Por: Mariana Ribas

A execução de Marielle Francisco da Silva, vereadora do PSOL , causou revolta entre muitos brasileiros. Foi a morte de mais uma mulher negra, periférica e lésbica, caso que não foi o primeiro e nem será o último. A vereadora estava indo para sua casa quando levou três tiros na cabeça e um nas costas, e seu motorista Anderson Gomes, também morto com três tiros nas costas.

Marielle estava denunciando ações do 41º Batalhão de Polícia Militar, o que é um fato importante para a melhor compreensão deste caso. Não se sabe ainda quem matou Marielle, mas há indícios que apontam para a PM. Não é uma surpresa o abuso de poder policial, portanto é algo a se pensar. O Brasil encontra-se como o país que mais tem morte causada por polícia, segundo o relatório da Anistia Internacional. E está claro que os brancos de classe alta não são os alvos dessa guerra.

As fake news que percorrem as redes sociais e mídias, como a foto da ex vereadora no colo do traficante Marcinho VP, e textos que percorrem o WhatsApp marginalizando mais ainda a vítima com argumentos falsos e conservadores: “Quem é Marielle franco? Engravidou aos 16 anos, ex-mulher de traficante, usuária de maconha, etc”. Esse tipo de discurso é propagado com a intenção de justificar as mortes e tirar os maiores suspeitos do caminho.

A violência é retratada com superficialidade nas notícias, de modo que os fatos não chegam completos o suficiente para os leitores e telespectadores formarem opiniões sobre o assunto. Como no caso de Marielle, que algumas mídias retrataram este caso com tamanha superficialidade, desviando o assunto da execução com a romantização da vida pessoal da vereadora.

É importante que a luta de Marielle não se perca dentro dessa história. De fato, quando se vive em um momento histórico é difícil reconhecê-lo, mas é necessário a compreensão de quem é o alvo dos executores e o que querem. Precisamos entender quem matou Marielle, Anderson e os outros milhares de periféricos mortos todos os dias.

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