Criação de espaços verdes movimenta comunidades

Horta comunitária da FMUSP.                                                                  Foto: Aline Reis

Por Aline Reis

Com a luta constante por espaço disponível nas ruas das grandes cidades, fica cada vez mais difícil encontrar regiões que tenham verde. Parques, jardins e hortas são incomuns e, muitas vezes, considerados um desperdício de terreno, que poderia ser redirecionado para o crescimento da região. Entretanto, ainda é possível encontrar espaços que caminham contra essa lógica, ilustrando como esses pequenos canteiros de vida modificam tudo o que está ao redor.

Ao lado do metrô Clínicas está localizada a Faculdade de Medicina da USP, uma região que por si só destoa do entorno, por conta da grande quantidade de árvores e outras plantas que cobrem o lugar. Mais adentro está a Hora Comunitária da FMUSP, um espaço aberto para receber tanto alunos quanto a população em geral. A horta foi resultado de uma iniciativa para utilizar um espaço vazio, criando assim um ambiente bonito e educativo dentro da faculdade. Atualmente, conta com aproximadamente 460 espécies diferentes de plantas, sendo diversos tipos de hortaliças, flores, frutas, plantas medicinais e PANCs (plantas alimentícias não convencionais), as mudas são decorrentes de doações, compras no CEASA e trocas com outras hortas por toda a cidade.

A horta conta com a colaboração de funcionários e alunos voluntários para funcionar de forma plena. além disso, nas terças e sextas, são promovidos mutirões, nos quais todos são convidados a visitar e conversar com os responsáveis e ajudar nas tarefas referentes à horta. Além disso, são promovidas oficinas com palestrantes e outros eventos ao longo do ano, como rodas de conversa, feira de produtos naturais e degustação de pratos produzidos com ingredientes vindos da própria horta. Atividades que integram toda a comunidade e promovem mudanças positivas.

Além disso, trabalhos como esse podem ser responsáveis por revitalizar toda uma região abandonada. O músico e paisagista, Mauro Quintanilha, nasceu e cresceu no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro. Com a ajuda de amigos da comunidade ele transformou o incômodo lixão que tomava conta do morro em um belo Parque Ecológico, renovando a dinâmica da região e oferecendo um novo estilo de vida aos moradores. Quintanilha veio para São Paulo e continuou seu projeto de revitalização, sendo o responsável pela criação de uma horta comunitária no Parque Burle Marx. A horta tem diversos voluntários e pode ser visitada por qualquer um. Todos são convidados a recolherem os produtos da horta e ajudarem com a doação de sementes. A produção da horta é muito benéfica para a região, pois, além de ser um espaço natural, fornece alimento para pessoas que não podem consumir certos tipos de alimentos, como carne.

Horta comunitária do parque Burle Marx.                                          Foto: Aline Reis

Juntamente com o projeto da horta comunitária, Mauro Quintanilha participa da restauração de uma área na comunidade do Jardim Colombo. A ideia é transformar uma região tomada pelo lixo em uma área verde, criando um espaço com uma horta comunitária, área de estudos ao ar livre, anfiteatro e espaço infantil. Novamente, a ideia serviu para unir a comunidade, que tem trabalhado em conjunto para retirar o lixo e manter a área organizada para as próximas etapas do projeto.

Lixão da comunidade Jardim Colombo.                                                   Foto: Aline Reis

A horta comunitária da FMUSP, do Parque Burle Marx e, futuramente, da comunidade do Jardim Colombo, ajudam a preservar um estilo de vida cada vez mais raro na cidade grande. Integrando a comunidade em prol de uma atividade em comum, esses espaços se tornam muito mais do que uma região  arborizada por si só.

Leave a Reply