Século XX produziu alucinações modernistas integrais

 

Cartaz de divulgação da exposição. Divulgação.

 

Por Larissa Coelho

Chama-se de modernismo o conjunto de movimentos culturais, escolas e estilos que permearam as artes e o design da primeira metade do século XX. Apesar de ser possível encontrar pontos de convergência entre os vários movimentos, eles em geral se diferenciam e até mesmo se antagonizam.

O movimento modernista baseou-se na ideia de que as formas “tradicionais” das artes plásticas, literatura, design, organização social e da vida cotidiana tornaram-se ultrapassadas, e que se fazia fundamental deixá-las de lado e criar no lugar uma nova cultura.

O marco inicial do movimento modernista brasileiro foi a realização da Semana de Arte Moderna de 1922, em que diversos artistas plásticos e escritores apresentaram ao público uma nova forma de expressão.

Foi buscando um diálogo entre o modernismo europeu e brasileiro que os curadores Frédéric Paul e Paulo Miyada conceberam a exposição “Alucinações Parciais”, nome inspirado na obra de Salvador Dalí, com dez obras-primas de nomes históricos pertencentes ao Centre Pompidou, que raramente saíram de seu acervo, e dez obras-primas de artistas brasileiros, provenientes das coleções do MASP, Pinacoteca, Museu de Belas Artes- RJ e particulares.

 

Bate-papo com visitantes da exposição.                                                         Foto: Divulgação

A mostra, que acontece no Instituto Tomie Ohtake, em parceria com o Centre Pompidou, inova ao propor uma “exposição-escola” com obras-primas de 20 dos maiores artistas modernistas do Brasil e do mundo. O novo formato de exposição pretende oferecer uma experiência em que o público possa se aproximar ainda mais dos trabalhos, de seus respectivos autores e do movimento histórico.

De acordo com os curadores, a exposição experimenta uma abordagem no cerne do modernismo europeu e brasileiro, quando Paris ocupava o lugar central em uma rede cultural global que se estabelecia por meio de intercâmbios, contaminações e misturas. “Quão forte é o laço que consegue produzir algum ponto de contato entre o russo Kandinsky e a paulistana Malfatti? Como pode um artista, como Rego Monteiro ou Picasso, ser simultaneamente exótico e exotizante, dependendo de onde os olhamos? O que fazer com a formação vanguardista e a trajetória emigrante de, digamos, Lasar Segall (ou, no sentido inverso, de Man Ray)?”, indaga Miyada.

Por sua vez, Frédéric Paul defende que o rigor científico exigido na construção didática da história da arte pode passar ao largo das obras ao deixar zonas de sombra entre datas e citações. “As obras, sobretudo as mais importantes, nunca se mostram tais quais são. Estão plasmadas pela história e por histórias que as tornam visíveis”, diz, parafraseando Paul Klee.

 

Exposição “Alucinações Parciais”, Instituto Tomie Ohtake.                                            Foto: Divulgação

Para quem pôde acompanhar de perto a exposição, o sentimento é de privilégio, como conta a bancária Silmara Alvez, de 47 anos, em visita ao Instituto pela primeira vez: “Acho super bacana poder ver de perto nomes que eu ouvia falar quando era pequena. Cândido Portinari e Tarsila do Amaral só habitavam o meu imaginário. Ver suas obras frente-a-frente é surreal. Um verdadeiro privilégio.”

A exposição acontece até o dia 10 de junho no Instituto Tomie Ohtake.

A entrada é gratuita.

 

 

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