Por Laura Lourenço

A cidade metropolitana de São Paulo não é conhecida só pelo trânsito caótico ou pela famosa Avenida Paulista: a metrópole, com uma população de aproximadamente dez milhões de habitantes, possui um cenário cultural muito grande e amplo, dando espaço para os diversos tipos de culturas e pessoas que são adeptas a elas. A cultura underground é um exemplo que ganhou muita visibilidade desde o seu surgimento no Brasil até os dias atuais, trazendo consigo fãs e exigindo, portanto, lugares que abrigassem essas pessoas.

 

Por que underground?

A palavra underground, que vem da língua inglesa, significa “subterrâneo”, referindo-se, portanto a uma cultura pouco conhecida que se opõe aos padrões comerciais e ao conceito de mainstream, não só na música ou no cinema, mas também no modo de pensar, diferenciando-se da cultura capitalista. O movimento surgiu em Londres nos anos 70 as bandas de gênero punk, que não tinham espaço na música comercial e então, eram conhecidas por poucas pessoas que sabiam de shows em bares locais através de cartazes espalhados pela cidade.  No Brasil, a cena chegou à Recife com o nome “Udigrudi”, que foi retratado como um movimento de contra cultura na música, literatura, no teatro, cinema e artes plásticas e tinha referências tanto da “beatlemania” quanto do tropicalismo e da jovem guarda.

 

O espaço que esses lugares ganharam na cidade

Devido à internet e as plataformas de música, o cenário underground já não é mais tão subterrâneo assim. Os indivíduos que antes encaravam o movimento como algo acessível a uma minoria e pouco conhecido pelo grande público devem olhar de outra maneira, pois, devido à internet e plataformas digitais de música, agora é muito mais fácil escutar o gênero punk, heavy metal ou udigrudi, trazendo mais fãs e adeptos, e portanto, abrindo as portas para casas de shows, bares e locais em que o espaço para a contracultura seja cada vez maior. Atualmente, a cultura underground não tem haver apenas com música punk ou cinema; envolve toda uma plataforma de ambientes fora do  “mainstream”, e de culturas que se opõem a cultura comercial, trazendo o diferente para a cidade a seus habitantes.

 

Casa Amarela e seu diferencial

Na Rua da Consolação, localizada na região central da capital, é difícil não ser atraído visualmente por um enorme casarão no meio de tantos prédios. A Casa Amarela Quilombo Afroguarany é uma ocupação socio-cultural que estava abandonada desde 2014 e foi tomado por artistas de rua de várias regiões de São Paulo, com o intuito de de produzir cultura que fosse livre das imposições do Estado,  “[…]dando vida e exercendo a lei da função social da propriedade”, de acordo com o site do local.

Atualmente, a Casa Amarela é um patrimônio que pertence a secretaria municipal da cultura e oferece inúmeras oficinas, workshops, palestras, feiras, cursos e exposições que são totalmente auto-gestionados e livre para que todos possam acessar e adentrar ao que o casarão tem a oferecer.

Jansen dos Santos Pereira – 28 anos, morador da Casa Amarela, customizador, DJ e professor de dança formado pela própria Casa Amarela. Atualmente é gerente de loja de moda “swag”.

Créditos: Lara Guzzardi

 

O que a cidade de São Paulo tem a oferecer?

A Casa Amarela não é o único local que dá acesso a diferentes modos de enxergar a cultura: os espaços underground ganham cada vez mais visão para os paulistanos e pessoas que visitam a cidade, com cada local oferecendo algo inusitado e inesperado.

Centro Cultural Zapata

Palco principal do ambiente                                       Foto: Divulgação

A casa de shows recupera o movimento underground original, com bandas que revivem a cena punk, grunge e heavy metal, mas podendo abrir também espaço para outros gêneros musicais, como o indie e eletrônico. Um “espaço da resistência underground de São Paulo”, de acordo com avaliações feitas na página do facebook do local.

Hangar 110

Muitas bandas alternativas tem oportunidade de mostrar sua música                 Foto: Divulgação

Em atividade desde outubro de 1998, o Hangar 110 é uma casa de shows que surgiu com o intuito de “abrir espaço para o cenário alternativo e underground brasileiro”. Além de abrigarem artistas nacionais dos quatro cantos do país e artistas internacionais, também há espaço para bandas iniciantes, que ganham oportunidade de terem reconhecimento no local, sendo valorizadas.

Kabul

Pessoas que optam por se divertir em lugares underground.                         Foto: Divulgação

O bar, localizado próximo a rua da Consolação, possui um propósito além de servir bons drinks e petiscos. A estrutura apresenta oito cômodos diferentes, com pista de dança, palco para apresentações ao vivo e um espaço para exposições artísticas, que acontecem semanalmente no lugar. Com uma variedade musical ampla a cada dia e com exposições focadas em várias áreas, como fotografia, vídeos, projeções e até moda, o Kabul dá liberdade cultural tanto para os artistas quanto para o público.

Casa do Mancha

Banda se apresentando nos fundos da casa.                                                    Foto: Divulgação

O que, há onze anos atrás, era apenas a casa do produtor Leonel Mancha que recebia alguns amigos para gravar músicas em seu estúdio, hoje se configura de forma diferente: A Casa do Mancha é um espaço que recebe até 80 pessoas e tem o intuito de fazer a música alternativa e autoral uma prioridade. O local foi crescendo de boca em boca e nunca foi pensado para ser uma estrutura de casa de shows ou algo similar. Mas devido à qualidade das bandas que nasciam e cresciam por ali, começou, então, a nascer um verdadeiro movimento da música underground paulistana.

Sensorial Discos

Balcão central do local.              Foto: Divulgação

 

A proposta do Sensorial Discos não envolve 100% apresentações, mas sim a música no geral. O local funciona como uma cervejaria, loja de discos e café, e também oferece pocket shows de bandas alternativas como uma oportunidade de reconhecimento da música local paulistana. Localizado na Rua Augusta, oferecem cervejas artesanais no cardápio e entregam seus discos para o Brasil inteiro.

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