Os anos 60 testemunharam, em várias partes do mundo, uma efervescência de movimentos populares. Os hippies conquistaram o cenário da cultura ao derrubar os padrões impostos pela sociedade até então e se pautaram na busca pela liberdade – principalmente de expressão.

(Foto: João Pedro Calachi)

No Brasil, o caminho foi inverso. Em 1964, os militares tomaram o governo do país por meio de um golpe de Estado e iniciaram o cerceamento à liberdade de seu povo. As escolas eram censuradas, bem como a imprensa e as universidades, que mesmo assim, foram palco para o surgimento das principais articulações contra a ditadura.

O desconhecimento da população sobre o passado político de nosso país reflete a carência de um ensino de qualidade nas escolas, consequência desse passado de cerceamento ideológico imposto no período militar. Boa parte dos acadêmicos acredita que a falta de conhecimento da população sobre o passado político recente do Brasil colabora com tamanha desinformação. Até hoje, na Alemanha, o nazismo é estudado para servir como exemplo negativo e para conscientizar as novas gerações.

(Foto: João Pedro Calachi)

A importância de acompanhar a história em termos práticos se dá por meio de institutos e museus da esfera pública. Em tese, todos têm fácil acesso às ferramentas educativas de informação, como museus públicos. No entanto, poucos criam a cultura e o hábito de entender o passado. O Memorial da Resistência cumpre essa função social que precisa, embora incentive a cultura, de um interesse popular.

O Memorial foi criado por meio de um incentivo da Secretaria da Cultura do Governo do Estado e incentiva a pesquisa, proteção de arquivos e exposições para contar a história do país. O principal objetivo, assim como o Mapa da Educação, é provocar a reflexão em um povo que não viveu – ou não se recorda – as repressões políticas do Brasil desde o início do período republicano.

     (Foto: João Pedro Calachi)

Embora muitas pessoas incentivem a tentativa de ordem proposta pelo regime militar, diversos ativistas relembram, com inúmeras provas, os abusos cometidos pelos anos da ditadura. Ary Velloso era estudante de arquitetura da USP e estava presente na invasão feita pela Polícia Militar na PUC-SP, em 1977. Lembra que foi o momento mais crítico, “levaram centenas de estudantes e, até onde se sabe, alguns sumiram sem deixar muitas evidências. Foram torturados e brutalmente assassinados”.

(Foto: João Pedro Calachi)

Velloso sofreu as consequências diretas do cerceamento à liberdade e completa: “Foi uma época muito difícil para toda a classe acadêmica, por conta da censura, algo imposto no AI-5”. Para ele, desconhecer o passado demonstra a distância que existe para sermos uma sociedade mais evoluída e, para reverter esse quadro, se torna essencial centros culturais, como museus a exemplo o Memorial, para exercitar a memória histórica. O ex-militante encerra dizendo que “Se as pessoas buscassem criar uma consciência, principalmente hoje, com a quantidade de falsas informações que são disseminadas sem critério algum, talvez nossa noção de democracia não permitiria os atos inconstitucionais praticados pela classe política hoje”.

Pauta: Lucas Mendes
Repórter: Gabriel Paes
Edição: Elaine Bertoni
Diagramação: Mariana Carvalho
Fotografia: João Pedro Calachi

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