Telemedicina promete resolver problemas da medicina tradicional

As avançadas ferramentas tecnológicas atuais, como a captação de imagens em alta resolução e a comunicação instantânea permitem que os médicos especializados dos centros urbanos possam atender pacientes virtualmente, independente das barreiras geográficas.

Além disso, ela auxilia a diminuir as gigantes filas dos hospitais públicos. De acordo com o Dr. Eduardo Cordioli, gerente médico da telemedicina do Hospital Albert Einstein, um projeto voluntário entre o hospital e o Município de São Paulo permitiu zerar a fila do SUS de 69 mil pessoas que buscavam uma consulta dermatológica.

De acordo com o médico, “a previsão de espera era de 1 ano e meio, o que seria prejudicial em um caso de câncer, pois ele poderia se espalhar. Com a telemedicina, foi possível evitar a ida a um dermatologista em 60% dos atendimentos e ainda possibilitou o reconhecimento de um possível câncer em 3% dos casos.”

Com o aplicativo DermatoNet, oferecido pelo departamento de Telessaúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Prefeitura de Porto Alegre fez algo semelhante: conseguiu zerar a fila de espera para consulta dermatológica. De acordo com dados publicados pela prefeitura, em janeiro de 2017, 5.830 pessoas aguardavam na fila de espera para um especialista, com a previsão de 1 ano e meio para o atendimento. O aplicativo foi lançado em fevereiro, e já no mês de novembro este número zerou e os atendimentos são realizados em menos de 30 dias. Por meio do DermatoNet, os médicos que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Rio Grande do Sul podem fotografar as lesões de pele dos pacientes quando tiverem dúvidas a respeito do diagnóstico ou tratamento. As fotos são enviadas via site ou aplicativo da Plataforma de Telessaúde para dermatologistas do projeto de Telessaúde da universidade. Em no máximo 72 horas, um laudo médico é emitido com orientações de tratamento na Atenção Primária à Saúde/Atenção Básica ou encaminhamento ao especialista.

A possibilidade de poder receber uma segunda opinião médica de forma rápida e prática também é muito importante, de acordo com o Dr. Cordioli “ 60% das vezes o médico no plantão muda a conduta após discutir o exame através da telemedicina.” Ele ainda complementa que a prática auxilia na tomada de decisões médicas, pois normalmente, “conforme os médicos ficam mais velhos e experientes, eles vão deixando o plantão na periferia e vão trabalhar no ambiente universitário. Mas isso é ruim, pois o lugar que você mais precisa de um médico especializado é nas salas emergência da periferia. E quem está lá são os jovens com pouco experiência. A vantagem da telemedicina é a possibilidade de levar a experiência dos mais velhos para os mais novos, para discutir o caso.”

Em 2007, o Ministério da Saúde criou o programa Telessaúde Brasil Redes que busca ser uma plataforma de ensino e serviço por meio de ferramentas e tecnologias da informação e comunicação, com o objetivo de fortalecer e melhorar a qualidade do atendimento da Atenção Básica no Sistema Único de Saúde (SUS).

Confira o vídeo promocional do projeto:

Dados estatísticos sobre o número de consultas feitas através da telemedicina, mostram que ela está em constante crescimento. O telediagnóstico, por exemplo, um serviço que utiliza as tecnologias da informação e comunicação para realizar serviços de apoio ao diagnóstico subiu de 67 mil atendimentos em 2008 para 721 mil em 2015, de acordo com o site informativo do Telessaúde Brasil Redes.

Ao mesmo tempo que a telemedicina vem crescendo, alguns pacientes podem ter dúvida sobre a eficácia de uma consulta sem contato físico. Porém o Dr. Eduardo Cordioli afirma que este é um ponto a ser superado, mas não é um obstáculo. “A telemedicina permite realizar um exame físico à distancia, como inspeção visual, otoscopia, oroscopia, escuta pulmonar e cardíaca, utilizando um estetoscópio que transmite o som para o computador e através da rede chega até o médico.”

Ouça a entrevista completa com o Dr. Eduardo Cordioli.

Leave a Reply