Pontinhos verdes desabrocham no cotidiano cinza

Por Guilherme Tedesco e Henrique Soto Lopes

Despertador, banho, café, trabalho, almoço, trabalho, casa, jantar, cama. Essa é a rotina da maioria dos paulistanos que têm um trabalho fixo e vivem, ou apenas sobrevivem, na nona maior megalópole do mundo. Não é fácil habitá-la; temas como o trânsito e a segurança, por exemplo, são alguns dos inúmeros problemas existentes em São Paulo. Há, entretanto, um (ou vários) ponto de fuga que ajuda a população a se livrar, nem que seja por pouco tempo, do caos da cidade: os parques.

Segundo pesquisa do Datafolha, o parque Ibirapuera é o centro de esporte e lazer favorito de cerca de 28% dos paulistanos. Dessa forma, é possível dizer que no meio de tanta perturbação e poluição, áreas verdes representam uma fuga da realidade estressante e cansativa dos cidadãos, logo, desempenham um importante papel no atual contexto social.

Parque Ibirapuera

Além de ser válvula de escape do cotidiano exaustivo, os parques também servem como ponto de encontro para uma série de eventos de qualquer tipo. A poucos meses da Copa do Mundo, eles atraem milhares de pessoas que estão colecionando o álbum do evento e querem trocar, ou até comprar, figurinhas. “É bom porque conseguimos algumas das (figurinhas) que faltavam e ainda damos uma passeada”, conta Ricardo Alves, pai que levou o filho, Enzo, ao parque. “Eu consegui a brilhante do Brasil e agora quero jogar ‘bola’”, diz o garoto de onze anos. Ao ser perguntado do papel social dos parques, Ricardo afirma: “Eu acho que eles são importantes para fugir um pouco do dia-a-dia cansativo do trabalhador. É uma ótima alternativa nos finais de semana”.

Além disso, a maioria das pessoas vai ao parque para praticar exercícios físicos mesmo que apenas aos finais de semana. Isso se intensifica ainda mais quando acontecem eventos de marcas famosas, como Nike e Puma, que já realizaram eventos no Ibirapuera, com o objetivo de expor a marca nessa vitrine a céu aberto.

Pessoas se exercitando no Parque Ibirapuera

Esse fator demonstra a importância dos parques paulistanos como espaço para exposições de produtos e manifestações culturais, geralmente no ramo artístico. O Parque Ibirapuera é conhecido por ceder espaço para eventos do tipo, atraindo para si um valor cultural. Com 158 hectares de extensão, o ‘Ibira’ ainda conta com uma série de museus e espaços, como o Museu Afro, a Oca Ibirapuera e o Museu de Arte Moderna de São Paulo. Na semana do dia 21 (sábado) de Abril, o parque Ibirapuera recebeu a 45ª edição da São Paulo Fashion Week, uma das semanas de moda mais famosas do mundo. O evento ocorre todo ano no local e atrai muitos visitantes, brasileiros ou não, do esportista fitness até o crítico de arte ou de moda.

Mas não só de grandes parques se faz a cidade. A maioria dos bairros paulistanos tem, pelo menos, um de pequeno porte em suas redondezas. As áreas verdes de menores proporções são essenciais para aqueles que querem sentir a sensação de visitar um lugar calmo, arborizado e relaxante sem ter a necessidade de pegar o carro ou o transporte público.

Na região de Perdizes/Pompeia, por exemplo, temos um parque bem conhecido e movimentado na região, o Parque da Água Branca. Com pouco menos de 137 mil metros quadrados, o local é frequentado, em geral, por moradores da região e é bem simples, sem quadras poliesportivas, nem piscinas. Deve ser por esse motivo que não atrai muito visitantes de outras zonas de São Paulo. O destaque fica por parte da área central, que tem uma área de treino de hipismo, e para o bosque principal, localizado na entrada.

Área de hipismo no Parque da Água Branca

O tamanho do parque, entretanto, não é visto como problema para seus frequentadores. Rafael Albarran, estudante de 20 anos, afirmou: “O tamanho é bom, pois a região não comportaria um parque maior. Além disso, não atrai muita gente, o que o torna calmo”. O rapaz ainda diz que as visitas ao Água Branca se tornaram rotina: “Todo dia eu venho para cá, já que passo por perto. Entro, fico uns 10 minutos e vou embora. Só de respirar um ar mais puro, o meu dia fica mais tranquilo”.

Rafael Albarran na entrada principal do Parque da Água Branca

Sendo assim, torna-se clara a importância dos parques municipais de São Paulo, eles servem como ponto de fuga, distração da população em geral, possibilitando um ambiente e até um clima diferente do grande centro habitacional e econômico. Além disso, essas áreas verdes acabaram se tornando pontos turísticos, por suas elegâncias e singularidades, atraindo também eventos e atrações comerciais. Logo, estão cada vez menos valorizados, mas cada vez mais importantes.

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