Há sucesso além da taça

Algumas seleções podem surpreender na Copa da Rússia.

Por Carolina Lopes

 

A Copa do Mundo 2018, sediada na Rússia, está se aproximando, e com ela a expectativa de torcedores dos 32 países participantes. Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina, por exemplo, são vistos pelos admiradores do futebol como fortes candidatos ao troféu. Mas a esperança de um bom desempenho não é exclusiva das seleções favoritas, nem se resume, necessariamente, na conquista da taça. Se para estas ganhar o Mundial é o grande desafio, para outras passar de fase ou simplesmente ganhar uma partida já é motivo de comemoração.

Prevê-se que seleções menos populares surpreendam os espectadores ao superarem os próprios rendimentos obtidos em Copas anteriores. Seja por conta de um quadro geral de avanços nos últimos campeonatos ou da participação de jogadores renomados no momento, algumas das apostas de superação para este ano são Bélgica, Croácia, Egito e Islândia.

Bélgica

Seu alto nível de jogadores coloca a equipe como uma das melhores de toda a história da seleção belga e prenuncia sucesso no ano de 2018. Apesar de não ser considerada uma das favoritas habitualmente, o time é avaliado por torcedores e especialistas como um possível finalista.

Nas Eliminatórias da Europa, fase de classificação para a Copa da Rússia, foi possível observar sua ótima performance. Dentre as dez partidas enfrentadas pela equipe, nove foram de vitórias e uma resultou em empate. Além disso, foram 28 os pontos marcados, o que significou uma diferença de 11 para a segunda colocada do grupo nas Eliminatórias, a seleção grega.

De Bruyne, do Manchester City, Eden Hazard, do Chelsea e Romelu Lukaku, do Manchester United, que atuam na equipe da Bélgica como meio-campistas e atacante, respectivamente, são os grandes destaques da vez. Eles prometem honrar o slogan que a seleção tem carregado consigo: “País pequeno, grandes jogadores. Espere o impossível”.

O time disputará a primeira fase do Mundial no grupo G, ao lado de Inglaterra, Panamá e Tunísia. O grande desejo é ultrapassar a semifinal, fase máxima que a Bélgica já alcançou.

Lukaku comemora gol decisivo para a classificação (Panagiotis Moschandreou/ EFE)

Croácia

O terceiro lugar conquistado em 1998 parece ter sido definitivamente esquecido por conta do seu baixo desempenho na última Copa. Em 2014, no Brasil, a seleção croata não conseguiu passar da fase de grupos, mas a esperança para 2018 é de superação.

Desta vez, a Croácia compete no grupo D que conta com a presença de Argentina, Islândia e Nigéria. A seleção argentina, apesar de ser forte, não está numa de suas melhores fases. Já a islandesa, assim como a própria Croácia, está entre os exemplos que podem surpreender nessa Copa. A seleção nigeriana já conquistou ouro no campeonato olímpico de 1994, mas não é vista como uma forte concorrente ao título devido à sua falta de organização. Assim, a seleção croata pode ser vista como um desafio para as rivais na fase de grupos, tendo grandes chances de avançar às oitavas e daí em diante espera-se surpreender positivamente.

Para alcançar seus objetivos, o time reúne importantes nomes. Luka Modric, considerado um jogador moderno e de boa visão, atua como meia na seleção do país e é também o atual capitão. Ele, que joga no famoso time europeu Real Madrid, agrega muito à seleção. Outros jogadores de notoriedade são Ivan Rakitic, igualmente meio-campista, e Mario Mandžukic, atacante do time.

Luka Modric em campo (AFP)

Egito

A vitória da seleção egípcia numa partida contra o Congo, em outubro de 2017, garantiu sua volta ao Mundial após 28 anos sem participar. Então, selecionado como componente do grupo A, o Egito disputa a primeira fase da Copa contra Arábia Saudita, Rússia, e Uruguai. Considerado um grupo com grau de dificuldade relativamente baixo, é a oportunidade perfeita para o time se destacar.

Mohamed Salah é o jogador de maior notoriedade e tem apresentado excelente desempenho como um dos quatro atacantes do time. Foi ele que marcou os dois gols decisivos do jogo de classificação para a Copa  2018 e seu sucesso como integrante do Liverpool lhe confere ainda mais prestígio, devido ao grande número de gols marcados na UEFA Champions League. Além dele, o volante Elneny e o zagueiro Hegazi são exemplos de componentes com experiência em times europeus: Arsenal e West Bromwich, respectivamente.

Apelidado de “Faraós”, o time é um destaque para a África, apesar de suas únicas três convocações na história da Copa do Mundo. A aspiração, agora, é chegar às oitavas de final, já que nas outras duas edições em que participou, o país não conseguiu chegar a essa fase. Outras seleções do continente africano que participarão são Marrocos, Nigéria, Senegal e Tunísia.

Jogadores que representarão o Egito na Copa do Mundo de 2018 (AFP)

Islândia

Sensação da última Eurocopa, a equipe islandesa vive uma era extraordinária se comparada às anteriores. O ano de 2018 marca a estréia do país em Copa do Mundo, mas o sucesso não veio repentinamente. Se agora a Islândia conseguiu a classificação, ela é, na realidade, resultado de um processo de anos.

Num país com pouco mais de 300 mil habitantes e com histórico de fragilidade no futebol, os últimos tempos foram marcados pela reversão desse quadro graças a grandes investimentos. Houve um foco voltado para as seleções de base, que renderiam sucesso futuro. E de fato renderam.

Além disso, entre 1990 e 2000, a construção de campos cobertos, climatizados e de grama artificial se intensificou. Num país de baixíssimas temperaturas, esse tipo de infraestrutura é fundamental para que os jogadores possam treinar durante todo o ano. A Islândia ainda contou com treinadores mais preparados e jogadores com experiência internacional.

Equipe islandesa comemora primeira classificação para a Copa do Mundo (Haraldur Gudjonsson/AFP)

Bélgica, Croácia, Egito e Islândia são apenas algumas das apostas de equipes que podem surpreender na Copa da Rússia. Cada país com sua particularidade, seus pontos fortes e fracos e suas histórias individuais, conseguiu construir equipes que mostram superação. Independentemente do resultado do Mundial, elas já fazem história.

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