São Paulo tem espaço coletivo para criação de música

Participantes começam suas produções no Beat Brasilis.                           Foto: Luiza César

Por Luiza César

Localizada na Praça da Bandeira, a Red Bull Station dá nova vida para um edifício de 92 anos. Espaço em que estava estabelecida a antiga subestação Riachuelo de energia, o edifício passou por um processo de reforma e requalificação, abrindo as portas em 2013, com um novo nome.

Com cinco andares a Red Bull Station oferece uma programação gratuita, que inclui shows, performances, workshops e exibições de filmes. Um de seus eventos é o Beat Brasilis. Já em sua segunda edição (a primeira foi dedicada às mulheres) patrocinada pela Red Bull Station, o Beat Brasilis é um encontro entre DJ’s, MC’s, músicos e beatmakers. O evento começou na Matilha Cultural (no centro de São Paulo) e agora é realizado todas quartas-feiras, na casa Brasilis no bairro Pompéia.

Entrada da galeria principal da Red Bull Station.                                   Foto: Luiza César

O propósito do evento é o de organizar um grupo de estudo, um ambiente de troca. A cada encontro os primeiros participantes a chegarem no local escolhem um disco de vinil aleatório como inspiração para samplear e produzir suas músicas. Com diferentes equipamentos e plataformas, cada participante desenvolve seu trabalho que é apresentado ao final do evento.

O Beat Brasilis, além de ser um ambiente de aprendizagem, também é uma oportunidade para aqueles que gostam de rap, acompanham algum produtor e se interessam pelo assunto ou possuem a máquina em casa, mas não sabem como a utilizar. Gomes, um dos participantes do encontro e que está presente no projeto desde que se encontrava na Matilha Cultural, conta sobre sua importância; “Teve muitos, na verdade, que começaram por conta desse grupo, porque tinha a máquina em casa e não sabia mexer e não tinha ninguém com referência para poder usar, uma referência próxima. Além dessa troca que sempre a gente tem nessas quartas-feiras, a galera aprende muito porque às vezes o cara tem a coisa, ele tem um pensamento, um raciocínio com a construção da música, mas ele não sabe fazer aquilo na máquina que ele tem. Com isso, a gente vai trocando e aprendendo com o outro.”

A edição 171 do Beat Brasilis que ocorreu no dia 26 de maio, na Red Bull Station mostrou que mesmo amadores, os 25 participantes mostraram que sabem o que estão fazendo. O disco dessa edição era do artista M. Takara, “Sobre Todas e Qualquer Coisa” que inclusive, já participou do encontro. A galeria principal do edifício da Red Bull foi montada com mesas, mesa de som e cadeiras para que a produção, que ocorreu das 14h às 21h, acontecesse. As produções fluiam em um ambiente que intensificava foco e concentração. Os participantes com seus fones de ouvido e suas máquinas estavam em constante troca de ideias.

Disco do artista M. Takara, “Sobre Todas e Qualquer Coisa”.                   Foto: Luiza César

Todos apresentam suas produções ao final de cada encontro, como uma forma de celebrar o trabalho produzido e trocar conhecimentos com os outros colegas. “O legal é essa troca porque você vem aqui, você tem que vir e tem que ter o seu compromisso de apresentar um trabalho, uma música no final da sessão. Então é meio que um lance de vencer a si próprio, porque você vem pega um disco que você não conhece e você tem que fazer daquilo virar uma música”, afirma o DJ Dablyo, também um fiel participante das edições.

Todo o material produzido é disponibilizado na plataforma online, Soundcloud, no perfil Beat Brasilis. As sessões tanto na Casa Brasilis quanto na Red Bull Station são abertas ao público, é só trazer seu equipamento, espírito coletivo e inspiração.

Foto dos participantes da edição 171 do Beat Brasilis.                            Foto: Luiza César

 

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