Centro Histórico de Santana de Parnaíba garante uma viagem no tempo

Por Giovanna Linck

Santana de Parnaíba, cidade que nasceu às margens do rio Tietê, carrega muita informação em seu centro histórico, até nos paralelepípedos das ruas. Há registros de que o primeiro a se instalar na região foi o português Manuel Fernandes Ramos, participante de uma expedição realizada em 1561 por Mem de Sá para explorar o sertão, em busca de ouro e metais preciosos. Posteriormente, seus herdeiros resolveram erguer, em 1580, uma nova capela, desta vez em honra de Sant’Ana. Em 14 de novembro de 1625, o povoado que cresceu ao redor da capela foi elevado à categoria de vila com a denominação de Santana de Parnaíba.

Graças às técnicas de restauração desenvolvidas pelo Projeto Oficina Escola (POEAO), Santana de Parnaíba preserva seu patrimônio histórico. Com suas construções coloniais, a cidade concentra um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Estado, com 209 edificações, tombadas, em 1982, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT).
A cidade está a 43 Km de São Paulo e é possível fazer o passeio pelo Centro Histórico a pé em apenas um dia. Comece pela praça “14 de Novembro”, lá você encontra o “Coreto Maestro Bilo”, doado e construído em 1982, com ferros que vieram da Inglaterra, hoje é palco de apresentações e é considerado um cartão de visitas da cidade; em seguida, siga para a “Igreja Matriz Sant’Ana”, logo em frente a praça, um dos pontos mais conhecidos da cidade, a construção é de taipa de pilão com piso de canela-preta, madeira ameaçada de extinção.

 

Matriz Santa Ana.                                                                                                          Foto: Giovanna Linck

Saindo da igreja, à esquerda, é possível avistar uma grande casa branca com longas portas e janelas verdes, com paredes em taipa de pilão, típico das construções paulistas da época, é o “Complexo Cultural Museu Anhanguera e Casarão Monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo”, tombado em 1958 pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (IPHAN).

 

Museu Anhanguera e Casarão Monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo.           Foto: Giovanna Linck

No museu “Casa do Anhanguera”, antiga residência bandeirista urbana na qual, presume-se, residiu o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, O Anhanguera, um pouco mais sobre a história da cidade, dos bandeirantes e parte da mobília típica da época, como baús, uma cama com estrado de cipó, lamparinas e diversos utensílios; no “Casarão Monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo”, além de uma ótima vista para a região, o visitante encontra mais história sobre a arquitetura, festas e culinária típicas locais.

 

Interior do museu Casa do Anhanguera.                                                                            Foto: Giovanna Linck

“Recomendo a festa de Corpos Christi, que tem os tapetes, e, em maio, a festa do Cururuquara, que tem samba de bumbo, e acontece desde 1888 após a escravatura”, diz Jorge Eugênio Junior, morador há 40 anos de Santana de Parnaíba, faz licenciatura em história e é estagiário do “Complexo Cultural Museu Anhanguera e Casarão Monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo”.

Saindo do complexo siga para o sobrado amarelo de portas e janelas verdes, logo em frente, onde é o “Centro de Memória e Integração Cultural” (CEMIC). Atualmente no térreo está ocorrendo a exposição “O Pequeno Príncipe em Santana de Parnaíba”, que vai até 3 de junho e conta com a coleção de edições do “Pequeno Príncipe” da biblioteca do “Mosteiro de São Bento”. No andar superior, pesquisadores podem ter acesso a um acervo cultural da cidade.

 

Frente do CEMIC.                                                                                                              Foto: Giovanna Linck

Ao sair do CEMIC vire à esquerda e desça a rua Largo da Matriz, você logo vai avistar o “Cine Teatro Coronel Raymundo”. O espaço de arte que existe desde o final do século XIX, também é conhecido como Cine Parnahyba ou Parnaíba Cinema, nele aconteceram apresentações culturais que fazem parte da história parnaibana, também foi palco de apresentações teatrais. O teatro recebeu o nome em homenagem ao responsável pela doação do terreno onde foi construído o prédio. Atualmente, é palco de várias atividades culturais. Lá você encontra também uma exposição de obras de arte da artista Arlete Mello e os livros de seu marido, o escritor, Nelson Mello.

 

Fachada do Cine Tearo Coronel Raymundo.                                                                      Foto: Giovanna Linck

 

Exposição de quadros e livros.                                                                                         Foto: Giovanna Linck

 

Interior do teatro.                                                                                                                Foto: Giovanna Linck

“Gosto de ir aos shows na praça, de comer açaí”, diz Bruna Rodrigues, 16 anos, estudante que ajuda na loja dos pais e mora na cidade há dez anos. Ela ainda recomenda aos visitantes “o ‘Museu do Anhanguera’, os monumentos e os museus de artesãos pela cidade”. Entre um ponto e outro, não deixe de prestar atenção nas diversas lojas de artesanato pelo caminho e nas ruazinhas de paralelepípedos escondidas que relembram o passado.

Rua de Paralelepípedo.                                                                                                      Foto: Giovanna Linck

 

Loja de artesanato e diversos utensílios.                                                                           Foto: Giovanna Linck

Outra dica é conhecer os principais monumentos da cidade como o “Monumento aos Bandeirantes” que retrata a saga bandeirista e está localizado na entrada principal; em frente a “Matriz Santa Ana” está o “Monumento a Suzana Dias”, Suzana fundou a cidade junto com seu filho André Fernandes; há também o “Monumento a Frei Agostinho de Jesus”, Frei Agostinho viveu em Santana de Parnaíba de 1645 a 1651, destacou-se na produção de estatuária sacra em terracota (barro cozido), representação da arte bandeirante, está localizado no Largo São Bento (local originário do Mosteiro Beneditino).

A cidade atrai muitos turistas para suas principais festas. No carnaval há muitas festas de rua, “O Grito da Noite” com seus fantasmas que seguem a tradição folclórica de origem africana, e os cabeções que acompanham o cortejo, abrem oficialmente as comemorações da data; O “Drama da Paixão”, realizado na Semana Santa, é uma encenação sobre o nascimento, a vida, a morte e a ressureição de Jesus Cristo, é considerado um dos maiores do país; a comemoração de Corpus Christi de Santana de Parnaíba é uma das maiores manifestações religiosas do Estado de São Paulo e atrai muitos visitantes à cidade, diversas ruas do Centro Histórico são ornamentadas com um tapete de serragem colorida de 850 metros, confeccionado pelos moradores da cidade.

 

Imagem dos tapetes nas paredes do Museu do Anhanguera.                                                 Foto: Giovanna Linck

 

Cabeça Usada na comemoração de carnaval.                                                                      Foto: Giovanna Linck

 

Decoração de carnaval.                                                                                                         Foto: Giovanna Linck

É um ótimo passeio para quem quer conhecer mais sobre a história do Brasil, ter um contato com elementos do passado e fugir da correria da capital paulista. Todas as atrações têm entrada gratuita, o que torna o passeio ainda mais agradável. O apetite fica a cargo dos famosos restaurantes em volta da praça “14 de novembro”, nos quais você pode encontrar uma gastronomia variada. Prepare-se para voltar no tempo no Centro Histórico de Santana de Parnaíba.

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