Por Lara Sylvia

A Wicca é uma religião que vem quebrando paradigmas e ganhando mais adeptos a cada dia, devido a maior liberdade religiosa dos dias atuais. Apesar de alguns chamarem-na de “a religião mais antiga do mundo”, a Wicca, palavra do Inglês Antigo que significava homem sábio ou xamã, foi reconhecida oficialmente em 1986. O título se deve ao surgimento das tradições wiccanianas no período Neolítico, em várias regiões da Europa, onde hoje se localiza a Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, indo até o Sudoeste da Itália e a região da Britânia na França.

A partir do momento em que os Celtas invadiram a Europa, quase mil anos antes de Cristo, e trouxeram suas próprias crenças, que, ao se misturarem às crenças da população local, foi originado o sistema que deu nascimento à Wicca. Entretanto, na Idade Média a Bruxaria foi relegada às sombras com o domínio da Igreja Católica e a criação da Inquisição, cujo objetivo era eliminar de vez as antigas crenças, transformando-as em “pagãs”, gerando assim preconceitos e falsos mitos sobre essa religião xamânica moderna.

A Wicca ressurgiu e se popularizou nos anos 50, após o bruxo inglês Gerald B. Gardner impulsionar o renascimento do culto com esse nome, juntamente com outros bruxos e bruxas. Em 1954, após a revogação da última lei britânica sobre a prática da bruxaria, ele lançou o livro que viria a se tornar um marco para o ressurgimento do paganismo no mundo, chamado “Bruxaria Hoje”.

Segundo Gardner, a religião, na qual ele fora iniciado, era uma sobrevivente moderna de uma antiga religião da bruxaria, que tinha existido em segredo durante centenas de anos, originária do Paganismo pré-cristão da Europa, por isso, muitos se referem à Wicca como a Velha Religião ou a Nova Religião dos Velhos Deuses. Então, após a apresentação pública dessas práticas feita pelo escritor inglês, passou a existir a Wicca Gardneriana, com a função de preservar a “Arte” (o fazer da magia).

 

Livro das Sombras de Gerald Gardner dado a Sumo Sacerdotisa Doreen Valiente. Foto: Divulgação

 

Os princípios básicos

A Wicca é uma religião orientada para a Natureza, onde os wiccanianos procuram um equilíbrio espiritual, utilizando as energias, de forma a direcioná-las positivamente para suas vidas e das pessoas ao seu redor. O uso destas energias é chamado de magia. Eles também celebram o ciclo das estações, as fases da lua e a celebração da colheita.

Rituais e mentalizações

É um conjunto de práticas com a finalidade de emanar aquilo que o bruxo gostaria de receber, deixar para trás situações ruins presentes ou evitar futuras, mandar energia positiva para algum ente querido e afins. Eles utilizam diversos itens em seus rituais, como cristais, incensos, velas, plantas, amuletos e até a energia de seus deuses e elementais.

 

Ritual de magia Wicca.                                                              Foto: Divulgação

 

Deuses

Os wiccanianos são politeístas e acreditam em dois principais deuses: O Deus Pai dos Mil Nomes, conhecido como Cernuno, que é a representação dos animais, dos seres vivos e do Sol; e a Deusa Mãe, representando a natureza e a Lua. Os dois deuses se completam e juntos potencializam os bruxos de energia em seus rituais, meditações e mentalizações.

Elementais

Existem quatro elementais, a água, o fogo, a terra e o ar, seres sagrados da natureza nessa religião. Assim como os deuses, os elementais auxiliam na prática de rituais mágicos ou de meditações.

 

Os cinco elementos na Bruxaria.                                           Foto: Magia no Dia a Dia

 

Lei Tríplice

É a Lei do Retorno para os praticantes da bruxaria. Para eles, toda ação que um indivíduo tem, seja para o bem ou para o mal, faz com que futuramente ele receba essa energia para si mesmo de forma três vezes mais intensa.

Caldeirão

O caldeirão representa o útero da deusa, por isso, os wiccanianos colocam objetos como pedras e cristais ou queimam ervas dentro dele para que se atrair a energia positiva, banir coisas ruins que tenham acontecido ou para que se realize o determinado pedido que estejam fazendo naquele ritual. Nesse caso também pode ser utilizado o Athame, uma faca de dois gumes.

 

Caldeirão utilizado para fazer magias e rituais.                          Foto: Divulgação

 

Varinha Mágica

Geralmente são produzidas pelo próprios bruxos, utilizando-se de pedaços de gravetos e customizações. Servem para abrir e fechar círculos mágicos (círculos de proteção energética) e direcionar os objetivos daquele que as usa.

 

Varinha feita por bruxo.                                                               Foto: Divulgação

 

Preconceitos disseminados até hoje

Após a criação da Inquisição durante a Idade Média, a Bruxaria passou a ser perseguida pela Igreja Católica a fim de transformar outras crenças antigas em tradições pecaminosas para que tivesse domínio completo do povo, distorcendo os conceitos e a imagem das práticas religiosas pagãs. A execução de magia passou a se tornar um crime digno de pena de morte (enforcamentos, fogueira, afogamentos) perante a sociedade cristã, atingindo principalmente as mulheres. Desde aquela época, diversas mentiras sobre a Wicca foram ganhando força e ainda nos dias de hoje muitas pessoas acreditam nesses falsos mitos, fazendo com que essa religião seja um tabu.

 

Feministas fazem camisetas com frase referente ao assassinato de bruxas pela inquisição. Foto: Divulgação

 

Bruxas adoram o diabo

Segundo o livro “Crenças e Práticas da Wicca”, os adeptos dessa religião não acreditam no demônio. Os conceitos da teologia cristã de Diabo, Inferno, Anjos, Deus único e Céu não fazem parte dos princípios wiccanianos, que entram na categoria politeísta, assim como o budismo e o hinduísmo. Eles acreditam somente em seus Elementais e em vários deuses e deusas ligados à natureza. Muitas vezes a imagem do Deus Pai Cernuno, que possui chifres e representa a fauna, é confundida com as imagens do Diabo cristão.

 

Estatueta de Cernunno.                                                              Foto: Divulgação

 

A Wicca possui uma “bíblia negra”

Essa religião não possui nenhum tipo de bíblia. Os bruxos, na verdade, costumam ler obras de autores que falem sobre o assunto para terem referências e conhecimento, além de fazer seus próprios “Livros das Sombras”, que é como um diário personalizado onde eles anotam informações, registros e aprendizados sobre os rituais, práticas, invocações e outros escritos que acharem úteis para praticar sua fé na magia.

Os bruxos e bruxas são pessoas más

De acordo com o livro “Wicca de A a Z”, muitas pessoas acreditam nesse mito e, por esse motivo, os bruxos começaram a se intitular como wiccanianos, para não sofrerem mais preconceito por conta de sua crença. Além disso, a Wicca não prega o uso da magia de modo prejudicial e não encoraja seus adeptos a prejudicar seus semelhantes com maldições e vinganças, pois eles creem que a Lei Tríplice é uma justiça que será feita naturalmente.

A Wicca não é uma religião de verdade

A Wicca foi reconhecida em 1986 pelo governo dos Estados Unidos da América como uma religião oficial, contando até com feriados religiosos que variam de estado para estado. De acordo com o Departamento de Educação de Nova Jersey, hoje em dia já são reconhecidos cerca de oito feriados wiccanos. No Mabon, por exemplo, que é o feriado de 23 de outubro e marca o início do outono, as crianças wiccanas são dispensadas de frequentar a escola para a comemoração. Existem alguns outros além desse, mas não são muito conhecidos pela maioria da população.

Wiccanianos sacrificam animais

A religião bruxa reverencia a natureza e todos os seres pertencentes a ela, assim, seus seguidores costumam ter um enorme respeito pelos animais. Segundo “O Livro de Bolso da Wicca”, sacrifício de sangue de qualquer tipo é contra a lei wiccaniana.

A prática atual da Bruxaria

Hoje em dia, desde o lançamento do livro de Gerald Gardner, a religião neopagã das bruxas tem aumentado cada vez mais o seu número de interessados e adeptos, devido a frequente busca por religiões que contemplem práticas místicas, fora do tradicional, voltadas às forças da natureza, principalmente porque o meio ambiente é um assunto dos assuntos contemporâneos com maior enfoque da sociedade moderna mundial.

Na era da tecnologia, é muito comum ver discussões online, grupos de estudo em redes sociais e canais no Youtube voltados para a temática Wicca e Bruxaria em geral. Isso facilita o encontro de pessoas que têm interesse em aprender a praticar magia, sem que precisem sair de casa.

A Wicca é uma religião iniciática, e pode ser praticada tanto de forma tradicional, em grupos com mestres, quanto de forma solitária. Nas formas tradicionais, os praticantes avançam através de “graus” pré-definidos de iniciação e geralmente trabalham em círculos. No modo solitário, os bruxos geralmente se dedicam independentemente, se auto-iniciam nas práticas da Wicca, e depois normalmente a praticam sozinhos. Algumas vezes, wiccanianos solitários são iniciados por outros sacerdotes ou sacerdotisas antes de estabelecerem sua prática por si mesmos.

Existem atualmente alguns centros religiosos que funcionam como Covens ou Escolas de Bruxaria modernos no Brasil, alguns do espaços dos mais conhecidos são:

MAGIA DOURADA ESPAÇO ESOTÉRICO
Rua Apinajés, 1053 – Sala 2 (Perdizes) – São Paulo – SP.
Inscrições: (11) 4324-0343 / 3976-5711
E-mail:magiadourada@terra.com.br

 

Sala do espaço Magia Dourada.                                       Foto: Divulgação

 

TEMPLO DE BRUXAS
Rua Maj. ngelo Zanchi, 681 – Penha de Franca – São Paulo – SP
Inscrições: (11)2849-9643/(11)98998-4631
E-mail: marciasancao@templodebruxas.com.br

 

Integrantes do Templo das Bruxas fazendo ritual.                       Foto: Divulgação

 

Wicca Cia. das Bruxas
Atendimento Online
Email: wiccaciadasbruxas@ig.com.br
contato@wiccaciadasbruxas.com.br

 

Espaço Holístico Faces da Lua
Rua Colônia da Glória, 414 – Vila Mariana – SP, São Paulo
Telefone: (11) 2306-1751
Endereço: contato@facesdalua.com.br

 

Sala central do espaço de magia.                                               Foto: Divulgação

 

Nestes locais de estudo e prática da bruxaria são celebrados também com rituais, comidas, bebidas e música as datas comemorativas Wicca relacionadas à colheita, ao plantio e ao amadurecimento. O calendário dos bruxos se baseia na Roda do Ano, quando as celebrações são chamadas de Sabbaths, que podem durar de um dia a uma semana inteira: Samhain (fim do outono/Ano Novo pagão), Yule (início do inverno), Imbolc (fim do inverno), Ostara (início da primavera/Páscoa pagã), Beltane (fim da primavera), Litha (início do verão), Lammas (fim do verão) e Mabon (início do outono).

Junto com essas comemorações, são feitos os cultos de Esbaths vinculados às fases da lua e aos meses: Lua de Sangue (abr), Lua Escura (mai), Lua de Carvalho (jun), Lua do Lobo (jul), Lua da Tempestade (ago), Lua dos Ventos (set), Lua da semente (out), Lua da Flor (nov), Lua Brilhante (dez), Lua da Benção (jan), Lua da Colheita (fev), Lua da Cevada (mar), além de uma décima terceira Lua em determinados anos. Estes espaços sagrados são muito importantes para a preservação das tradições celtas, xamânicas e de práticas pouco conhecidas como a Wicca.

Depoimento da bruxa Samantha Morato

“Sou estudante de Publicidade e Propaganda e tenho 18 anos. Conheci a Bruxaria há 3 anos atrás, eu reencontrei uma amiga distante e começamos a conversar, então ela me apresentou a Wicca. Nessa época eu não fazia ideia de como era de fato a bruxaria, e conforme ela foi me explicando a religião, eu me interessei e comecei a estudar. Me informei basicamente pela internet, por vídeos do Youtube, algumas meninas que conheci no Instagram e em grupos de Whatsapp. Nessa época fiquei receosa, pois foi quando eu comecei a namorar e tinha medo que o meu companheiro me julgasse por isso. Hoje em dia, a maioria das pessoas que eu convivo sabem que sou bruxa e isso causa certo espanto em muitas delas, sempre tem alguém que acha que a bruxaria é algo ruim e me dá as costas por isso. Dentro da minha família, não me impedem, tanto que posso fazer meus rituais e ter meu altar à mostra, mas infelizmente me julgam bastante e vivem falando que estou fazendo algum tipo de macumba. As piadinhas dos meus colegas também estão sempre presentes no cotidiano.

Apesar disso, a bruxaria interfere de uma boa maneira na minha vida. Eu me sinto mais alegre nos dias em que faço algum ritual, me sinto mais conectada comigo mesma e com a magia. Levo muito em consideração a Lei Tríplice e isso me tornou uma pessoa muito melhor, sem dúvidas. As pessoas que antes eu desejava o mal, hoje apenas desejo que percebam seus erros assim como agora eu percebo os meus. Quando alguém me magoa ao invés de ser rude e desejar coisas ruins, trato com respeito e desejo que um dia ela entenda o que fez. Acho que a bruxaria influencia muito na minha vida e é uma prática muito positiva porque conheço várias pessoas se tornaram melhores depois de entrarem na Wicca. Assim como alguns cristãos dizem que a vida deles melhorou depois de encontrar Deus.”

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