo esporte: “O modelo de organização de uma Copa do Mundo acaba criando um conflito entre a necessidade esportiva – de investir, criar esse momento de festa para as pessoas – e a necessidade política. Por um lado, tem a festa e o esporte que são coisas que agradam a maioria das pessoas, e, por outro, os megaeventos começam a ser muito criticados, por causa da necessidade de investimentos e de interesses políticos envolvidos no processo. ”

Capa livro “Futebol S/A – A Economia em Campo”, de Anderson Gurgel.

Depois foi a vez de Edwaldo Costa, que abordou mais a Seleção Brasileira de Futebol. Apresentou várias entrevistas com pessoas importantes no mundo da bola que expressavam sua opinião em relação ao tema. Edwaldo também exaltou o esporte futebol como um fator de inclusão social, que apesar de ter chegado como um esporte da elite, acabou se tornando uma oportunidade para jovens da periferia. Citou Pelé, que passou a ser rei através do futebol, mesmo em um país racista. “Ronaldinho Gaúcho é a mesma coisa. Ronaldo, o próprio Adriano, pessoas que eram de classe baixa, mas através do futebol conseguiram ascensão tanto econômica como social.” Ainda disse que os países estrangeiros possuem respeito pelos brasileiros por causa desse esporte: “Eu acredito que se hoje nós somos respeitados em países de primeiro mundo é graças ao futebol, ele ainda faz dos brasileiros um fenômeno de grande importância. ”

O último a se apresentar foi Luciano Maluly, que falou das crônicas esportivas e dos cronistas. Passou um longo áudio que Chico Bicudo, um dos mais importantes cronistas esportivos atuais, lhe concedeu. Discorrendo sobre o mesmo assunto. Os principais cronistas esportivos foram lembrados e a relação deles com a Seleção Brasileira, como formação de uma identidade cultural, foi dita por Maluly: “A relação dos autores com a cultura se dá pela relação da lembrança, da memória. Quando você tem referências relacionadas às questões do próprio país, como é o caso da seleção brasileira, que marcam. Por exemplo, é a sua memória voltada ao cotidiano, ao mundo do futebol, à família, à política, tudo vai se referenciar por esse símbolo que é a Seleção Brasileira de futebol. ”

Ao final das apresentações, houve o espaço para perguntas e debates. Posteriormente, o sorteio de diversos itens como canetas, flâmulas e mouse pads personalizados, além de livros e figurinhas.  Vários nomes da lista de presença foram sorteados aleatoriamente e tinham a oportunidade de escolher o prêmio. Também foram feitas perguntas puramente futebolísticas para presentear alguns mais.

Por fim, as pessoas que haviam preenchido o papel dado no começo do evento, de escrever uma microcrônica, puderam entregar para ser publicada sem alterações no Blog Jornalismo Esportivo da ECA-USP. Carlos Augusto Tavares Júnior, o mediador do Workshop, disse sobre o espaço cedido aos presentes para publicar curtas crônicas: “É um resultado que é da própria tecnologia. A tecnologia em si, agilizou a comunicação. Hoje em dia, a maioria dos jornalistas mantém um blog. Você escreve, logicamente do processo jornalístico vai ter o cuidado da apuração, de adequar o texto, mas por conta da tecnologia isso é possível. Ainda mais quando ela difundiu a possibilidade de você fazer coisas curtas, então, há muitas possibilidades. O desafio do próprio evento é trazer a pessoa para a seara da crônica, porque a crônica não é uma coisa simples na atividade do jornalista. Ela imprime suas opiniões, e, ao mesmo tempo, ela não pode ser parcial.”

Crônicas já publicadas no Blog Jornalismo Esportivo da ECA-USP.

Carlos ainda falou da criação e importância do evento: “A ideia do evento em si é para aproximar a comunidade da discussão sobre os esportes e como a comunicação o tem abordado. Nas transmissões ao vivo, por exemplo, a parte que mais tem presença na programação ao vivo é esportiva porque a maioria das outras são gravadas ou é uma compilação. Cada assunto no Brasil, quando você traz para o futebol, para o esporte, parece que a população participa e parece que o envolvimento amplia. E essa pauta também é muito diversa, porque ela é cultural.  Quando em um jornal você deixa de falar dos esportes parece que é tirado uma parte. ”

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