A técnica foi durante quase toda sua história um recurso utilizado pela humanidade com o intuito de superar inúmeros de seus problemas, como a frio, a fome e a falta de abrigo. Hoje, visa-se através dela solucionar problemas como a comunicação transcontinental e imediata.

Além disso, foram criadas ferramentas que, teoricamente, permitiriam aos seus usuários compartilhar de forma livre suas pessoalidades e personalidades, através de imagens, sons, vídeos, etc; “redes sociais” que os conectariam tanto a vizinhos e amigos quanto às celebridades e tomadores de decisão, e que lhes garantiriam o mesmo poder de fala que esses últimos, o que por consequência alimentaria a democracia. Ao menos, essa foi a promessa das redes.

Como exemplo disso, foi dado o papel desempenhado pelas mídias sociais em conflagrar a chamada “Primavera Árabe”. De fato, é inegável interfaces como o Twitter e o Facebook facilitaram o surgimento e organização de movimentos anti-ditatoriais nos países do Oriente Médio naquele período. Tal feito foi amplamente louvado por comentaristas políticos ocidentais como a nascimento da democracia representativa na região, uma democracia que foi germinada na internet interativa.

Entretanto, hoje nos é evidente que as redes não conseguiram se sobrepor às determinações geopolíticas, que impossibilitaram o surgimento e manutenção de regimes democráticos na vasta maioria dos países atingidos pela Primavera.

Além disso, atualmente o consenso sobre a inerente democratização nos proporcionada pelas redes é muito mais turvo, em vista de recentes escândalos em relação à obtenção e venda de data por parte das gigantes da área de comunicação e consultoria, como a Cambridge Analytica.

“Até quando os usuários vão tolerar esse modelo de negócio em que você é realmente usado? Eles estão começando a ficar mais conscientes em relação a esse tipo de interface e a não tolerar mais ser massa de manobra” afirma a professora Deborah Magnani, mestre em artes pela University the of Arts London.

De fato, após os escândalos, empresas como o Facebook enfrentaram uma derrocada de usuários após os escândalos. A compania de Mark Zuckerberg também perdeu cerca de US$ 60 bilhões após uma desvalorização no índice Nasdaq pelo mesmo motivo. Mesmo assim, o grupo Facebook ainda é uma das empresas mais valiosas do planeta e seu reino sobre a internet continua praticamente indisputado.

“A internet tem dono. É um latifúndio de algumas pequenas fortunas” afirma a professora. A expansão do grupo Facebook através das compras de rivais é uma notável quebra da legislação anti-monopólio e contraria os supostos princípios democráticos sobre os quais a rede se fincou. “Essa questão da legislação digital ainda é muito recente. Se a internet pode ser dividida e conquistada, como ela está hoje, então ela pode ser legislada”.

Embora países como o Brasil já tenham aprovado suas respectivas legislações virtuais, como o Marco Civil da Internet, muitas destas empresas, por estarem sediadas nos Estados Unidos, respondem somente à legislação americana. Entretanto, devido ao imenso poder das companias e sua intensa campanha de lobbying em Washington, não há ainda legislação nos EUA capaz de garantir a devida privacidade e os direitos dos usuários.

De fato, por mais que as redes sociais sejam um fenômeno recente, seu impacto sobre a vida e a sociedade contemporânea foi tremendo. Seu futuro, entretanto, é incerto. Enquanto seus donos se recusam a adotar um modelo de negócios mais transparente e honesto, a esperança dos usuários repousa na adoção de uma legislação progressista e sensata sobe os seus direitos na internet.

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