Marielle Franco ainda causa diferentes emoções

Entre matérias frias e acaloradas, a execução da vereadora tomou conta do noticiário do país no último mês, março

Marielle Franco em agosto de 2016. Foto: Wikimedia Commons

 

Por Giancarlo Bueno e Leonardo Pratt

 

Os casos sobre violência são vistos constantemente na mídia brasileira, sendo um ponto forte na divulgação em telejornais, jornais locais e até na internet. Alguns casos fazem com que haja uma comoção maior, e um acontecimento em que houve este tipo de comoção, foi o caso Marielle Franco, uma ex-vereadora, assassinada no Rio de Janeiro no dia 14 de março de 2018. Marielle lutava contra a violência policial, presente nas favelas do RJ, era a favor dos direitos humanos e uma mulher negra, mostrando que o índice de mortes negras no Brasil só aumenta. Ela deixou uma filha de 19 anos e um legado de lutas por todo o País.

As reportagens sobre a morte de Marielle Franco no G1, UOL e El País divergem em diversos aspectos: a começar pelo título: “Vereadora do PSOL, Marielle Franco é morta a tiros na Região Central do Rio” (G1); “Vereadora Marielle Franco é assassinada no Rio; polícia investiga homicídio doloso” (UOL); “Marielle Franco, vereadora do PSOL, é assassinada no centro do Rio após eventos com ativistas negras” (El País).

Vereadora Marielle fala em evento em 2016.                                   Foto: Marcelo Freixo.

O G1 enfatiza que a vereadora era do Partido Socialista e Liberdade (PSOL), colocando isso antes mesmo da identidade de Marielle, destacando a palavra “morta”, enquanto as outras duas colocam “assassinada”. O El País realça em seu título que a vereadora estava em um evento com ativistas negras.

O G1 e o UOL iniciaram seus textos com um lead clássico, diferente do El País que usou uma frase de Marielle no evento para abrir o texto, destacando que pouco depois as redes sociais foram tomadas por pessoas em choque pela sua morte.

O G1 fez uma abordagem técnica, pois citou diversos horário e lugares. Destacou a trajetória político-profissional de Marielle e traz até um infográfico detalhado e didático, mas em momento algum noticiou sobre comoção de pessoas, seja na região em que o assassinato ocorreu ou daquelas que foram citadas pela reportagem.

Pode se dizer até que ela foi sensacionalista em um ponto: ao dizer que Marielle chamou o 41º Batalhão da PM de “batalhão da morte” em uma publicação do Twitter, quando na verdade o compartilhado foi que o batalhão é conhecido de tal maneira.

É preciso citar também que a reportagem trouxe referências aos assassinos de Marielle e do motorista do carro, Anderson Gomes, chamando-os de “bandidos” e posteriormente “criminosos”.
Com outro tipo de abordagem, o UOL focalizou sua matéria por outro ângulo, e foi a que melhor conseguiu balancear as informações do caso com a comoção que o assassinato gerou. Por exemplo, usou o mesmo tweet citado pelo G1, mas realçando a denúncia que a vereadora publicara. Sobre os assassinos, eles foram tratados por “responsáveis pelo crime”.

Além disso, apresentou um breve relato de como estava o ambiente no local do crime, informando sobre a emoção de familiares e amigos. Por fim, o UOL ainda noticia falas de companheiros de partido e uma nota oficial do próprio PSOL, que não é nem citada pela primeira reportagem.

A notícia veiculada pelo El País tentou humanizar mais as vítimas do crime, destoando mais do G1 e UOL. É a única que trouxe as informações de que Marielle tinha uma filha de 19 anos, e o nome da assessora da vereadora que estava no carro atacado, Fernanda Chaves (sobrevivente). Houve destaque para o fato de Marielle ser contra a intervenção militar no estado do Rio de Janeiro.

Também foi singular ao fazer uma comparação com essa morte e a da juíza Patricia Acioly, em 2011, usando uma publicação de um cientista político em uma rede social.

Mas talvez o que mais diferenciou esta matéria foi a apresentação do vídeo na íntegra do evento que Marielle participava antes de ser assassinada (transmitido via Facebook) e uma lista com endereços de diversas cidades onde haveriam protestos contra a morte de jovens negros no Brasil.

As notícias a respeito da violência estão presentes nos jornais todos os dias. O caso Marielle Franco é mais um caso em que a violência passa dos limites e atinge um ápice em nosso país. A sociedade por sua vez, se manifestou e pede por justiça no caso e o que não podemos mais aceitar é que ainda aconteçam casos como estes que assustam o país e a toda população.

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