Além das etiquetas, moda compromete meio ambiente

Por Sofia Ferreira 

Imagem da campanha internacional do Fashion Revolution (Alastair Strong/Divulgação)

Em 24 de abril de 2013, acontecia, em Bangladesh, o desmoronamento do Rana Plaza, prédio de confecção de grandes marcas que deixou 1.130 mortos e mais de 2.500 feridos. Esse prédio era sede da fabricação de gigantes da moda, que por trás de todo luxo, possuem sua produção feita por trabalhadores sujeitos a péssimas condições de vida e trabalho, remunerados por valores que representavam menos de 5% do valor final de cada peça vendida. Buscando acabar com essa realidade, um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável iniciou o movimento Fashion Revolution, que luta contra a exploração trabalhista de funcionários desse setor e a diminuição do impacto ambiental causado pelo ramo, além do fim da cultura de descarte das peças e objetos.
A indústria da moda é hoje uma das maiores responsáveis pela poluição mundial. Apenas em São Paulo, 26 toneladas de resíduo têxtil vão parar nos aterros sanitários todos os dias e, desse número, estima-se que 80% poderia ser reaproveitado. Calcula-se também que 20% da contaminação das águas do mundo vem do tingimento de tecidos. Além disso, mesmo a indústria da moda empregando 1 em cada 6 pessoas no mundo, mais de 250 milhões de crianças trabalham hoje para o ramo, e os maiores escândalos de trabalho escravo estão diretamente ligados a esse comércio, até mesmo no Brasil, como foi o caso de marcas como Le Lis Blanc e Daslu.

I Made Your Clothes: mensagem de resposta à hashtag #Whomademyclothes (Divulgação/Reprodução Instagram @fash_rev)

Com o slogan #Whomademyclothes – #Quemfezasminhasroupas, em português – a ação vem movimentando a internet. Apenas em 2017, mais de 100 mil pessoas indagaram as grandes marcas sobre a procedência de seus produtos. Como resultado, 2.416 marcas responderam à hashtag e compartilharam informações sobre sua cadeia produtiva, e mais e 3.600 profissionais responderam #imadeyourclothes – #eufizassuaroupas, em português – através das postagens. “Acreditamos que ao conhecer quem efetivamente fez suas roupas criamos uma relação de mais carinho com a peça, e assim cuidamos melhor, fazendo com que ela dure mais, e que sejamos mais felizes ao usar ela. Também mudamos nosso conceito de valor sobre a peça, ao entender o trabalho que ela deu para ser feita. Quando você valoriza um trabalho e um profissional você aumenta a consciência de que vivemos em um mundo coletivo, feito de pessoas, e que temos que cuidar de todas essas pessoas como iguais”, explica Marina de Luca, Diretora de Comunicação do Fashion Revolution Brasil.

I Made Your Clothes: mensagem de resposta à hashtag #Whomademyclothes (Divulgação/ Reprodução Instagram @fash_rev)

A efemeridade da moda é um dos motores contribuintes para a relação ainda fria entre a massa de pessoas que consomem roupas e acessórios sem analisar e pensar sobre os impactos que aquelas peças podem trazer para o ambiente, a maneira como foram produzidas, e – o mais importante – se cada peça comprada é realmente necessária. “ A cultura do descarte ainda é muito forte na nossa sociedade. O ideal, seria que antes de comprar algo, as pessoas passassem mais tempo olhando para dentro de si mesmas e se indagando: preciso mesmo desse item? Não posso pegar emprestado de alguém? Caso precise mesmo comprar, pode ser em um brechó? Ou de segunda mão? E se a resposta para todas essas perguntas ainda te levar a compra: posso comprar de uma marca com princípios que acredito? Um produtor local, que use matéria prima consciente, pague bem a sua cadeia e gere impacto social na minha comunidade? “ Explica Marina.

Leave a Reply