Carl Palmer retorna ao Brasil com o legado do Emerson, Lake & Palmer

Por: Gabriel Solti Zorzetto

Na última quinta-feira (24), o lendário baterista Carl Palmer iniciou uma curta turnê de três shows pelo Brasil, sendo o primeiro deles em São Paulo, no Espaço das Américas. Oportunidade única para os aficionados do rock progressivo que, depois do auge nos anos 70, viram o gênero cair no descrédito em tempos de música previsível, preguiçosa, de fácil digestão e com pouca – ou nenhuma – elaboração rítmica e conceitual.

Dentro da elegante casa de shows paulistana localizada na Barra Funda era possível identificar os cabelos longos – dos que conseguiram conservá-los – e grisalhos que chegavam timidamente vestidos de destacáveis camisetas com estampas de grupos como Yes, Pink Floyd, King Crimson, Jethro Tull e, obviamente, do Emerson Lake & Palmer.

O local – de excelente acústica, como sempre – estava cheio, com cerca de 1000 pessoas distribuídas em mesas, e coberto de muita expectativa até que, às 22h, Carl Palmer subiu ao palco acompanhado dos jovens Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Fitzpatrick (baixo e chapman stick). Em uma forma física invejável para um senhor de 68 anos, Palmer desceu o braço e entregou um concerto visceral de quase duas horas de duração.

O entrosamento da banda, junto ao virtuosismo dos músicos que acompanhavam Palmer, já puderam ser constatados nos primeiros acordes, emocionando os fãs do Emerson, Lake & Palmer que se extasiaram ao ver um revival do repertório da banda, considerado um dos mais vitoriosos e marcantes grupos de rock progressivo de todos os tempos.

Números como “Knife Edge” (ELP, 1970) e “Hoedown” (Trilogy, 1972) mostraram o garoto Paul Bielatowicz se agigantando em novos arranjos sem a pretensão de ocupar espaços deixados pela ausência do órgão Hammond de Keith Emerson – marca registrada do som do ELP. A opção do trio foi partir para um som mais pesado e limpo, embora ainda marcado pelas tradicionais convenções extraídas da música clássica, resultando assim, numa escolha certeira e refrescante para o som “marcado” (não confundir com “datado”) dos anos 70.

Já as clássicas “Welcome Back My Friends” (Brain Salad Surgery, 1973), dedicada ao falecido Keith Emerson e “Tarkus” (Tarkus, 1971), tocada na versão completa, apenas escancaram o talento e energia que Carl Palmer ainda carrega.

Ao término da noite, os fãs deixavam o Espaço das Américas absolutamente extasiados. Marcelo, de 62 anos, junto de seu filho Pedro, de 15, disse: “Foi espetacular. A energia que ele ainda tem é algo impressionante. Que show! ”.

E para aqueles que acreditam que o rock progressivo é um estilo superado e chato, com suas suítes lisérgicas intermináveis, Carl Palmer provou aos paulistas que diante de tanta mediocridade que reina na música atual, um “simples” power-trio progressivo pode fazer algo muito importante e necessário: surpreender-nos positivamente, com um virtuosismo que não é uma simples exibição musical, mas um movimento que se comunica com o público e nos tira do conforto e do lugar comum.

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