Índice de brasileiros sem emprego é o pior desde 2012

Taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 23,6% no quarto trimestre de 2017

Por Cláudio de Oliveira e Lucas Estanislau

O índice que mede a subutilização do trabalho no Brasil, que engloba desocupados, subocupados por insuficiência de horas e os que fazem parte da força de trabalho potencial, encerrou o ano passado com as piores marcas desde 2012.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 23,6% no quarto trimestre de 2017, o equivalente a 26,4 milhões de pessoas.

No quarto trimestre de 2012, ano em que o IBGE iniciou a PNAD Contínua, a mesma taxa era de 16,7%. Em 2016, terminou o ano em 22,2%.  ara o coordenador do boletim do Grupo de Pesquisas DEPE (Desenvolvimento e Pesquisas Econômicas) da PUC- SP, Marcos Henrique do Espírito Santo, a deterioração do mercado de trabalho e a nova legislação trabalhista aprovada no governo do presidente Michel Temer são algumas das razões para o aumento da subutilização da força de trabalho.

“A nova legislação trabalhista que foi aprovada em novembro [de 2017] reforça isso, pois ela serve exatamente para baratear o custo do trabalho, então ela reforça esse cenário de recuperação pela via da desocupação e de trabalho com menor remuneração ”, diz o economista.

Espírito Santo critica o discurso do governo de que o mercado de trabalho estaria melhorando. Segundo ele, embora o mercado venha aumentando a taxa de ocupados, é quem são esses ocupados e quem está compondo essa taxa, pois o maior aumento foi o de trabalhadores por conta própria e sem carteira assinada”.

Também sobre a reforma trabalhista, Espírito Santo afirma que “do ponto de vista do empresário é excelente e do ponto de vista do trabalhador existem vários problemas”. Segundo o economista, “a perversidade dessa reforma está no fato de ela ter sido feita de forma unilateral”, pois não foi discutida com os sindicatos e centrais de trabalhadores.

De acordo com os dados divulgados pela PNAD Contínua, as piores marcas da subutilização da força de trabalho estão entre os estados do Nordeste, que registraram uma taxa média de 34,6%.

No quarto trimestre de 2017, o Piauí teve a pior marca nacional, chegando a 40,7%. Logo em seguida aparecem Bahia e Alagoas, com 37,7% e 36,5%, respectivamente. O Piauí não só registrou a pior marca entre os estados do país como teve o pior índice de toda a série histórica, iniciada em 2012.

“A nova legislação trabalhista reforça esse cenário de desocupação”, diz economista

Desocupação e subocupação

Ainda segundo os dados divulgados do IBGE, a taxa de desocupação dos brasileiros chegou a 11,8% no quarto trimestre do ano passado. Embora o índice tenha sido o mais baixo de 2017, registrou uma alta de 4,9 pontos percentuais em comparação com o mesmo trimestre de 2012.

Entre os estados brasileiros, os da região Nordeste também seguem liderando os índices de desocupação. Para Espirito Santo, fatores como baixa expectativa de vida e mercado de trabalho predominantemente informal são alguns dos fatores que impulsionam a região às piores marcas.

“O próprio tipo de trabalho que é executado no Nordeste é um dos fatores que explicam essas taxas. O trabalho no campo, voltado ao agronegócio, tem péssimo histórico de relações trabalhistas”, diz o especialista.

Espírito Santo destacou que “em momentos de recessão as desigualdades regionais tendem a aparecer ainda mais”. Quanto a fatores históricos, o economista disse que “existe uma história ligada ao nosso processo de industrialização, que se concentrou no Sudeste, que explica a pouca organização dos trabalhadores na região Nordeste”.

Os números de brasileiros subocupados também bateram marcas históricas no último trimestre de 2017. 18% dos cidadãos estão na subocupação, que agrega o trabalho informal como camelôs e vendedores ambulantes. Comparado com a taxa do mesmo período em 2012, foi indicado um aumento de 5,7 pontos percentuais.

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