Por Laura Barbosa

Quem matou Amarildos? Quem matou Marielles? Duas perguntas diferentes para mesma resposta. É como funciona a mídia brasileira? Uma mesma morte com justificativas diferentes.

 

Foto: Laura Barbosa

Na semana passada, a morte da vereadora do PSOL Marielle Franco causou uma revolta nacional e internacional. O assassinato de mais uma mulher, negra, periférica, lésbica e ativista dos direitos humanos levou milhares de pessoas às ruas para protestar contra sua morte encomendada.

A militante que se engajou no cursinho pré-vestibular no complexo da Maré, uma das maiores favelas do mundo, estudou para ingressar na PUC-RJ, uma das Universidades mais concorridas do Brasil. Além da graduação, Marielle fez mestrado em Administração Pública na Universidade Federal Fluminense (UFF), com ênfase nas UPPs. A vereadora coordenava a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), junto com o deputado Marcelo Freixo, companheiro de longa data.

Para quem assistiu o Capitão Nascimento nas telas de cinema deve se recordar da cena em que o “herói” retratado no filme entra em um carro no qual quase é executado por seus inimigos. Marielle, a quinta vereadora mais votada do Estado do Rio de Janeiro, teve uma história parecida, porém com final diferente. Torna-se enganoso quem acha que a guerra é contra a esquerda branca. A guerra é contra a favela, é contra os negros, mulheres e pobres. O recado foi para mostrar que não vão aceitá-las no poder.

Foto: Laura Barbosa

Marielle está sendo morta novamente. As mentiras com seu nome não param de se acumular. Como era de se esperar, os veículos conservadores do país fizeram questão de difamar sua história de luta. Um dos primeiros boatos kafkianos foi uma foto forjada na qual a vereadora aparece supostamente sentada no colo do traficante Marcinho VP. O segundo rumor absurdo é de que Marielle teria sido eleita em áreas dominadas pela facção Comando Vermelho. Este tipo de discurso possui uma tentativa de justificar sua morte e não mostrar que as mãos da UPP estão cheias de sangue.

É triste ouvir de pessoas que pessoas que passam pelos protestos que os manifestantes são “aproveitadores” e que toda a aglomeração é para Lula não ser preso. Porém, é ainda mais deprimente e vergonhoso ouvir um “Fora Temer” durante um ato em homenagem a uma vereadora que foi executada após sair de um evento chamado Jovens Negras Movendo Estruturas. Estas pessoas ainda não entenderam nada.

Ir aos protestos que repudiam a morte Marielle e ouvir de trabalhadores que saem de escritórios de grandes bancos internacionais que toda a aglomeração não passa de “um bando de aproveitadores” que tentam evitar a prisão do ex- presidente Lula, é triste. Porém, é mais deprimente e vergonhoso ainda ouvir um “Fora Temer” durante um ato em homenagem a uma vereadora que foi executada após sair de um evento chamado Jovens Negras Movendo Estruturas. Estas pessoas ainda não entenderam nada.

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