A juventude libertária sincronizada com o movimento hippie

Maio de 68 é, provavelmente, uma das datas mais marcantes quando se fala de movimentos revolucionários que mudaram o mundo. Os impactos culturais e sociais, frutos dessa série de acontecimentos, trazem resquícios benéficos até hoje: 50 anos depois. Compreender o papel da juventude e do movimento hippie, vai muito além do slogan “paz e amor”. Os jovens tiveram um papel essencial na reivindicação de uma nova visão de mundo, desconstrução dos padrões capitalistas-conservadores da época e no questionamento de assuntos como política, o uso de drogas e a banalização da violência. Não é por acaso que o movimento hippie é um dos mais conhecidos no mundo.

Maio de 68 é, provavelmente, uma das datas mais marcantes quando se fala de movimentos revolucionários que mudaram o mundo. Os impactos culturais e sociais, frutos dessa série de acontecimentos, trazem resquícios benéficos até hoje: 50 anos depois. Compreender o papel da juventude e do movimento hippie, vai muito além do slogan “paz e amor”. Os jovens tiveram um papel essencial na reivindicação de uma nova visão de mundo, desconstrução dos padrões capitalistas-conservadores da época e no questionamento de assuntos como política, o uso de drogas e a banalização da violência. Não é por acaso que o movimento hippie é um dos mais conhecidos no mundo.

Protestos contra a guerra do Vietnam, nos Estados Unidos. Fonte: NTB scanpix

“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”: a compreensão da sociedade e valores que antecedem o movimento.

Primeiramente, para entender os motivos que levaram o movimento hippie a proporções astronômicas de alcance, é necessário entender o cenário político e intelectual global, que levaram a um descontentamento em massa, principalmente para os jovens. Pautar um acontecimento como propulsor para o que viria a ser o movimento hippie é inválido, vez que o cenário político incluía uma série de fatores de descontentamentos. Portanto, é possível encontrar resquícios do movimento “paz e amor” na década de 40, final da II Guerra Mundial.

Com início em 1939, a guerra é marcada por dois grandes grupos de potências: de um lado, a Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos e de outro a Alemanha, Itália e Japão. Como consequência do que eram 30 anos de conflito, diversos países estão devastados com a guerra, tanto economicamente, quanto socialmente. Mesmo com toda a insatisfação popular, que criticavam a quantidade de civis mortos e a drástica queda econômica, os Estados Unidos e a URSS embarcam na Guerra Fria. Posteriormente, entre 1959 e 1975, os EUA novamente participam ativamente da Guerra do Vietnam. É importante lembrar que, nesse período de guerras, o alistamento militar era obrigatório na América e os principais afetados com esses conflitos militares eram os jovens.

 

A juventude da década de 50, principalmente nos Estados Unidos, viviam sob valores católicos extremamente conservadores, onde o diálogo para a liberdade sexual e relações homoafetivas não existiam. O racismo passa a ser institucionalizado, como por exemplo, banheiros diferentes para brancos e negros. O sexismo diminuía a mulher diariamente, colocando-a sempre abaixo dos homens, quase como um animal. Essa série de fatores sociais, mesclados a uma economia decadente no mundo e um cenário de guerras que não parece ter fim, os jovens passam a se reunir com a promessa de um mundo melhor, um mundo em paz.

Essa promessa ganha ainda mais força devido ao aumento da tecnologia e meios de comunicação, que aumenta a velocidade com que as informações são disseminadas, acelerando o processo. A professora da USP Olgária Chain Féres Matos argumenta em uma entrevista que “as revoltas estudantis do período estudado possuem um caráter internacional e solidário em muitos momentos, com manifestações de apoio e de comunicação entre os movimentos de diversas partes do mundo”.

“Somos realistas: queiramos o impossível”: uma análise do grupo social que compunha o movimento hippie

Quem se limita as ideias de que os integrantes deste movimento eram baderneiros movidos a drogas está profundamente errado. Os jovens, normalmente de classe alta, brancos e com boa formação intelectual, tinham uma visão muito crítica do mundo e dos padrões capitalistas que vinham sido inseridos desde muito novos. Tinham esse aspecto considerado “sujo” para a sociedade porque não se prendiam a modas, produtos de higiene que retomavam os conceitos capitalistas e porque escolhiam viver de uma forma mais natural, em grupos.

Baseados em um modelo de vida que pregava a “não-violência”, a liberdade sexual e o uso de drogas para experiencias espirituais, esses jovens viviam em grupos, concentrados principalmente na Califórnia. Essas pessoas buscavam através de viagens e desapegos de bens materiais, um encontro com o seu “eu” interior. Nessas comunidades, eram normal o debate sobre questões que iam contra os seus princípios, com destaque para o amor-livre e o fim do racismo.

Esses jovens, unidos ao movimento negro, lançavam passeatas anti-guerras e anti-opressão; com o objetivo de que seus apelos fossem ouvidos. Os hippies não se limitavam a poderes políticos, sua visão era muito mais abrangente e focada no bem estar físico e espiritual do ser-

humano, por isso o slogan “paz e amor”, porque, na visão deles, só assim seria possível alcançar a paz interior, onde todos viveriam em harmonia não se limitando a aparência e escolhas pessoais. Muito dessa visão é transmitida na forma de vestir.

Comunidade hippie americana. Fonte: reprodução

A moda indiretamente lançada pelos integrantes do movimento, contava com peças muito coloridas, fluídas, com frases de impacto e um visual desapegado quanto as modas vigentes.

 

“Sexo, drogas e Rock n’roll”: mecanismos de contracultura e a valorização da música

Vista panorâmica do festival Woodstock. Fonte: reproduçãoVivendo um período de transformação, os hippies encontram através da arte e da cultura uma nova forma de atingir os seus objetivos. Visto que os Estados Unidos, país precursor do movimento, está em um momento de polos muito claros – de um lado o movimento hippie libertário e de outro o movimento conservador – é através da contra cultura que vão ganhando força para disseminar seus ideais.

Em suma, o conceito de “contracultura” é lançado em meados da década de 60 e representa a quebra dos valores clássicos que vinham sendo apresentados. Representava os novos ideais e a crítica a cultura dominante. Por mais que se posicionassem contra os valores disseminados pela indústria e o mercado cultural, a contracultura tinha um teor pacífico, social, filosófico e artístico.

A música, definitivamente, foi uma das peças mais importantes e marcantes deste movimento. É nesse período que temos uma mescla de gêneros musicais já conhecidos e a criação de novos, focado para o rock and roll. O misticismo, o psicodelismo e as drogas, juntos justificavam a oposição ao racionalismo.

É precisamente nessa época, que nomes que marcaram a história surgem; Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Marley, Beatles, Jim Morrison entre outros. Grande parte desses nomes compuseram o festival que marcou o mundo: Woodstock. O festival ocorreu entre os dias 15 e 18 de agosto, na cidade de Bethel, interior de Nova York. Foi o festival mais marcante de todos os tempos e foi movido pelo rock psicodélico, nudez descompromissada e muito amor.

 

“Tomo meus desejos por realidade, pois acredito na realidade dos meus desejos”: os movimentos políticos sociais que marcaram a história

Ao longo da década de 60, a participação politica dos hippies ia muito além dos debates sobre a liberdade sexual, de drogas e anti-capitalista. Os mesmos foram responsáveis por diversos movimentos que marcaram a história. Junto ao movimento negro e feminista, discutiam assuntos de grande relevância para a época. Mobilizaram milhares de pessoas na luta pela ampliação dos direitos civis e igualdade e, constantemente, eram massacrados pela grande mídia cujos interesses não eram atendidos.

Os hippies foram os responsáveis por trazer esses protestos e manifestações para dentro das faculdades. Em um dos casos mais famosos, a Universidade de Berkley foi ocupada em 1964 devido ao movimento de “liberdade de expressão”, onde as autoridades não queriam que os alunos distribuíssem material de protesto fora da faculdade. No ano seguinte, a universidade de Michigan organiza o primeiro protesto para mostrar que a guerra do Vietnam era imoral e que deveria ser abortada pelos Estados Unidos. Mas, entre os diversos protestos organizados pelos jovens, o mais marcante ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 68 em Chicago.Organizado por Abbie Hoffman e Jerry Rubin, a chamada “Festa da Vida” lança episódios de criticas para o cenário político americano. O hippies lançam um porco chamado de Pegasus como candidato para a presidência dos Estados Unidos.

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